quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Mudança com emoção

Faltando menos de uma semana (e contando!) para a minha mudança para Brasília, as coisas tinham que começar a acontecer, né? Vendi cama, geladeira, forno de micro-ondas, televisão tubo de 29 polegadas (aquele monstro pesado, estilo Parque dos Dinossauros pros dias de hoje), DVD e uma cadeira de escritório pra um amigo meu. Eu já não tinha mesa, agora não tenho nem cadeira. Digito estas linhas sentado numa escadinha de três degraus prestes a ruir.

Negócio fechado, e o primeiro problema: nem eu, nem meu amigo temos carro. Ok, vamos chamar alguém que faça transporte ou mudança. Conhece alguém? Não, e eu também não. Vamos procurando nas ruas, sempre passam esses caminhõezinhos ou kombis que fazem carreto, não deve ser tão complicado. Só que Murphy (o da Lei) está sempre à espreita: quatro dias da semana passada mais um dia no fim de semana e, aparentemente, todo mundo tinha ido pro Encontro Anual do Carreto, porque não é possível! Encontrei só UM, no sábado, e disse que poderia fazer, sim, se não fosse na quarta. Segundo problema: eu estaria fora na segunda e na terça (irmã casando, felicidades, maninha!), e a proprietária do local onde meu amigo mora viajaria na QUINTA DE MANHÃ e só voltaria na terça da próxima semana, quando eu, teoricamente, estarei deitado em berço esplêndido na casa dos meus pais em Brasília. Então, não poderíamos fazer a mudança sem a proprietária no local, o que só nos deixaria justamente - tcharam! - com a quarta-feira.

Mesmo com a aparente impossibilidade, mantive o telefone do cara no celular porque poderíamos tentar agendar tudo pra bem cedo na quarta, se não aparecesse opção melhor. E esse "bem cedo" era o terceiro problema, pois meu amigo está trabalhando e só poderia ficar até umas 10 horas da manhã pra ajudar, se fosse necessário. Enfim, consegui indicação de um senhor que faz esses transportes, cobrou mais barato que o anterior e disse que tinha carrinho, espuma pra proteger os móveis e todo o kit do bom carreto. Falei com o meu amigo, ele topou e agendamos para quarta-feira. Hoje. Às 9 da manhã.



Agoniado como sou, já estava acordando e dormindo desde às 5:30 da manhã. Às 7:15, resolvi levantar de vez e começar a ajeitar as coisas. Às 8:30, liga o véio do transporte, pergunta se tem lugar pra estacionar no prédio, passo as orientações, pergunto se está chegando. Ele grunhiu alguma coisa que não entendi, mas que aceitei como um "sim". Liguei pro meu amigo e falei "corre pra cá que o ômi tá chegando!". Ele correu, chegou depois das 9 e o cara ainda não tinha aparecido. Deu 9:15, nada; 9:30, nada; 9:45 nada. "É essa beleza desse trânsito paulistano", pensei. Deu 10 horas e nada, 10:15 e nada também. Meu amigo teve que ir para não se atrasar pro trabalho. E fiquei eu, de camiseta, bermuda e tênis, todo paramentado de assistente de mudança, esperando uma kombi que não vinha.

Tentei ligar várias vezes pro dito cujo e não consegui. Dava caixa postal sempre. Comecei a pensar nos problemas que isso me causaria e a agonia aumentou. Liguei pro meu amigo e pedi pra ele ver com a proprietária se ela autorizaria que eu fizesse a mudança. Ela autorizou. Corri, encontrei com ele, peguei a chave. Voltei pro prédio. No caminho, aleluia! Um caminhãozinho de transporte parado perto da minha rua. Anotei o número e corri pro prédio. "Veio alguém fazer carreto aqui?", perguntei na portaria. "Não". Ótimo.

