terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mudanças - Comunicado oficial

Caríssimos,

Recebi e-mail fresquinho do escritório de imigração, falando sobre as mudanças. A versão em português está mais embaixo.


"Bonjour,

Nous vous prions de bien vouloir prendre connaissance des changements concernant le processus de dépôt des demandes d’immigration au Bureau du Québec à Sao Paulo :

  •  Nous désirons vous informer que Le ministère de l’immigration et des communautés culturelles du Québec a procédé à la réorganisation des opérations des bureaux d’immigration à l’étranger. À cet effet, les activités du Bureau d’immigration du Québec à Sao Paulo seront transférées à Mexico et à partir du 1er janvier 2012 vous devez envoyer vos demandes de certificats de sélection au Bureau d’immigration du Québec directement à Mexico à l’adresse suivante :

                        Délégation générale du Québec
                        Bureau d’immigration du Québec à Mexico
Av. Taine 411, Col. Bosque de Chapultepec (Polanco)
México, D.F. 11580
Mexique

A noter que les activités de promotion ainsi que les entrevues de sélection continueront à se faire au Brésil.

  • Tous les nouveaux candidats à l’immigration de la sous-catégorie « Travailleurs qualifiés » qui souhaitent obtenir des points à la connaissance du français (requérant principal et conjoint) et de l’anglais (requérant principal seulement) devront dorénavant démontrer leurs compétences en expression et en compréhension orales en présentant, au moment du dépôt de leur demande, les résultats d’un test de compétences linguistiques réalisé auprès d’un établissement reconnu par le Ministère. Les tests acceptés sont, pour le français le DELF ou DALF ou TCFQ ou TCF ou TEFaQ et pour l’Anglais, le IETLS. Pour avoir plus d’informations sur les tests, vous pouvez consulter :
    1. Pour les tests TCFQ, TCF, DELF et DALF : www2.ciep.fr/tcf/Centres/Liste.aspx
    2. Pour les tests TEFaQ et TEF : www.fda.ccip.fr/tef/centres
    3. Pour le test d’anglais IELTS : www.ielts.org 

L’application de la nouvelle directive se fera pour les demandes reçues à partir du 7 décembre 2011.

Pour obtenir plus d’informations sur le processus, vous pouvez consulter : www.imigrarparaquebec.ca

Cordialement,
Bureau d’Immigration du Québec à São Paulo



Bom dia,

Pedimos a gentileza de tomar conhecimento das mudanças referentes ao processo de envio das demandas de imigração ao Escritório do Québec em São Paulo:

  • Informamos que o Ministério de imigração e das comunidades culturais do Québec determinou a reorganização das operações dos escritórios localizados em territórios estrangeiros. Em razão destas mudanças, as atividades do Escritório de Imigração do Québec em São Paulo serão transferidas ao México e, a partir de 1° de janeiro de 2012, será necessário enviar as demandas de certificado de seleção diretamente ao escritório de Imigração do Québec no México, no endereço abaixo:

                        Délégation générale du Québec
                        Bureau d’immigration du Québec à Mexico
Av. Taine 411, Col. Bosque de Chapultepec (Polanco)
México, D.F. 11580
Mexique
As atividades de promoção, bem como as entrevistas de seleção, continuarão a ocorrer no Brasil.

  • Todos os novos candidatos à imigração na categoria “Trabalhadores Qualificados” que desejam obter pontos no quesito “conhecimento de francês” (tanto o requerente principal como o cônjuge), bem como de inglês (apenas para os requerentes principais), deverão, a partir de agora, demonstrar seus conhecimentos em expressão e em compreensão orais apresentanto, no momento do envio de sua demanda, os resultados de um teste de competências lingüísticas realisado através de um estabelecimento reconhecido pelo Ministério. Os testes aceitos são, para o francês: DELF ou DALF ou TCFQ ou TCF ou TEFaQ e, para o inglês, o  IETLS. Para mais informações sobre os testes requeridos, consulte:
    1. Para os testes TCFQ, TCF, DELF e DALF: www2.ciep.fr/tcf/Centres/Liste.aspx
    2. Para os testes TEFaQ e TEF: www.fda.ccip.fr/tef/centres
    3. Para o teste de inglês IELTS: http://www.ielts.org/

A aplicação das novas regras se aplica às demandas recebidas no escritório a partir de 7 de Dezembro de 2011.

Para obter informações sobre o processo, acesse http://www.imigrarparaquebec.ca/

Atenciosamente,
Bureau d’Immigration du Québec à São Paulo "

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Segunda carta!

O trabalho continua tomando muito do meu tempo (e dá-lhe hora extra), mas passei aqui pra dizer que na sexta-feira passada, dia 03 de dezembro, recebi a segunda carta do escritório de imigração! Dessa vez, nada de pendengas: informaram que meu dossiê foi aberto mesmo no dia 29 de novembro, que está sendo estudado e que é pra eu sentar bem quietinho ali no canto e esperar.

Posto isso em meio ao início das tais mudanças no processo de imigração. O pouco tempo livre que tenho tido ainda não foi suficiente pra eu ler tudo que já disseram a respeito, mas parece que, de uma forma ou de outra, pelo menos algumas daquelas informações que coloquei no post anterior procedem. Preciso me inteirar disso o quanto antes, até porque não sei se isso afeta o meu caso ou não.

Mas enfim, em relação ao meu dossiê, tô feliz e aliviado em saber que agora a peteca tá com o escritório!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Possíveis mudanças no processo

Bom, 75% dos blogs referentes a imigração pro Québec já publicaram isso, e os outros 25% estão em vias de fazê-lo. Chegou a minha vez hehehe.

Segue um e-mail que foi enviado esses dias, de uma fonte crível, sobre possíveis mudanças no processo de imigração do Québec num futuro próximo.

É importante lembrar, em relação ao conselho dado no final, que não adianta mandar a documentação correndo só por mandar: o candidato deve ter um mínimo de preparação e conhecimento, não só do processo e dos idiomas, mas da própria natureza do que está fazendo. Do contrário, o resultado pode não ser o esperado.

Segue o e-mail:

"(...)Conversei com Gilles ontem a noite depois da palestra sobre imigração. Fiquei sabendo de umas coisas que quero comunicar para vocês. 

A partir de janeiro ou fevereiro, o escritório de imigração do Québec ficará em Mexico City. Assim, o processo vai demorar mais ainda. 

Também, em janeiro ou fevereiro, começarão a obrigar os candidatos à imigração a fazer a prova de francês. Isso também deixará o processo mais demorado pq vocês terão que atingir o nivel de francês necessário antes de mandar a documentação. Hoje, vocês podem mandar a documentação com nivel menor e continuar estudando para ter o nivel de francês necessário no dia da entrevista.

Porque? O Primeiro Ministro do Québec, Jean Charest, pediu para a Ministra da imigração diminuir o orçamento ainda mais. Não é que eles não querem mais imigrantes, mas eles não querem gastar tanto com eles. E não é que eles querem menos Brasileiros. O escritorio de Paris vai ser em Montréal. Estão simplesmente diminuindo os gastos.

Gilles me disse também que acha que o processo federal não vai ser mais rápido ano que vêm. Tomará que ele esteja errado!

Conclusão: Recomendo aos que tem condição de mandar o dossiê en janeiro (que tem como conseguir os documentos necessários e que jà tem um tempinho de francês), mandarem em dezembro mesmo.

(...)
 
Bonne chance à tous!"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Um mês do envio dos documentos e...

Ontem eu ia fazer um post pra marcar um mês de envio dos documentos para o Escritório de Imigração do Québec e chorar as pitangas pelo fato de ter enviado outro formulário de cobrança do cartão de crédito depois que não conseguiram passar o anterior. Mas enfim, as coisas no trabalho, que já são corridas por natureza, são elevadas à potência 12 no fim do ano, então o tempo anda exíguo.

Maaaaaaaaaaasss... cá estou! Ontem fez um mês desde que juntei um resumo da minha vida, coloquei no pacotão da alegria e mandei pro escritório. Nesse meio tempo, entre olhadelas constantes no sistema de rastreamento dos correios, recebi a primeira carta, informando sobre a falha na cobrança no cartão, preenchi outro formulário, entrei em contato com o banco e encaminhei tudo novamente. Desde essa última ação da minha parte, nada, nothing, zero, niente, rien, nichts. Passo os dias indo ao caixa eletrônico consultar a fatura pra ver se entra alguma coisa, e tudo que vejo é o rodízio de sushi que coloquei por engano no crédito no início do mês.

Maaaaaaaaaaaaasss (outro)... eis que hoje esqueci de olhar a fatura no cartão de crédito, e, conhecendo as nuances da Lei de Murphy, logo saquei que hoje veria a cobrança lá. E não deu outra: tá lá, bonitinho, com o carimbo do Murphy do lado.