Eu ainda tinha esperança. Entrei em contato com a pessoa que me indicou (depois de vááááárias tentativas; Murphy tava virado no cão hoje) e ela disse que era muito estranho isso porque o cara nunca falta, cumpre os horários, é meio lento, mas faz o trabalho direitinho e não deixaria de ligar se tivesse algum imprevisto. "Só que ele é bem velhinho, e tá muito gordo, a saúde tá ruim", informou. "Pronto. Matei o homem. Chamei pra fazer a mudança e ele infartou no meio do caminho".



A pessoa que me indicou disse que ia tentar descobrir o que tinha acontecido, porque conhecia uns parentes do cara, e me ligaria depois. Nisso, já tava dando uma hora da tarde. Ainda esperei mais um pouco (a esperança é a última, né?), mas chegou uma hora que não deu mais: liguei pro número que tinha anotado e - soem os tambores! - o cara estava livre; e - soltem os fogos! - ele estava na frente do meu prédio tomando um café; e ainda - cantem o hino! - me cobraria o mesmo que o que sumiu. Fechei na hora e já desci.

Corta pra mim, levantando geladeira, arrastando cama, amarrando televisão em carrinho de mudança e ajudando o dono do carreto (que trabalha sozinho) a carregar tudo. A sorte é que eu não sou 100% sedentário (só uns 80%), então não morri fazendo esforço. Além disso, a vontade de que o negócio desse certo e terminasse logo era maior que qualquer dor de veado que pudesse aparecer naquela hora. Tudo carregado, toca pra casa do meu amigo. "Acho que vou conseguir respirar aliviado", pensei.

Mas não. Chegando lá, toquei a campainha pra avisar a proprietária e pedir pra ela tirar o carro da garagem pra eu e o moço passarmos com as coisas. E cadê que ela estava em casa? Mesmo o meu amigo tendo deixado-a avisada de que chegaria mudança, a tia resolve ir dar uma volta JUSTO na hora em que eu chego com as coisas? Toquei, esperei, tentei falar com o meu amigo e nada. Daí pesei, avaliei, ponderei e resolvi: tinha ido até lá, não ia voltar, né? Abri o portão, medi a distância entre a parede e o carro e falei pro tio do carreto que a gente teria que ser MUITO cuidadosos, mas que dava pra passar.



Fast forward pro momento em que estamos levando a ÚLTIMA peça. De dentro da casa, sai um homem (o marido da proprietária, imaginei), com cara de poucos amigos, olha pra gente, volta pra dentro da casa, volta com a chave do carro e resolve chegar o bólido mais pra lá. Quase bati palmas!! Sério, na boa que o senhor estava babando no sofá lá dentro enquanto eu tocava a campainha como se tivesse tirando leite da vaca, seu cachorro se esgoelava avisando que tinha gente no portão, e agora, AGORA, o senhor vem tirar seu carro?? (Nota: isso aconteceu num universo alternativo. Neste universo aqui, eu só pensei isso tudo, mas não disse nada).

Enfim, final feliz. Tudo foi colocado na casa do meu amigo, o tio do caminhão ficou feliz porque dei uma gorjeta (é que ele não sabe como ele salvou meu dia!), eu fiquei aliviado em ver o apartamento começando a ficar vazio. E sexta tem mais: é o dia em que vão vir retirar as doações.

E ainda não sei o que houve com o tio que sumiu. Será que infartou mesmo, coitado?

À bientôt!



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Último dia de trabalho

Este é uma daquelas postagens que têm de ser escritas no calor do momento. Se não, o cérebro entra em ação, pesa, mede, avalia, quantifica tudo, e aí não sobra muito o que sentir. Então lá vai.

O ser humano pode ser bem engraçado - no sentido de curioso, esquisito, estranho. Eu passei o último ano inteiro e boa parte dos anos anteriores pensando no dia de hoje: o dia em que, finalmente, deixaria o serviço público e iniciaria uma nova etapa na minha vida. Ansiei por isso, lutei por isso, baixei até um aplicativo de celular que me mostrava quantos dias, horas, minutos e segundos faltava para esse dia chegar. E aí, ele chegou. E fiquei triste.

Talvez porque toda despedida seja triste, ou talvez porque, embora não fosse segredo que haveria uma festinha de despedida, eu não esperasse ouvir tantas coisas legais a meu respeito, como pessoa e como profissional, e muito menos que algumas lágrimas descessem pelos rostos de algumas pessoas. Colegas de trabalho vieram, inclusive de outros setores, me abraçaram, me desejaram toda a sorte do mundo, me parabenizaram pela minha coragem. Falaram que vão sentir minha falta. Lembraram coisas engraçadas que eu disse em algum momento. Me abraçaram de novo. Me deram presentinhos (um par de havaianas com as cores do Brasil, que é pra "matar a saudade da terrinha" quando eu estiver lá no norte gelado, e um guia Lonely Planet do Canadá, que é pra eu não me perder e lembrar que Montreal fica no leste e Vancouver no oeste - piadinha interna porque eu sou péssimo com pontos cardeais). Agradeceram minha ajuda. Pediram pra não sumir, pra escrever, pra atualizar o Facebook para eles poderem acompanhar a jornada. Me abraçaram de novo e se foram.

E eu ali, tendo consciência de que, muito provavelmente, estaria vendo cada um deles pela última vez. Vou embora de São Paulo sem ter feito um único amigo de verdade, daqueles com os quais você pode contar e que carrega para a vida toda. Mas, embora não tenham se tornado meus amigos de verdade, meus colegas de trabalho foram as pessoas com quem mais convivi nesses quase sete anos de São Paulo. A gente estava ali, todos os dias, unidos basicamente pelo trabalho, concorrendo para os objetivos do trabalho, ficando irritados juntos por causa do trabalho, prometendo que íamos largar aquilo tudo um dia. Então, não há como negar que fizeram parte da minha vida durante todos esses anos. Tenho total consciência de que vamos nos perder em algum momento. Não é pessimismo ou a tristeza falando: já estou neste planeta há tempo suficiente pra entender que a gente sempre sabe, de forma semi-consciente, quem vai ficar e quem não vai. E eu sei que eles não vão. Vamos manter contato neste início, talvez me escrevam quando eu me mudar, perguntem como está indo. Mas isso vai ficar para trás rápido.

Ainda assim, eles são as pessoas de quem me lembrarei quando pensar na época em que morei em em São Paulo. E, por toda a convivência, pelas risadas que demos no trabalho, pela ajuda mútua lá dentro, pelo apoio durante os perrengues que passamos juntos, pela compreensão na hora da revolta com o serviço público e a vontade de ir embora, eu sou e sempre serei grato a todos os meus colegas de trabalho. Não fosse por eles, eu já teria chutado o balde há muito tempo.

E agora é tempo de olhar pra frente.

À bientôt!

P.S.: mas do trabalho em si, ah, desse eu não vou sentir falta alguma!! Serviço público dos infernos!



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Estudar francês: opções

Como já escrito e repetido anteriormente, eu estou, no atual alinhamento planetário, bastante inclinado, motivado, empolgado, segura coração ou eu infarto com uma possível volta aos estudos. Além de melhorar os idiomas, acho que pode ser uma forma muito legal e menos traumática de ir me inserindo na cultura e na sociedade quebeca. Pancada eu vou levar de todo jeito, mas se puder ser com carinho, por que não, né?

Falando em quebeca.. estou indo para Montreal, como já deve ter sido divulgado no Diário Oficial da União de tanto que pessoas aleatórias hoje em dia aparecem na minha frente e dizem: "Fiquei sabendo que você está indo pro Canadá!". E, se estou indo para Montreal, pretendo - e devo! - melhorar muito meu inglês e meu francês. Na minha entrevista de imigração, naquele inesquecível 13 de março de 2013, a entrevistadora perguntou qual idioma eu falava melhor. Eu falei a verdade: meu inglês é muito melhor que o meu francês. Isso não quer dizer que eu seja excepcionalmente bom em inglês - aliás, sou da opinião de que a gente nunca é bom pra se auto-avaliar nesse quesito. Então, eu pretendo, sim, dar uma requentada no inglês, mas quero fazer meu francês melhorar muito, perder o sotaque, soar como um nativo, usar gírias, engolir letras e palavras inteiras e até falar palavrão quebequense!