Lá estão os 395 dinheiros canadenses, prontinhos pra serem cobrados no fechamento da fatura. Detalhe: a data de lançamento é 29 de novembro, ou seja, foi terça, às vésperas do aniversário de um mês, que conseguiram fazer a cobrança.

Nem posso exprimir o quanto estou feliz com mais esse passo. E, principalmente, aliviado! Agora pelo menos eu sei que vão abrir o processo e fazer a análise dos documentos. E, se tudo der certo... entrevista ano que vem!!!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Notícias sobre próximas entrevistas

De acordo com esta postagem do blog Diário Canadá Brasil, parece que as próximas entrevistas ocorrerão em janeiro e fevereiro. A informação foi obtida, segundo o blog, em resposta enviada pelo Escritório de Imigração a uma consulta feita por e-mail.

É claro que a notícia é boa pra todos, mas fico pensando se já estarei nessa leva. Eu acho meio difícil, pra ser honesto, já que até agora não abriram meu processo. Aliás, a taxa nem consta na fatura do meu cartão de crédito ainda, então é seguro dizer que não olharam nada dos meus documentos. Daí acho difícil que abram o processo, analisem os documentos e me convoquem para uma entrevista nesse período.

Mas enfim, nada é impossível, e eu sinceramente estou tranquilo em relação à data da entrevista. Se for em janeiro ou fevereiro, tudo bem; se for em maio, também tudo bem; se for em outubro, tá certo também. Pelo menos por enquanto, não tô morrendo de ansiedade por isso.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Formulário entregue!

Depois da cartinha do Escritório de Imigração informando sobre a falha na cobrança, ontem foi dia de ligar pro meu banco pra saber o que havia acontecido. A atendente, profissional, mas não simpática, depois de perguntar até se eu preferia macarronada com molho vermelho ou branco (que fique claro que sou totalmente a favor de medidas de segurança, principalmente quando se trata de banco e do meu dinheiro), me informou que o problema é que meu cartão não estava habilitado para uso no exterior. Só que o papai aqui já havia feito a habilitação no mesmo dia da postagem do dossiê. Mas enfim, não ia discutir isso com ela, até porque eu não sou o Marty McFly e não ia conseguir voltar no tempo pra fazer com que a primeira cobrança desse certo. Então pedi para habilitar o cartão para uso no exterior e ela me garantiu que dessa vez vai.

Com isso resolvido, preenchi novamente o formulário de autorização do cartão de crédito, anexei uma cópia da carta que me mandaram e fui aos correios ontem mesmo. E tcharam! Já foi entregue!




Agora é esperar pra ver se vai aparecer aqueles números vermelhos na fatura do meu cartão, indicando a cobrança. Tomara! Nunca esperei tanto uma conta hehehe.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

E chegou a primeira carta!



Mas não foi uma carta extremamente feliz, dizendo que meu processo foi aberto. Foi uma carta dizendo que sou pobre não conseguiram fazer a cobrança no meu cartão de crédito e pedindo pra eu enviar novamente o formulário, além de entrar em contato com meu banco e/ou a operadora do cartão de crédito pra ver qual foi o problema.

Apesar disso, fiquei feliz na hora em que vi a carta, pois é a prova cabal de que receberam meus documentos. Além disso, dá pra fazer uma pequena estimativa: postei o pacotão da alegria no dia 31/10; no dia 1º/11, ele foi entregue no escritório de imigração, e a data que veio na carta que recebi hoje é 11/11. Levando em conta que teve um feriado e um fim de semana nesse meio tempo, posso dizer que em menos de dez dias eles receberam, abriram e tentaram cobrar a taxa. Pelo jeito, pra isso é bem rapidinho hehehe resta saber se eu já estaria recebendo a carta de abertura do processo caso tivessem conseguido cobrar a taxa.

Amanhã ligo pro meu banco e ameaço explodir a bagaça tento resolver a situação. Espero que não seja nada complicado!

Pelo jeito, a opção que fiz, sem saber, na hora que decidi iniciar o processo foi a "com emoção"!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Emprego: tradutor

Bom, meu dossiê já foi, já chegou o aviso de recebimento, mas não a carta ou e-mail do BIQ e nem a fatura no cartão, mas tenho consciência de que isso demora. Então, a partir de agora é ler mais ainda e juntar mais informação que nunca pra chegar preparado pra entrevista.



Há alguns meses, eu entro em sites de emprego do Canadá, como o Monster e o Jobboom. As pesquisas para vagas de tradução nunca geram dezenas de vagas como acontece com TI, por exemplo, o que às vezes me faz querer criar um vírus e disseminá-lo em todos os computadores do mundo me causa um pouco de arrependimento em relação ao meu curso. Mas enfim, eu não tenho vocação para números, achava lindos os problemas de matemática e física no segundo grau, mas quase nunca consegui sequer começar o raciocínio pra tentar resolvê-los.

Voltando... as pesquisas nunca geram dezenas de vagas, e as que aparecem são, em geral, do inglês para o francês. Obviamente, será um tanto complicado eu conseguir uma vaga como tradutor no início, já que terei que primeiro saber o Le Petit Robert de trás pra frente e como se diz "a válvula de descarga quebrou" dominar o idioma de forma satisfatória. Por isso, uma vaga de tradutor do francês para o inglês seria melhor, mas essas basicamente só aparecem fora do Québec. E  mais: em praticamente todas as vagas há a exigência de 3 anos ou mais de experiência, o que dificulta um pouco as coisas.

Ainda assim, há alguns meses encontrei uma vaga saída de Hogwarts: numa empresa de video-games (uhuu!!), de francês para o inglês e do inglês para o francês (uhuuuuu!!!), sem estabelecer experiência (uhuuuuuuuuuuu!!!!) e ainda favorecendo quem conhecesse línguas como o alemão e o português (uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!). Isso me animou mais, já que uma das coisas que eu preciso fazer agora é levantar vagas que estejam próximas do que pretendo procurar lá e compatíveis com a minha formação e experiência. Até o momento, devo ter certca de 10 vagas impressas que estão mais ou menos dentro do meu perfil (algumas estão mais menos do que mais, mas enfim..) e pretendo juntar mais tantas daqui até a data da entrevista. Ah sim, e tenho que estudar o plano B também, já que o A vai ser um pouco complicado pra conseguir de saída.

Enfim, muita coisa pra pesquisar. Mas é bom, porque posso manter a cabeça ocupada enquanto espero algum sinal do escritório de imigração.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dossiê entregue!

Passando aqui rapidinho só  pra dizer que, pelo menos segundo o site dos Correios, meu dossiê foi entregue ontem à tarde!


Agora é esperar o aviso de recebimento, que deve ser o único sinal que terei do BIQ durante um bom tempo. Afinal de contas, como hoje é feriado, devem ter recebi o pacote e falado "ah, isso deve ser dossiê de candidato à imigração, põe ali embaixo da pilha e a gente abre na quinta ou semana que vem". =P

Bom feriado!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

E foi dada a largada!!

Caríssimos, é com grande prazer e alegria que venho aqui dizer que hoje dei início oficialmente ao meu processo de imigração para o Canadá. Após passar o fim de semana conferindo os documentos, hoje coloquei tudo dentro de uma pasta, depois a pasta dentro de um envelope e postei por SEDEX com aviso de recebimento (toda e qualquer garantia de recebimento nunca é demais hehehe). Mas só depois que receberem é que vou me considerar no processo.

Agora é esperar para ver se me mandam uma carta ou e-mail de recebimento, a fatura do cartão de crédito e, quem sabe (mas espero que não), algum pedido extra de documentos. Espero não ter esquecido de assinar nada - claro que chequei tudo, mas vai que...

E, com isso, inauguro minha timeline ali do lado, ó. Colocarei os fatos mais relevantes à medida que forem acontecendo.

Boa sorte pra nós todos!


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

[OFF-TOPIC] Visto Americano - Parte III

Veja o início da saga na Parte I e na Parte II.

Ainda fiquei um tempinho em pé, esperando até o monitor do meu guichê mostrar a minha senha. Bem na hora em que o atendente ia me chamar, ele, em vez de apertar o botãozinho pra chamar a próxima senha, virou pra mim lá de dentro e falou, com sotaque gringo carregadíssimo: "Só um momento, por favor".

Dei risada. Mas o cidadão realmente não demorou muito e logo me chamou. Relembrando esse guichê era o da coleta das digitais, então ele confirmou alguns dados meus e pediu para eu colocar os dedos no sensor que faz a coleta. Primeiro os quatro dedos maiores da mão direita, depois os quatro maiores da mão esquerda, depois os dois polegares ao mesmo tempo. Tudo certinho, ele ficou olhando o monitor um tempo e clicando o mouse, pegou meu passaporte (que já estava lá num lote com outros), deu uma olhada e perguntou se eu não havia usado o visto anterior. Aparentemente, na hora de passar as páginas, ele pulou aquela na qual bateram o carimbo quando passei pela imigração nos EUA. Então respondi que sim, havia usado uma vez. Ele voltou as páginas, achou o carimbo e falou "ah!". Depois disso, falou que eu não precisaria passar por entrevista, me entregou o papel laranja (aquele que recebi lá no início da saga) e falou que era pra eu ir até o caixa do lado mais externo do consulado para pagar a taxa do sedex e que meu novo visto seria entregue em casa. Ufa!