Empolgado? Imagina.

Bom, comecei a fazer a minha pesquisa de cursos recentemente, e eis as possibilidades que levantei até agora.


Curso de francês do governo

Carinhosamente chamada de "francisação" (vocábulo inexistente na língua portuguesa, mas que eu aceito muito mais facilmente do que traduzir "apply" por "aplicar"), é o escolhido de 9 em cada 10 imigrantes brasileiros. Razões? Financeiras, em geral. Imigrante recém-chegado quer é economizar, e o curso de francês ministrado pelo governo do Québec é gratuito. E não é só isso! Você ainda recebe para ir estudar, desde que alguns pré-requisitos sejam atendidos. Ou seja, você estuda a língua local oficial e ainda ganha uma graninha para se dedicar. A bolsa, atualmente, é de 115 moedas de ouro canadenses por semana, e alguns outros fatores podem fazê-la subir um pouquinho. Então você aí, que estava pensando que ia morar no plateau, num amplo 5 1/2, ter dois carros e um patinete na garagem, e almoçar sushi todo dia só com a bolsa do governo, sinto estilhaçar seus sonhos, mas não rola. A bolsa ajuda, mas você vai precisar da sua reserva financeira.

Essa foi a parte boa. A parte ruim - se é que dá pra chamar assim - é que a qualidade dos cursos de francisação varia muito. Dependendo do lugar onde a pessoa faz o curso (o Ministério da Imigração tem convênio com diversas escolas), dependendo do professor e - por que não? - do próprio aluno, a qualidade aparentemente oscila muito. Já vi gente muito satisfeita, mas já vi muita gente tentando trocar de escola a todo custo. A priori, você não escolhe o lugar onde vai estudar; é o Ministério que faz isso, tendo por base o local onde você mora. Já vi um ou dois casos de pessoas que conseguiram mudar, mas isso parece ser a exceção, não a regra (mas fique à vontade para me contradizer nos comentários. Afinal, ainda estou no Brasil).

Segundo os relatos também, a francisação é mais voltada para a integração sócio-cultural do que para a língua em si. Para não ficar esquisito: você estuda o idioma sim, claro, mas uma das formas mais utilizadas para te ensinar a língua de Molière é te apresentar a cultura e a sociedade quebequense. Obviamente, se você puder ter o combo idioma + sociedade local + cultura local + cobertura extra por mais 1 real, é excelente! Mas algumas opiniões que chegaram até mim reclamam justamente de que, em alguns níveis, você tem mais cultura e menos língua.

Outro problema é que a francisação tem datas bem específicas para começar. Tanto é que muitos brazucas tentam chegar lá em Montreal a tempo de fazer a inscrição para uma data específica e evitar as longas filas de espera. Casos de 3 ou mesmo 6 meses até conseguir uma vaga não são tão incomuns assim. E nem sempre a gente está disposto a chegar lá e ficar esse tempo todo ocioso, academicamente falando.

Mais sobre a francisação do governo aqui (em francês).


Comissão escolar


A primeira alternativa à francisação do governo é, geralmente, correr atrás de um curso oferecido pela Comission Scolaire de Montréal. Aqui, a sopa de minhoca não é tão farta: você não recebe bolsa alguma; na verdade, tem de pagar para estudar mesmo. Mas, ainda assim, é um preço quase simbólico, em torno de 50 moedas de ouro canadenses. Um material didático aqui, uma carteirinha estudantil ali podem fazer o valor subir um pouco. Mas há locais em que, após você cursar o primeiro nível, consegue cursar os seguintes por apenas 10 ou 15 moedas de ouro canadenses. Não parece tão ruim, né?

As opiniões quanto à qualidade são mais uniformes: embora existam aqueles que digam que não estão gostando, a maioria dos que optaram por esse tipo de curso parece satisfeita. Opinião, obviamente, é de cada um, pessoal e instransferível, mas ter menos variantes do que a francisação do governo pode ser um bom indicador. Acho que o fato de você poder escolher a escola em que vai estudar (em vez de ter uma imposta a você, como acontece na francisação) também ajuda a boa vontade do povo, que pode ir atrás de relatos de pessoas que já estudaram nesta ou naquela escola e aí tomar uma decisão mais embasada.

Para quem quiser ler mais, vá até a página da Comission Scolaire de Montréal.



Universidade de Montreal

Aqui, a coisa pode ficar mais séria. A Universidade de Montreal oferece cursos de francês para não-francófonos, por meio da Escola de Idiomas deles. Eles têm vários módulos: francês oral, escrito, intensivo, conversação e lá vai o bonde. E, se você tiver vontade mesmo, eles oferecem o Certificado de Francês como Segunda Língua, que é um programa de 30 créditos (o que, num mundo ideal, equivale a um ano de estudos) e que dá direito a uma certificação da própria universidade.

Contudo, não dá pra começar sem saber nem conjugar o verbo être no presente: o estudante já tem de ter uma base. O teste de nivelamento pode recomendar que o aluno estude francês por fora (na própria universidade ou outro lugar) antes de se meter a besta com o certificado. Uma vez inscrito no programa do certificado, você pode escolher as disciplinas que quiser cursar a partir de uma lista grandinha, e deve concluir 10 disciplinas para fazer jus ao certificado (lembra a aula da tia Teteca na 3ª série? 3 x 10 = 30, ou seja, cada disciplina vale 3 créditos). Você pode optar por fazer em tempo integral (12 ou mais créditos por semeste) ou em tempo parcial (menos de 12 créditos por semestre).

E de quanto estamos falando? Bom, isso pode ser um pouco confuso. A Universidade de Montreal estabelece que cada crédito custa por volta de 75 moedas de ouro canadenses. Então, uma disciplina de 3 créditos custaria por volta de 225. A Escola de Línguas diz que pode haver taxas suplementares para certos cursos, que variam de 25 a 390 (!) moedas de ouro. Já a página do certificado diz que o ano escolar custa 2.224 moedas de ouro, o que bate mais ou menos com a matemática de 30 (créditos) x 75 (valor do crédito) - mas talvez eu precise falar com a tia Teteca novamente. Ah, mas há a possibilidade de conseguir ajuda financeira pelo programa de prêt et bourses do governo!

Ficou com vontade? Veja aqui a página da Escola de Línguas da UdeM e a do Certificado de Francês como Segunda Língua.

Outras universidades, como a McGill, UQAM e Concordia também possuem cursos e/ou certificados de francês. Peguei a da Universidade de Montreal porque foi a única de que tive opiniões até o momento, e ainda assim, não foram muitas. Mas os poucos que me relataram disseram ter adorado o curso.



E o que eu vou fazer?

Posso responder depois? Hehehe. Na verdade, sendo bem sincero, ainda não dá pra tomar uma decisão. Eu fiquei muito empolgado com o certificado da Universidade de Montreal, como bom espírito universitário que sou, mas o bolso pesaria mais. Sem falar que, até o momento, se eu for fazer uma nova graduação, provavelmente será em inglês, e eu teria que dar mais ênfase na língua de Shakespeare que na de Molière no primeiro ano. Então, talvez eu possa fazer o curso de francês em tempo parcial enquanto me dedico de forma mais integral, digamos assim, ao inglês. Nem sei se seria possível ou se meu cérebro iria se liquefazer antes de seis meses, e eu também teria de saber em que nível eu cairia pra poder ter uma visão mais clara do que vale a pena ou não.