Lá fui eu, feliz da vida. E feliz MESMO, porque a fila da entrevista estava imensa e era por ordem de chegada. Além disso, você ainda tinha que ficar em pé. Enfim, fui lá pra fora, peguei outra filinha básica para fazer o pagamento da taxa do sedex e, em seguida, fim! The end! Me senti o Frodo depois de destruir o anel, garganta seca, imundo de tanto suor, parindo de fome e ainda tendo que encontrar forças pra ir a pé até a parada mais próxima que me levaria ao meu trabalho.



Mas deu tudo certo, e, tirando aquela mulher do Hades que ficou matraqueando do meu lado, eu me considerei bem sortudo. Ah, e nunca vou esquecer aquele primeiro gole d'água que bebi quando cheguei no escritório.

Depois disso, começou o período de espera. No papel que eles entregam depois que você paga o envio do sedex, vem dizendo que o prazo de entrega é de, no mínimo, seis dias úteis. Mais embaixo, falam que, se após dez dias você não receber nada, deve entrar em contato com o consulado. Enfim, eu peguei um feriado americano no meio do caminho, o que complicou mais. Não chegou nada na primeira semana e, depois que metade da segunda passou e eu não tive nada de novo na minha caixa de correio, comecei a me preocupar. Não ao ponto de ligar no consulado, porque a greve dos correios tinha acabado de ser encerrada, mas enfim, é um documento importante, o procedimento pro visto é caro e desgastante (fisicamente falando), então quem é que quer descobrir que o seu passaporte foi extraviado? A segunda semana terminou sem nenhuma novidade também. Mas eis que estou eu lá, de pijama, num domingo à tarde, curtindo as consequências do sábado à noite, quando o porteiro do meu prédio interfona e diz que estava com um sedex lá pra mim. Pulei da cama, me vesti correndo, desci, peguei o pacote, subi, abri e estava lá: passaporte lindão, visto B1/B2, validade de 10 anos. *Corre para a galera*

Em resumo, então, o atendimento expresso serve aparentemente pra duas coisas: primeiro, você não precisa aparecer no consulado antes do primeiro raio de sol da manhã. Pode chegar por volta de 10 horas, já que só vai poder entrar por volta das 11. Segundo, se for uma renovação e tudo estiver certinho, você pula a etapa da entrevista, o que já dá pra econimizar uma horinha.

Eu levei um quilo de documentos, mas não me pediram absolutamente nada, fora os passaportes (vencidos e o atual). De qualquer forma, é sempre bom estar mais que preparado para a possibilidade de que você tenha que comprovar alguma coisa com documentos. E outra: o funcionário do consulado que te atender pode não ir com a sua cara e fazer você passar pela entrevista. Aí mesmo é que você tem que ter tudo bonitinho, detalhado e explicado. Não adianta o pessoal chorar e dizer que é "absurdo", um "disparate" e outras palavras carinhosas. Eles são tão soberanos em relação ao país dele quanto somos com o nosso, então ficar achando absurdos no que eles fazem é se irritar por besteira.

Não posso deixar de dizer também que o kit de sobrevivência é de suma importância. A não ser que você queira ter uma vaga ideia do que é participar de algo como No Limite, sugiro fortemente que quem tiver de ir ao consulado leve água (nada de garrafinha de 500ml. Leva uns 2 litros, por favor, principalmente se for em dia de calor) e algum tipo de comida leve, como frutas ou barrinhas de cereal (até porque acho que se você tentar levar feijoada ou kit frango-e-farofa eles provavelmente vão barrar).

Há guarda-volumes no comércio próximo. Não testei porque sou realmente pão-duro e porque não sabia o tipo de comércio lá perto. Então preferi esvaziar minha mochila em casa e levar só o estritamente necessário. Pendrive, celulares e qualquer tipo de equipamente eletrônico é terminantemente proibido. Mas, se você é desses que se sente nu(a) sem o celular e quiser arriscar, pode pagar de 5 a 10 legais nesses guarda-volumes. Há também locais para imprimir formulários e tirar fotos, mas acho que nem preciso dizer que só devem recorrer a isso em último caso, né? O melhor é sair de casa com tudo prontinho, bonitinho, separadinho e certinho.

Ah, e outra: exceto em caso de imprevistos (eles acontecem, claro), se você pensa que pode viajar para os EUA num futuro relativamente próximo (um ano ou dois, não semana que vem), peça seu visto logo. Isso evita o desgaste e o stress de muita gente que eu vi na internet depois, que preencheu a papelada em junho, marcou a entrevista pra início de outubro e a viagem pra semana seguinte à da entrevista. Pow, como é que você vai contar com o ovo lá dentro da galinha pra fazer ovos com bacon??? Vi alguns relatos de gente que teve que cancelar viagem, gastar uma grana pra remarcar tudo e por aí vai. Por isso, peça o visto beeeeeem antes porque demora mesmo e não adianta depois falar que é um "absurdo".

terça-feira, 25 de outubro de 2011

[OFF-TOPIC] Visto Americano - Parte II

Você pode ler o início da saga na Parte I.

Como faltava pouco tempo, fiquei ali por perto do portão, já que não havia uma fila realmente estabelecida pra quem estava aguardando o tal do atendimento expresso. Quando deu 11 horas, a mocinha do portão começou a impedir a entrada de quem estava fora do atendimento expresso, o que, claro, resultou em muita reclamação por parte de quem estava lá esperando desde as 8h da manhã. Eu fui um dos primeiros a entrar e tive que abrir minha mochila pra uma segurança que fica logo na entrada. Achei que teria de seguir pra um lugar diferente daquele pra onde estava seguindo a turba que havia entrado antes da gente por conta do tal atendimento expresso.. Nada. Fiqueina mesma fila que eles, exatamente atrás. Fazia um calor dos infernos, e a proteção que há na parte mais externa do consulado mais abafava do que aliviava. Mas tudo bem, eu já sabia que seria complicado, né? Então, em meio ao povo reclamando e se abanando, eu procurei ficar quietinho, trocando uma ou outra palavrinha quando se viravam pra mim e comentavam sobre a demora ou o calor. Isso sou eu, tentando ficar zen.

A fila andava beeeem lentamente. Fiquei tentando adivinhar pra onde iríamos, mas eu via uns indo pra um lado, outros pra outro. Dali a pouco, passou um funcionário da embaixada com um leitor óptico portátil pedindo pra todo mundo mostrar as páginas impressas da confirmação do agendamento e do formulário DS-160. Fiquei um pouco apreensivo porque tinha lido em alguns blogs que, quando você imprime o código de barras em impressoras jato de tinta, o leitor óptico tem problemas pra fazer a leitura porque as bordas não são definidas o sufiente. Mas, pra minha alegria, o aparelho lá na mão do cidadão deu um bip feliz e eu pude respirar aliviado. Então, acho que só se a impressora jato de tinta transformar o código de barras em borrão que dá problema.

Depois, mais espera na fila. Dali a mais um tempo, passaram duas funcionárias pedindo pra gente o comprovante do pagamento da taxa emitido pelo Citibank e a foto (que pode ser 5x5 ou 5x7). Grampearam isso no meu formulário junto com um cartãozinho laranja numerado e me devolveram tudo. Mais espera na fila. Depois de mais um tempinho, entendi o porque daquele vai-não-vai: a fila termina imediatamente antes da sala onde se faz a inspeção de segurança real. Ali dentro, você passa pelo detector de metais, coloca sua bolsa ou mochila na máquina de raio X e, se brincar, ganha uma mão boba do(a) segurança da embaixada.

Tudo certo, me devolveram minha mochila e abriram uma outra porta. Parecia o paraíso: depois da fila enorme lá fora, do calor infernal e do povo reclamando, me vi de repente numa área ampla, sem pessoas se acotovelando ou reclamando da vida, onde até soprava uma brisa revigorante. Segui para a esquerda e vi uma fila. Pensei logo: "ah, deve ser ali". Nada, era a fila da lanchonete. Eu havia esquecido todo o kit de sobrevivência (água, frutas, barras de cereal) em casa e fiquei tentado a comprar, mas a fila e os preços me desanimaram. Resolvi ir logo procurar o que devia fazer, já que não havia ninguém pra indicar. Segui algumas pessoas que estavam se dirigindo pra uma espécie de galpão coberto. No caminho, os sinais da batalha: um monte de gente sentada pelos cantos, encostada em árvores, vertendo as últimas gotas de água mineral da garrafa ou comendo coxinhas de aparência duvidosa. Continuei em frente, crente na ideia de que o atendimento expresso não me deixaria descer tanto.