A conclusão é que, pra variar, há várias opções, para todos os gostos e bolsos. Fosse eu rico e/ou tivesse todo o tempo do mundo, faria o certificado da Universidade de Montreal sem pestanejar. Mas não sou nem uma coisa, nem outra, então terei que dosar a vontade e ver qual o melhor custo benefício.

E você aí, fez ou vai fazer o quê? Troquemos figurinhas!

À bientôt!




segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Escolhendo o caminho a seguir - Parte 2

Continuando o post anterior (que você pode ler clicando aqui).

Voltar a estudar é uma coisa que nem passa pela cabeça de boa parte dos candidatos à emigração. Num mundo ideal, (quase) todo mundo quer chegar lá no Canadá, se instalar, mandar currículos, ser contratado no primeiro mês e ganhar bem o suficiente para soltar um "ufa!" de alívio e tirar 580 Kg das costas. Mas, se você ainda não sabe, nem sempre isso acontece, e nem tudo são flores.

Quem tem profissões regulamentadas e cujos requisitos não são exatamente de fácil digestão como sopa de minhoca sabe que voltar aos estudos é quase uma obrigação. Muitos profissionais da saúde, para poderem atuar de fato na profissão, precisam fazer ou refazer algumas disciplinas da faculdade ou até o curso inteiro, dependendo do caso. Então, a imigração para o Canadá já vem acompanhada de uma matrícula em algum curso - e esse curso pode durar alguns anos. Outros, contudo, não precisariam, em tese, passar por novos estudos, mas, na prática, acabam não conseguindo escapar. É o caso, por exemplo, de quem chega lá com uma boa experiência na bagagem, mas que não é imediatamente transferível para a realidade canadense. A pessoa não consegue emprego não por não ser qualificada, mas por faltar um know-how específico que você aprende, idealmente, em um primeiro emprego ou, na falta deste, fazendo um curso.

Trazendo essa papagaiada para a minha situação: como já falei antes, eu sou da área de línguas estrangeiras e tradução. Trabalhei anos no serviço público em quase nada relacionado à minha área. Quais as chances que eu teria de trabalhar em uma grande empresa de tradução, passando documentos, filmes ou o que seja do inglês para o francês ou vice-versa, sem experiência recente nessas duas línguas, sem experiência no Canadá, sem nem referências por lá? Embora nada seja impossível nessa vida, vamos concordar que as chances não seriam lá muito elevadas, né? Entre nativos que crescem falando os dois idiomas, que conhecem a cultura quebequense (e canadense) por dentro, e um recém-imigrado que ainda está em frase de aprendizado pelo menos em um dos idiomas e que não conhece quase nada da cultura local (tradução não é só "passar de uma língua pra outra", se me permitem a doutrinação), quem vocês acham que as empresas vão escolher? Não é uma questão de me diminuir. Eu sei o quanto gosto de línguas estrangeiras, sei que posso aprender rápido, mas sei que será difícil arrumar algo na minha área de saída sem ter muito a oferecer como garantia. Como disse no post anterior, tenho até algumas opções para tentar entrar no jogo logo de cara, mas ainda estou tentando resolver se compensaria.

Então, pensei: por que não utilizar esse primeiro ano, em que tudo é bonito, novo e diferente, para aprimorar meus conhecimentos no inglês e no francês sem o desespero da busca por um emprego? "Por causa da grana", diria alguém, e é um motivo justo. Mas acho que o que eu juntei para ir para Montreal daria para cobrir as despesas com o dia a dia de estudante pobre e as taxas dos cursos. Daí eu poderia realmente competir no mercado de trabalho tendo em mãos certificados e um pouco de vivência. Obviamente, a experiência em relação à área ainda seria um obstáculo a superar, mas, pelo menos, eu chegaria ao mercado com mais armas do que tenho agora. E, quem sabe, as empresas sorriam pra mim?