E eis que adentro  galpão.

O pandemônio.

Literalmente centenas de pessoas estavam lá, sentadas ou em pé, algumas até quase deitadas no chão. Os bancos, obviamente, estavam todos tomados. Notei uma espécie de cordão de isolamento e entendi que era por ali que começava o calvário. Logo vi uma placa que informava os passos a seguir e então tive certeza. Segui o cordão e logo me vi em outra fila, mas pequenininha. Logo, um rapaz pediu meu passaporte e as folhas do agendamento, fez uma rápida conferência e me disse para pegar uma fila logo ao lado, me entregando uma senha em seguida. Agradeci e fui pra tal fila, também pequena. Vi que era para uns guichês onde se lia "pré-entrevista". Pensei: "é agora que eu vou passar todo mundo aqui e ganhar meu visto!". Nada. Depois de um tempinho de espera, fui atendimento num guichê por um rapaz profissinal, mas não muito simpático. Pediu meu passaporte atual, as folhas de confirmação de agendamento e do formulário e perguntou se era renovação. Falei que sim e ele perguntou se eu tinha tido outros vistos aprovados anteriormente. Respondi que sim e ele me pediu os passaportes anteriores. Entreguei os dois, ambos com vistos já vencidos, e ele ficou só com o passaporte vencido mais recente, além do atual, claro. Daí me disse para aguardar a chamada pela senha para a coleta das impressões digitais. Eu, meio estafado do calor e com dificuldade de entender o que o cidadão falava por conta da conversa acaorada do povo que estava lá sentado esperando há horas, não pesquei de imediato o que devia fazer e fiquei lá parado. O cara olhou pra minha cara e disse:

Funcinonário: "O senhor será chamado pela senha."

Eu: "Aham".

E fiquei lá. Foi só quando ele disse "pode sentar, senhor" é que eu entendi que minha parte ali tinha acabado. Fingi que estava arrumando uns documentos pra não ficar muito feio e daí fui pro meio dos civis. Nem pensei em encontrar um lugar pra sentar, porque com a multidão que estava aglomerada ali, imaginei que qualquer lugar que surgisse devia ser disputado a tapa. Enfim, me encostei numa pilastra e fui olhar os monitores que indicam as cenas. Quase chorei: havia pouco menos de 1000 números na minha frente. Sem relógio, eu só podia imaginar que já passava de meio-dia e que eu REALMENTE chegaria atrasado ao trabalho.

Para minha felicidade, não fiquei nem 15 minutos em pé. Uma senhora se levantou do meu lado e saiu. Dei uma rápida olhada em volta pra ver se não havia algum idoso, alguma gestante ou deficiente físico por perto e, assim que constatei que não, sentei no banquinho apertado. Logo baixei a cabeça pra não correr o risco de ver alguém que precisasse pra valer do assento. Sei que minha mãe não ficaria lá muito orgulhosa desse pensamento, mas, a essa altura, eu já estava desidratado. Minha boca estava seca e eu transpirava feito um porco antes do abate. O cansaço físico estava se instalando e por isso eu quis poupar o máximo de energia.

Mas, como tudo tem seu preço, eis que senta, do meu lado, uma mulher do tipo que quer ir pra Miami fazer compras e contar pras amigas, mas não quer ter de passar horas no consulado pra pegar o visto. Cristo, como reclamava aquela criatura! E o pior é que falava sozinha. Não estava se dirigindo a ninguém em particular, só a ela mesma, e em voz alta. Tudo entrou na dança: o calor, a demora, o galpão, a quantidade de documentos que pdem, a cor do papel que deram pra ela, o tamanho da letra dos monitores de senha... Eu fiquei bem quietinho, mas bem quietinho mesmo, porque se eu dissesse alguma coisa, com certeza seria colocado pra fora junto com a dita cuja. Procurei manter o que me restava ainda de compostura, fui conjugando verbos em francês na cabeça e tentei não avançar em toda garrafa de água mineral que passava na minha frente.

Alguém pode pensar: "pô, mas se tinha quase 1000 pessoas na sua frente, por que você não foi então comprar um lanche? Deixa de ser pão-duro!". Mas aí é que está a pegadinha: as senhas não são chamadas necessariamente na ordem. Pelo que foi explicado pelos funcionários do consulado (de tempos em tempos eles faziam alguns anúncios e repetiam instruções), depois que a gente entrega os passaportes no guichê de pré-entrevista, eles fazem uma verificação interna e vasculham um pouco da sua vida. À medida que esses procedimentos são concluídos, os passaportes são entregues para os agentes que fazem as coletas das digitais. Por conta disso, vi algumas pessoas perdendo a vez, provavelmente porque estavam na lanchonete ou fora do galpão, onde é mais fresco, achando que as senhas eram chamadas na ordem. Então, se alguém for lá, fique atento a isso!

Eu poderia usar vários adjetivos e me valer de construções poéticas pra dizer o quão difícil foi ficar esperando pela coleta das digitais. Mesmo sabendo que provavelmente gastaria algumas horas no consulado, eu não tinha previsto que ia deixar meu kit em casa (e que, portanto, teria que passar essas horas me alimentando de energia mística) e nem que o raio daquela mulher ia ficar falando durante cada segundo da minha estada ali. Em dado momento, só abaixei a cabeça e tapei os ouvidos, tentando lembrar como era a forma do passé composé do verbo battre. A voz da mulher, abafada, chegava aos meus ouvidos mais ou menos como a da professora do Charlie Brown no desenho do Snoopy. Depois de um tempo, já com dor nas costas por ficar curvado, tive que voltar à posição original e ao chororô daquela enviada do demo.

Fui me distraindo olhando as pessoas no galpão e tentando adivinhar o motivo que estava fazendo elas irem para os EUA. E, claro, olho o tempo todo no monitor de senhas. A mulher do meu lado finalmente baixou a cabeça, cruzou as mãos na nuca e ficou quieta. "Morreu", pensei, "graças a Odin!". Mas não, foi só uma pausa pra recarregar a bateria solar. Logo ela voltou a desfiar o terço dela.

Mas eis que, após quase duas horas com a garganta seca, suando em bicas e com os ouvidos pedindo misericórdia por conta da mulher (que, mesmo que tenha conseguido o visto, deve estar reclamando até agora), minha senha surge no monitor grande! Explico: há um monitor maior, no qual são mostrados os guichês que estão atendendo. Os guichês são numerados. No dia que eu fui, os guichês 1 a 3 faziam a pré-entrevista, o 4 estava vazio, os de 5 a 8 faziam a coleta das digitais e os de 9 ao infinito faziam a entrevista. Esses guichês são mostrados no monitor grande e, sob cada número, vem as senhas que serão atendidas em casa guichê. Por exemplo:

            5                          6                              7                         8
         2587                    2566                        2591                   3003
         2588                    2567                        2592                   3004
         2589                    2568                        2593                   3005
         2590                    2569                        2595                   3006

Como dá pra ver, parece que seguem a ordem, mas não é bem assim. Mas enfim, lá estava a minha senha, no guichê 8, então já dava pra me preparar para mais uma etapa da saga! Levantei e já procurei ficar perto do guichê que me atenderia. Como disse, há o monitor maior e, sobre cada guichê, há um monitor menor, que mostra a senha que está sendo atendida naquele momento (ou a que os funcionários querem atender, já que várias vezes eles têm de apertar o botãozinho do aviso sonoro pra fazer o povo prestar atenção na senha que está sendo chamada).

Finalmente, deixei a mulher chorando as pitangas dela e procurei deixar meus documentos à mão.

Fim da Parte II. Veja o final na Parte III.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

[OFF-TOPIC] Visto Americano - Parte I

Observação: dividi esse post para não ficar grande demais (e porque alguém aqui precisa trabalhar, né?).



Pois então. Eis que meu visto americano venceu em agosto último. Já sabendo que as coisas são beeeeeeeeem complicadas no consulado aqui em São Paulo (tirei as outras vezes na embaixada em Brasília, quando ainda morava lá, e era sempre tranquilo), uma semana depois já fui procurar as informações sobre como tirar o visto, já que sabia que haviam alterado algumas coisas.

Enfim, primeiro, paguei a taxa de R$ 38 pra poder ter acesso à página com as informações sobre o visto e a de agendamento da entrevista. Depois, respondi o questionário sobre qual o tipo do meu visto, qual o que eu iria tirar, se era renovação, se meu visto havia vencido há menos de um ano e por aí vai. Daí, pra minha surpresa, quando terminei tudo veio uma página pedindo pra eu escolher o dia e horário, e tinha vááááários dias e horários. Achei estranho, porque em todos os lugares leio que a espera pra entrevista é de três meses ou mais. Pra mim, já tinha pra semana seguinte. Mas, como ainda tinha que juntar a papelada, resolvi marcar para o fim de setembro, mais especificamente o dia 30.

Nesse meio tempo, fui juntando a documentação: declaração do meu trabalho, extratos bancários, comprovante de residência, o comprovante das minhas férias agendadas pro ano que vem, meus passaportes antigos e por aí vai. Em seguida, paguei a taxa no Citibank: 140 doletas, e pra minha "sorte", foi justamente na época em que o dólar começou a subir como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. Deu 252 legais. Daí fui atrás da foto, e o mais legal é que eu estava com terçol nos DOIS olhos. Basicamente, seria o Quasímodo (o corcunda de Notre-Dame) na foto.


Nesse meio tempo, fui preenchendo aos poucos o formulário DS-160, que é extremamente detalhista e - por que não? - engraçado. Pede pra você informar tudo sobre você e mais um pouco, e, no final, vem cheio de perguntas do tipo: "você pretende entrar com armas atômicas nos EUA?" ou "você faz parte de algum grupo organizado de tráfico de drogas e pretende exercer essa atividade nos EUA?". Sério, eu não sei a utilidade real disso. Deve ter alguma coisa nas leis deles ou no direito internacional dizendo que, se alguém responder "não" pra isso e depois for pego fazendo o que disse que NÃO ia fazer, terá a cabeça cortada sem direito a julgamento. Só pode.

O formulário é longo, mas não tem muito mistério. Muita gente (inclusive eu) fica um pouco insegura em relação a quais informações exatamente deve dar ou o nível de detalhe. Mas, por exemplo, na parte de contato nos EUA, eu informei só o nome do hotel no qual me hospedei na última vez que viajei pra lá. Não tive problemas.

E eis que chega o grande dia. Com o grande número de relatos de pessoas que descreviam o consulado americano como o Hades na Terra, achei melhor me preparar o máximo possível. Então, avisei minha chefe que muito provavelmente chegaria atrasado naquele dia, preparei um kit de sobrevivência (água, barras de cereal e frutas), conferi toda a papelada quinze vezes, retirei tudo que eu tinha de eletrônico da mochila (celular, pen drive, pilhas, reator nuclear e capacitor de fluxo), olhei o ônibus e o trajeto que teria que fazer e realizei um ritual pagão para que tudo desse certo. Ah, sim, detalhe: na página de confirmação, veio um texto dizendo que eu estava agendado para um tal "atendimento expresso" às 12h30, e que não precisaria de entrevista, embora o oficial consular pudesse requisitar uma se julgasse necessário. Daí pensei "ué, será que então eu não preciso levantar com as galinhas e chegar lá com olho remelento de sono, como todo mundo faz?". Procurei informações e relatos na internet, mas nada que realmente me esclarecesse. Isso, aliado à informação (também constante no formulário) de que eles não tinham espaço pra acomodar todo mundo e pediam pra não chegar com mais de meia hora de antecedência, me fizeram escolher nem tanto o céu, nem tanto a terra: me programei pra sair de casa às 09h00.

O que significa que saí quase às 10h00. Não sei como uma pessoa consegue enrolar tanto de manhã. Mas enfim, fui embora pro ponto de ônibus e, não demorou 10 minutos, lá veio meu transporte. O trajeto durou por volta de quarenta minutos. Desci no ponto indicado por São Google (eu estava com o guia de ruas de São Paulo na mochila. Quatro anos morando aqui e até hoje não me acostumei com nomes de ruas) e fui andando. A caminhada até o consulado deu por volta de 15 minutos. Cheguei lá e estava aquela visão de apocalipse zumbi: o povo grudado na grade, tentando pegar informações, outros entrando, outros tentando entrar, uma fila enorme lá dentro. Por acaso, escutei alguém falando sobre "atendimento expresso" e perguntei sobre o dito cujo. Me disseram que os agendados para o atendimento expresso só poderiam entrar a partir das 11h00. Eram 10h50.

Fim da parte I. Continue a ler na Parte II e na Parte III.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sai, pessimismo!

Estava lá eu, feliz e contente na minha aula de francês, quando o professor anuncia o intervalo. Todos saem da sala, menos eu e um colega, porque estávamos pregados após o dia de trabalho. Esse colega, para que fique bem claro, já passou pela etapa de Québec do processo (ou seja, já está com o CSQ), e está para começar a etapa federal. Pois bem, depois de alguns minutos, volta um outro colega. Após um instante no qual ele parou para prestar atenção, finalmente entendeu que estávamos falando do processo de imigração. Daí começou:

Colega do mal (sim, estou sendo tendencioso): "Ah, mas você vai pra lá empregado?"

Meu colega: "Infelizmente não. Eu entrei em contato com algumas empresas e elas mostraram interesse no meu currículo, mas nenhuma ofereceu emprego. Pelo menos, não ainda".

Colega do mal: "Claro, porque você precisa pagar pra trabalhar".

Eu: "Como assim? Tem que pagar pra fazer entrevista nas empresas?"

Colega do mal: "Não, não pra fazer entrevista. Mas você desembolsa uma grana violenta pra poder fazer o processo do Canadá. E eles pegam esse dinheiro pra bancar a previdência canadense, que tá sinking like a rock. Isso eles não falam. Aí eles fazem todo mundo pagar e falam que te dão uma 'oportunidade' de tentar trabalhar lá".

Eu: "Mas acho que todo mundo que se informa sobre o processo sabe que vai ter que gastar uma quantia considerável. Eles não escondem isso. E o que eles fazem depois com o dinheiro não chega a ser problema meu, acredito. É como comprar um aspirador de pó nas Casas Bahia e perguntar pro vendedor pra que ele vai usar o dinheiro, se é pra cachaça, pra comprar fraldas pro bebê..."

Colega do mal: "Sim, se você se informa sim. Mas e aí, você vai querer gastar o dinheiro que você juntou com anos de hard work e entregar ele pro Canadá fácil assim? Conheço algumas pessoas que são formadas em Harvard, tem Master's Degree na Alemanha e estão desempregadas há quatro anos".

Meu colega: "Nossa... mas por quê? Qual a área deles?"

Colega do mal: "São de várias áreas. Mas a verdade é que o Canadá não precisa de skilled worker nenhum. Esse projeto de imigração é uma grande enganação. Eles fazem tudo parecer lindo e perfeito, como um american movie, mas a coisa lá é beeeem diferente".

Eu:


Meu colega: "Sim, mas eles não dizem que vão arrumar emprego pra ninguém. Aliás, são bem claros quanto a isso. A pessoa vai sabendo que pode não encontrar área. E como é que eles usam o dinheiro pra bancar a previdência canadense? Apesar de a taxa ser um tanto salgada, eu não tô bem certo de que eles cobrem nem os gastos com os escritórios de imigração e as rodadas de palestras".

Colega do mal: "Eles não são tão claros assim como você tá dizendo. Muita gente vai pro Canadá e tem que começar a vida all over again, você sabia disso? Conheço muita gente que tá limpando o chão até hoje porque não conseguiu emprego na área. E o dinheiro que eles pegam com as taxas de imigração vão para ajudar os canadenes, não vão pra ajudar os immigrants".

Eu: 

Meu colega: "Tudo bem, mas quando você vai pra lá, você se torna um residente permaente. Não é exatamente a mesma coisa de ser um canadense nativo, mas é próximo".

Colega do mal: "Pffff. Você acha que eles vão dar um trabalho pra você ou pra um Canadian? Você tem que ser extremely qualificado pra poder conseguir alguma coisa. Eles preferem Canadians. Se eles não conseguem encontrar um Canadian pra preencher a vaga, aí eles vão atrás de europeus, porque a educação dos europeus é melhor do que a do Brasil. Só depois disso é que eles olham pros latino-americanos. Isso quando olham. Tenho muitos amigos que são da área de TI que não conseguem emprego porque são latinos".

Eu:


Meu colega: "Nossa, mas eu vejo tantos relatos de gente dizendo o contrário, tenho um amigo que inclusive...

Colega do mal: "E tem outra coisa: você nunca vai ter um amigo Canadian. Canadians só se misturam com Canadians. O Canadian só tem amigos Canadians. Você vai ter amigos brasileiros, colombianos, indianos... mas não Canadians. E os Canadians não te abraçam. Na época da swine flu então, tinha gente que apertava a sua mãe e já limpava com álcool em gel na sua frente. Os Canadians são muito individuaslistas. E o frio é muito grande. Imagina você andando no meio da rua a -56ºC. A comida Canadian também é horroro...

Eu (de saco cheio de ver o cara colocando palavras em inglês a cada vírgula): "Canadense".

Colega do mal: "Oi?"
Eu: Comida canadense. Você fez o processo de imigração?

Colega do mal (com cara de desprezo): "Não, não. Minha mãe é Canadian. Eu sou naturalizado. Trabalho lá e aqui. Vou ter que voltar pra lá em abril e já tô deprimido por isso".

Meu colega: "E por que você não fica aqui então? Você tem cidadania brasileira também, imagino".

Colega do mal: "Tenho, mas é que eu tenho vínculos lá. Tenho uma casa..."

Eu: "E não dá pra vender?"

Colega do mal: "Mas não é só isso. Tenho um namorada Canadian..."

Eu: "E ela não tá disposta a morar no Brasil, já que o Canadá é horrível?"

Finalmente, acho que ele começou a entender que eu já tava sendo irônico e me lançou um olhar como quem diz "não entendi vosso tom, meu bom homem". Mas aí outros colegas voltaram e o assunto basicamente morreu.

Enfim. Tenho como dizer que ele está certo? Não. Tenho como dizer que ele está errado? Também não. Tô no Brasil, não no Canadá. O que tenho são informações que coleto em listas de discussão, blogs e por aí vai. Mas, em suma, posso dizer que ele não me contou nenhuma novidade, salvo, talvez, a história de a imigração financiar a previdência canadense, que me pareceu mais uma suposição do que um fato. Em momento nenhum ele falou "vai no site tal do governo canadense e você vai ver a prestação de contas e tá lá, mostrando que o dinheiro que arrecadam com os processos de imigração banca a previdência canadense". Todos os exemplos que usou foi de um amigo, colega ou amigo de um amigo. Até aí, eu poderia também dizer "mas li num blog" e "alguém falou num tópico". E aí? Quem é que pode saber?

Dessa forma, acho que vale aquela regra básica: a gente lê e ouve muita coisa sobre o processo, antes, durante e depois dele. E sim, temos a tendência a focar só nos bons relatos e esquecer as pessoas que não deram certo lá. Daí muitas vezes criamos a ideia de que tudo vai ser perfeito, que vamos adentrar o paraíso assim que descermos no aeroporto de [insira aqui sua cidade canadense favorita]. Mas a maior parte, acredito, sabe que imigrar representa, na maioria das vezes, dar alguns passos pra trás ou até mesmo recomeçar do zero. Se as pessoas estão dispostas a fazer isso, aí é de cada um. Tem gente para as quais isso representa retrocesso, algo inadmissível. Outros trocam de área quando vão pro Canadá, fazem nova faculdade e começam de baixo. E aí? Como é que eu posso dizer pro outro o que é melhor ou pior pra ele, e ainda prever, como no caso que eu contei aqui, o que vai acontecer com uma pessoa que está no meio do processo?

Isso tudo é basicamente para dizer algo que nossas mães, nossas avós, nossos pais costumavam falar e às vezes a gente não escutava: temos que saber separar as coisas e nos informar. Conhecer os riscos pra poder, então, decidir se estamos dispostos a corrê-los. Se você se prepara para o pior, qualquer coisa acima disso já te parece um presente.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Menos outro atraso!

E finalmente, recebi a declaração do trabalho temporário como tradutor!! Tá lá, bonitinho, declarado que trabalhei como tradutor e revisor durante o ano de 2009. Fizeram até alguns elogios no texto! =D

O que falta agora é... começar. Tô tentando descobrir se a declaração de vínculo que o sistema do meu órgão público gera é suficiente como comprovante de emprego, já que no site do BIQ eles falam em declaração assinada e talz. Mas, fora isso, já dá pra começar a correr com a papelada pra dar entrada quem sabe ainda este mês! Uhhuuuu!!

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Última aula particular

Hoje tive a última aula particular de francês com minha professora québecoise. Foram pouco mais de quatro meses de muuuuuuuuita ralação: novo vocabulário, novas expressões, sotaque diferente e tudo mais. Mas foram bastante produtivos. Não vou cair na besteira de dizer se evoluí ou não, porque realmente não é o tipo de coisa que eu ache que posso avaliar, mas com certeza foi uma boa prática. A professora é bem tranquila, corrige realmente tudo que eu falava errado e me explicava as coisas novas com competência e clareza. É uma pena parar logo agora, mas o acúmulo de trabalho no fim do ano aliado às aulas que já tô fazendo na Aliança Francesa realmente não deixam muito espaço pra aula particular agora.

E teve surpresa no final! Eu lá, crente que ia ganhar, sei lá, um CD com músicas quebequenses ou algo do tipo, quando ela vira pra mim e fala:

Ela: "Então, eu combinei com a minha mãe pra vocês conversarem hoje pelo Skype. O que você acha?"

Eu (incrédulo, impassível, após um silêncio de uns 10 segundos): "O quê?"

Ela: "É, eu falei com a minha mãe que a gente ligaria pra ela hoje pelo Skype pra vocês conversarem um pouco. Aí você pode escutar alguém falando lá do Québec, com o sotaque de lá, numa situação diferente de uma sala de aula.. E aí? Você encara?"

Eu (com gota de suor de desenho japonês na testa): "Errr.. Sua mãe? Do Québec? Pelo Skype?"

Ela deu risada e acabou me dando um tempo pra pensar e disse que, se eu não me sentisse à vontade, a gente não precisaria fazer. Mas eu pensei que, no fim das contas, renderia no mínimo uma historiazinha pra contar. Então aceitei o desafio e, no finzinho da aula, ela ligou o Skype. A mãe dela foi suuuuuuuuuuper simpática, me fez perguntas sobre minha vida aqui, se eu planejo ir para o Québec, esse tipo de coisa. Eu respondi tudo, mas fiquei pasmo por ter entendido acho que uns 90% ou 95% do que ela disse. Claro, a gente não discutiu sobre a crise econômica na Europa nem sobre os novos direitos das mulheres na Arábia Saudita, mas foi uma situação (quase) espontânea, sem roteiro pré-definido e sem que eu tivesse que focar demais em utilisar o passé composé ou o futur simple, por exemplo. Acabamos conversando por uns quarenta minutos e, ao final, a senhora simpática disse que ficou surpresa porque eu falo muito bem francês.

Eu (sorriso Colgate): "Merci beaucoup!" *corre pra galera*



E foi isso. A professora me deu o certificado (54 horas pra somar às 156 que já tinha, totalizando 210), falei que volto assim que o trabalho estiver mais tranquilo e prometemos manter contato. No lado prático da coisa, já tenho mais que o mínimo recomendado em todas as palestras que fui até hoje e, em se tratando de papelada, falta basicamente a declaração do emprego anterior. Vamo que vamo!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Menos um atraso!

Pois é... devem ter lido o meu último post aqui lá na Aliança Francesa, porque eis que estou eu ontem no trabalho quando toca o meu celular. Era uma das secretárias dizendo que minha declaração estava pronta e eu já podia ir pegar! Fiquei em choque durante 10 segunddos, depois agradeci e desliguei.

E agora a declaração já está aqui comigo! Tá lá, bonitinho, 40 horas pra agregar às 116 que eu já tinha na outra escola, totalizando 156. Quando eu pegar a declaração com a professora particular, serão aproximadamente 200 horas. Acho que é o suficiente pra passar na entrevista, mais, je le sais, ainda muito pouco pra me virar no Québec. Mas uma coisa de cada vez! Agora, falta a declaração da professora e a do meu último emprego como tradutor.

Vamo que vamo!

sábado, 17 de setembro de 2011

Atrasos

Então... a minha ideia era dar entrada no processo, no máximo, até o fim deste mês. Maaaaaaaaas.. além dos pepinos do dia a dia ("Preciso que você mude seu horário pra cobrir o fulano", grita minha chefe no corredor, enquanto eu estou indo, digamos, devolver um pouco da água que bebi ao ecossistema), consegui marcar uma horinha pra renovar o visto americano no fim deste mês. Então, dá-lhe preencher formulários e juntar documentação. Fora isso, fiz a solicitação da declaração de horas cursadas na Aliança Francesa e eles me informaram que leva de 15 (!) a 20 (!) dias pra ficar pronta!! Fico imaginando se por acaso a declaração é escrita com ouro em pó, ou se quando você a abre ela canta Edith Piaf, ou ainda se é que nem aqueles jornais do Harry Potter, onde talvez a diretora pedagógica da EF apareça se mexendo, sorrindo e falando o número de horas que eu estudei lá. Vai entender.



E, pra completar, ainda não consegui a declaração da minha experiência como tradutor durante o ano de 2009. Já fiz o pedido, já recebi o "ok, vamos providenciar", mas o documento que é bom ainda nada. Eu resolvi mesmo que vou tentar imigrar como tradutor, então esse documento passa a ser algo muito importante pra mim. Mas enfim, nem vou pensar em ficar deseperado, porque as coisas seguem como devem seguir.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pra baixar a bola

O equilíbrio rege o universo! Quem me conhece sabe que eu não me acho nem um pouco. Eu adoro idiomas, fico feliz quando me elogiam por algum motivo (como no caso do post anterior), mas nunca fico achando que acabou o serviço ou que vou chegar e abalar Bangu. Mas, ainda que fosse assin, o universo trata de colocar tudo nos eixos, como logo abaixo ficará evidente.

Hoje tive aula particular com a minha professora québecoise. Após o rolo do início do ano com a escola mágica, resolvi fazer aula particular pra não ficar o semestre inteiro sem ter um contato mais direcionado com o francês. Então, eis que hoje, depois de termos chegado à conclusão que seria bom eu treinar mais o ouvido nessas últimas aulas que vamos ter, ela põe um vídeo pra eu assistir. Eu lá, todo empolgado, pronto pra me maravilhar e surpreender com a minha compreensão do trecho de um filme quebequense. Imaginaram isso? Agora imaginem um burrico olhando para um palácio. Pronto. Era eu. O povo falando ensandecidamente, e eu pegando um "en général" aqui, um "ça va bien?" ali. Uma gota de suor começa a escorrer pela têmpora esquerda. Devo ter ficado tenso e rígido como  fio de TV a cabo roubado, porque a professora olhava pra mim, olhava pro monitor, olhava pra mim e soltava um "tu comprends?" de vez em quando. Eu sorria aquele sorriso banguela.

No final, ficou evidente que compreendi em linhas gerais, mas que faltou bastante detalhe, e várias coisas passaram batidas. Então, trabalhamos um pouco em cima do vídeo e, na hora de eu ir embora, ela se despediu quase me consolando, dizendo "il faut pratiquer". E é verdade. Il faut mesmo.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Elogio de nativo!

Então, voltando um pouco para os posts mais, cotidianos, se é que posso chamar assim, eu tô fazendo um curso regular agora na Aliança Francesa. Por motivos vários, peguei uma turma que é só um dia por semana. A parte ruim é que o contato com o livro, a interação com outras pessoas aprendendo a língua e o peteleco na orelha quando esqueço de fazer biquinho acontecem só uma vez por semana. Mas isso é atenuado, em parte, por mim mesmo, já que procuro ler e ouvir um pouco de francês todo dia. A parte boa é que são quatro horas praticamente ininterruptas de francês na veia, o que já me fez até começar a pensar um pouco em francês - mas só depois de umas duas horas de aula direto hehehe.

Mas enfim, eu sou apaixonado por idiomas, já falei isso, e não teria problema em passar minha vida aprendendo todas as línguas do planeta... desde que me pagassem pra isso, claro. Afinal, amor (ou paixão, no caso) e uma cabana não fazem o meu estilo. Enfim, eu gosto realmente de me esforçar, de correr atrás, de entender por que se fala tal coisa em tal língua ou como se expressa determinada ideia em outra língua. Isso é natural pra mim, faz parte dos meus interesses. E é sempre bom quando não tô esperando nada e aí alguém que manja muito de uma língua chega pra mim e diz: "você fala muito bem!". 
 
E foi exatamente o que aconteceu ontem na aula! Meu professor - que é parisiense da gema - chegou pra mim na hora do intervalo e falou que eu já falo muito bem, que eu articulo muito bem as palavras e que não tenho sotaque português nenhum (acho que ele exagerou um tanto aí... afinal, aprendo francês há pouco mais de um ano, e sou brasileiro, então é meio difícil eu não ter sotaque NENHUM). Mas enfm, franceses não são exatamente conhecidos por dizerem pra estrangeiros que eles falam francês bem, então eu tendo a acreditar que ele falou a verdade hehehe. Fiquei mega-feliz e ainda mais motivado pra continuar os estudos! Já tô querendo até pagar de gostoso e comprar livro em francês hehehehe

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Moradia: 1 1/2, 2 1/2, 3 1/2...

Quem pretende imigrar pro Québec vai se deparar, em algum momento, com os famosos números que descrevem certos imóveis. É sempre estranho no início, mas depois a gente se habitua a ver e a falar de apartamentos 2 1/2, por exemplo.

Bom, em resumo (e espero que dessa vez eu não esqueça, porque ô coisinha que eu sempre deixo escapar): o primeiro número se refere ao número de cômodos do imóvel, enquanto o 1/2 é o banheiro. Ou seja, um 2 1/2 é um imóvel de 2 cômodos com banheiro; um 3 1/2 é um de três cômodos com banheiro e por aí vai. O uso que o pessoal faz do cômodo, claro, vai de cada um, como bem disse minha professora de francês, mas costuma-se especificar os inteiros e meios assim:

- 1 e 1/2: basicamente uma kitnet, ou seja, um cômodo que une quarto, sala e cozinha, e mais o banheiro;
- 2 e 1/2: cozinha e sala num espaço único, um quarto e mais o banheiro;
- 3 e 1/2: cozinha, sala, quarto e mais o banheiro;
- 4 e 1/2: cozinha, sala, dois quartos e mais o banheiro.

Depois de olhar alguns anúncios, a gente acostuma hehehe.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Convocação para entrevista - Nordeste

Como alguns já estão sabendo, o pessoal do Nordeste começou a receber a convocação para a entrevista. Pelo pouco que averiguei, ela acontecerá somente em Salvador (conforme já tinha sido falado antes). Ou seja, o pessoal que ficou aflito no primeiro semestre porque não haviam dado qualquer pista sobre as entrevistas no Nordeste pode ficar tranquilo =)

Lembrando que agora é a hora de ficar de olho no e-mail, principalmente na caixa de spam, porque a convocação pode estar lá, esperando junto com aquele e-mail que pede pra você ajudar um rico príncipe do Butão a se casar ou para ajudar as vítimas da avalanche na Latvéria (que só existe nos quadrinhos da Marvel).

Quanto a mim, tô juntando a documentação pra ver se mando tudo até o final desde mês!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

[Processo Via Québec] Entrevista

A entrevista é a etapa mais, digamos, temida do processo. Isso porque é nessa ocasião em que a maioria das pessoas pode não obter os valiosos pontinhos que o dossiê, por si só, não conseguiu agregar. Sim, claro que você pode mandar seu dossiê e receber uma cartinha de recusa, mas, pelo menos, não é um "não" direto na cara, e em geral vem com instruções para você remediar a situação. Na entrevista também há a possibilidade de "recurso", mas o "não" na cara é mais parecido com um soco no estômago.

Costumam dizer que, se você já foi pré-selecionado (ou seja, se já te convocaram pra entrevista), já tem chance de uns 80% a 90% de receber o CSQ. Basicamente, na entrevista, além de ter de mostrar todos os originais das cópias dos documentos que você enviou antes para abertura do processo, você terá também de mostrar o quanto você estava sendo honesto quando marcou lá no formulário que seu francês e inglês eram escandalosamente bons. A entrevista é toda conduzida em francês, e o inglês é utilizado em momentos estratégicos, para checar se o candidato realmente tem o nível que afirmou no formulário.

Um outro aspecto da entrevista, e um que pode ser de grande valia, é a possibilidade de você levar novos documentos que não enviou antes, seja porque não sabia que seriam úteis, seja porque só os obteve depois. Claro, não estou falando aqui dos documentos obrigatórios para a abertura do processo, pois esses, se não estiverem bonitinhos, vão te levar, no máximo, a receber uma cartinha do escritório de imigração falando que você não colocou o documento "x" e que se não enviá-lo dentro do prazo "y" seu dossiê será negado. Falo aqui, por exemplo, de um possível comprovante de viagem e estada no Québec (que você pode ter feito no meio-tempo entre  o envio do dossiê e o dia da entrevista, e que te darão alguns pontinhos), ou um contrato de trabalho que mostra melhor suas habilidades na profissão do que aquele que você enviou originalmente. Essas coisas, na hora da entrevista, podem contar muito a seu favor, principalmente se suas habilidades com as línguas não são lá aquelas coisas.

Depois da entrevista, um de três resultados é possível:

Aceitação: você fez tudo certinho, seguiu a cartilha direitinho e/ou tem a profissão em demanda e/ou manda muito bem no francês e/ou no inglês e/ou tem uma experiência profissional incrível, etc, etc, etc. Claro, tô exagerando um tanto. Não quer dizer que só pessoas incrivelmente capacitadas e fluentes conseguem o CSQ (pelo contrário). Na verdade, é o conjunto de fatores que vai determinar sua aceitação ou não. Se você for aceito, vai receber na hora (ou pelo correio, se a impressora der pau) o almejado CSQ, mais uma pá de folhetos e orientações para seguir. A partir daqui, já é possível dar entrada na parte federal do processo (muita gente já leva a documentação do federal pronta pra colocar no correio assim que receber o CSQ).

Recusa: o contrário do item anterior, se a palavra por si só não te diz nada. De novo, cada caso é um caso, mas, em geral, as pessoas que não conseguem atingir o mínimo de pontos necessários para ser aceitos (mesmo levando em conta os pontos que a entrevista pode dar, como no quesito "adaptabilidade") têm a solicitação recusada. Você recebe uma cartinha detalhando o que foi que não te deixou ser selecionado, e tem o prazo de 60 dias para apresentar algo novo que possa mudar a decisão inicial.

Intenção de recusa: esse caso é um tanto raro, pelo que eu li até hoje, mas trata-se em geral de pessoas que enviaram a cópia de um documento "x" no dossiê e, no dia da entrevista, esqueceram o original em casa. Apesar do nome, em geral basta que a pessoa forneça o que ficou faltando na entrevista para que o CSQ seja obtido. Claro, novamente há casos e casos, mas a maior parte, até onde eu vi, enquadra-se na ausência dos originais na hora da entrevista.

É fácil ver porque muita gente treme só de pensar na entrevista, já que é por meio dela que a gente pode conseguir os benditos pontinhos que faltam para sermos aceitos. Eu provavelmente serei um dos que não dorme direito à noite (ou passa a noite em branco mesmo) com medo do que vou ter que falar, se vou entender tudo o que me falam e por aí vai. Mas enfim, faz parte do pacote.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

[Processo Via Québec] Resultados Possíveis da Demanda

Depois que você preenche todos os formulários, anexos, anexos dos anexos e junta toda a papelada pra comprovar tudo que você escreveu nos formulários, deve mandar o pacotão da alegria pro escritório de imigração. Quando eles recebem e analisam seu dossiê, pode acontecer três coisas:

Primeira: você é tão bom, tão bom, que não precisa nem passar pela entrevista. Já consegue pontos mais que suficientes só com a documentação que mandou, não precisa comprovar mais do que já colocou no pacotão e por aí vai. Nesse caso, você recebe seu CSQ bonitinho, em casa, juntamente com todas as orientações para os passos seguintes no processo. Em geral, essas pessoas têm profissões em demanda e/ou níveis bem altos de conhecimento do idioma (comprovados por diplomas específicos). Não preciso nem dizer que essa não é a regra, né? A maioria do pessoal não é selecionada assim.

Segunda: você esqueceu de colocar algum documento importante ou deu uma de joão sem braço e tentou mandar o dossiê sem alguma comprovação, achando que não ia ter problema. Nesse caso, você recebe uma cartinha super-educada, informando que você tem 60 dias para mandar o que ficou faltando ou a comprovação de algo que você afirmou, mas não pôde provar. Caso não mande o que faltou dentro do prazo, sua demanda é recusada e você só pode recorrer em determinados casos. Ou seja, no geral, é preciso começar o processo do zero novamente.

Terceira: isso aqui é o que acontece com a maioria das pessoas. Você mandou tudo certinho, não faltou nenhuma comprovação, mas os pontos que você consegue pelo exame do dossiê não te deixam numa posição exatamente segura. Nesse caso, você é convocado para uma entrevista. Nela, além de levar toda a documentação original do que você mandou antes, você pode levar algo que possa te garantir mais pontos (por exemplo, pode ser que, entre o envio dos documentos e a entrevista você tenha passado um mês no Québec, e isso te dá alguns pontos). Além disso, vai ter que mostrar que tem o francês e o inglês que disse ter no formulário, já que a entrevista se dá nessas línguas (principalmente em francês).

Enfim, pra não ter surpresas, é bom se preparar, juntando toda a documentação direitinho, conferir umas três vezes e mandar já se preparando pra entrevista. Se ela não for necessária, daí é só alegria, mas melhor mandar a documentação já preparado pra fazer biquinho, né?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

[Processo Via Québec] Tabela de Pontos e de Diplomas

Como já comentei aqui antes, o processo de imigração do Québec leva em conta uma série de fatores, como idade, experiência profissional, domínio de idiomas e formação. O teste de avaliação online é uma ferramenta que já permite que você saiba suas chances de ser aprovado, mas muitas vezes a gente fica em dúvida sobre certas questões, que são um pouco subjetivas (caso dos idiomas: nem sempre pelo fato de você estar no nível intermediário da sua escola você tem realmente habilidades intermediárias na língua) ou um tanto diferentes devido a diferenças culturais (caso dos diplomas escolares).

Pra tentar jogar uma luz em alguns desses aspectos, seguem duas tabelas importantes: a primeira é a grade de pontuação, que lista os pontos conferidos a cada fator analisado quando você faz o pedido de imigração. Dá pra se ter uma ideia melhor de quantos pontos você provavelmente tem, se está sobrando ou faltando, e em que área você poderia investir pra se garantir.


A segunda tabela é a de compração entre os diplomas do Québec e do Brasil, com a respectiva pontuação de acordo com a grade anterior. A gente encontra muita informação desencontrada sobre esse assunto em blogs e sites, até porque as pessoas têm diferentes formações e às vezes usam o próprio caso como regra geral. Então, nada melhor que um documento fornecido pelo próprio governo do Québec que estabelece que X no Brasil é igual a Y por lá.


Por essa tabela, ganho 10 pontinhos no quesito "formação", sem levar em conta o domínio, que me garante mais 6 pontinhos, pelo que vi.

Lembrando que essas tabelas passaram a vigorar em 14 de outubro de 2009 e podem mudar ainda este ano.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

De volta!

Olha... eu não sou do tipo que abomina computador, que chega em casa e nem quer saber do bichinho... pelo contrário! Eu trabalho o dia todo na frente do computador e, quando chego em casa, após o banho e o jantar, ligo o meu fiel companheiro na mesma hora! Hehehe não chego a ter crise de abstinência nem nada, mas é um tanto complicado quando você quer pesquisar e estudar e depende desse troço aqui.

Enfim, a minha placa de vídeo foi desta para um ferro-velho melhor e eu demorei um tempinho pra (1) descobrir que o problema era esse e (2) decidir qual placa comprar. Nessa brincadeira, foram-se três semanas. O pior foi ter ficado praticamente sem ter como pesquisar, já que no trabalho as coisas estavam pegando fogo e eu tinha pouquíssimo tempo disponível pra ficar vagabundando na internet (leia-se "entrar em sites oficiais, blogs e comunidades relacionadas à imigração pro Québec").

Mas, se a placa tinha que queimar, foi em uma boa hora. Nesse meio tempo, fiz um intensivo de férias na Aliança Francesa, o que me deu 40 horinhas preciosas. Somando as horas do IFESP, das aulas particulares e da Aliança, tenho mais ou menos 180 horas de francês, o que já é mais que o mínimo exigido pelo processo. Tô correndo agora atrás do Certificado de Conclusão do 2º Grau (é, na minha época ainda era 2º grau) e do histórico escolar, mas já tá meio caminho andado.

É isso, esse post é só pra retomar os trabalhos e dar uma leve atualizada. Espero que daqui em diante não haja mais interrupções desse quilate hehehe.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sem computador...

Olá, gente. Meu sumiço não é desânimo. Tô sem computador em casa, o que dificulta imensamente tanto pesquisar como postar. Por enquanto, só consigo fazer isso no trabalho, e essas semanas têm sido bem complicadas, já que tô acumulando três funções devido a afastamentos de colegas. Tão logo isso acabe, estarei de volta.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

[Processo Via Québec] Custos do Processo

Como nada é de graça nessa vida, o processo de imigração também exige que desembolsemos uma quantia considerável antes, durante e depois das principais etapas. São eles:


  • Parte do Québec: paga quando do envio da solicitação do CSQ. O requererente principal precisa pagar CA$ 395,00. Se for acompanhado de seu(a) digníssimo(a) esposo(a) ou cônjuge de fato, este deve pagar CA$ 152,00. Cada herdeiro também vale CA$ 152,00, e isso estranhamente me lembra o Jogo da Vida;
  • Parte Federal: paga após o recebimento do CSQ e envio da documentação para a etapa federal (CA$550,00 para a abertura do processo. Depois, mais CA$ 490,00 de taxa de direito à residência permanente - obrigadão à Rosi, que indicou o link certo nos comentários!);
  • Valor mínimo para despesas iniciais no Canadá: como parte do processo, é exigida de todo imigrante uma quantia mínima para bancar os primeiros gastos em solo canadense. O valor para um adulto é de CA$ 2.800,00; para o casal é de CA$ 4.106,00. Cada rebento também faz esse valor aumentar, por isso é bom conferir aqui.

IMPORTANTE: os valores apresentados aqui são os que constam no site do escritório de imigração nesta data, mas não vão permanecer as mesmas para todo o sempre, amém. Por isso, é bom conferir no link ao final do post.

Além disso, dependendo do caso, há taxas relativas à tradução de documentos, equiparação de estudos e outros pontos que compõem uma boa planilha de gastos. Aliás, vale lembrar que essa quantia mínima exigida pelo processo é REALMENTE mínima: como ninguém sabe quando vai arrumar emprego e quanto vai ganhar, quanto mais dinheiro na conta, tanto menor o aperto depois na hora de procurar emprego e pagar as contas.

No meu caso, o de adulto solteiro sem filhos, é o mais mínimo do mínimo. Até tenho alguém pra ir comigo, mas não moramos juntos nem nada, e por enquanto nosso relacionamento tá bom assim, então ambos vão fazer o processo separadamente. Se a coisa apertar, aí a gente pensa em correr pro cartório hehehe.