Outra opção - ainda ligada a estudos - é voltar para a universidade mesmo: fazer um mestrado ou chutar o balde mesmo e fazer uma nova graduação. Ainda estou considerando a possibilidade. A vontade é forte, tenho feito pesquisas há um ano a respeito, mas volta e meia eu me pergunto se não estou querendo demais. Ao mesmo tempo, penso que, se é pra recomeçar, talvez valha a pena fazer tudo de novo - só que diferente, néam? E aí todo um leque de possibilidades se abre.

Enfim, resumindo: não me fecharei a oportunidades de emprego, mas estou fortemente inclinado a começar minha nova vida estudando. Seja uma nova faculdade, seja cursos de idiomas, cada vez mais acho que o meu início vai ser pautado por livros, cadernos (usam laptop em sala de aula hoje me dia, gente? Meu Deus, tô véio!!) e professores!

À bientôt!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Escolhendo o caminho a seguir - Parte 1

Quando o cidadão vai recomeçar a vida em outro país, pode haver uma infinidade de opções e caminhos a serem escolhidos e trilhados. Ele pode, por exemplo, chegar e sair distribuindo currículos, batendo na porta das empresas e já enfrentar a batalha pelo primeiro emprego; ele pode voltar aos estudos, seja em um college ou universidade; ele pode tirar um ano sabático e ficar passeando pela  cidade, pela província e pelo país, buscando assimilar mais a cultura; ele pode casar com um(a) nativo(a) rico(a) e viver da renda dele(a);





 e por aí vai.

O que vai definir qual caminho o cidadão vai seguir é um conjunto de fatores envolvendo as situações pessoal e profissional, além da disposição do dito cujo em inovar, digamos assim. Por exemplo, se a profissão do abençoado está em alta demanda, se ele é especializado ou tem anos de experiência que são facilmente transferíveis para a nova vida, e se ele sente arrepios de prazer com a profissão que escolheu, talvez não haja motivo para ele ficar perambulando por aí. Ele poderia, já de cara, ir bater na porta de empresas e vender seu peixe. Mas, se a profissão requer que ele faça um curso, obtenha um determinado diploma ou seja aceito por uma determinada ordem, pode ser que chegar e meter a cara nos livros seja mais interessante, pensando no futuro. Ainda assim, nada é certo nesta vida e, além disso, cada ceru mano é único. A pessoa pode chegar lá no país de destino super bem preparada, profissionalmente falando, mas resolver que quer se dedicar a cuidar de coalas nessa nova vida (e correr atrás disso), ou pode mal ter dinheiro para três meses de vida na nova pátria e, ainda assim, achar que merece tirar um ano de descanso e dar uma de mochileiro.


E onde é que eu quero chegar com essa apologia da diversidade? Bom, nas próximas semanas estarei encerrando uma vida, daí terei um intervalo, digamos assim, para daí começar uma outra lá no Canadá, mais especificamente na província do Quebec, mais especificamente ainda em Montreal. E aí, como vai ser essa nova vida? Vou chegar chutando a porta do mercado de trabalho? Vou esquentar banco de universidade? Vou fazer qualquer coisa até ver qual é a minha praia nesse novo mundo? Vou tomar conta de coalas (ou de alces, ursos, ou de crianças que correm o risco de ser raptadas por águias em parques públicos)?






 São perguntas que precisam ser respondidas o mais rápido possível se eu não quiser perder algumas oportunidades.


Falando honestamente, eu não acho que eu tenha condições de encarar o mercado de trabalho pra valer na minha área assim que chegar. Como já mencionei antes, uma das características mais tenras do serviço público é fazer você se tornar, gradualmente, alguém completamente alienado ao que se passa à sua volta, principalmente em termos profissionais. É um outro mundo, e, nesse mundo, você não adquire exatamente muitas competências, na maioria dos casos (mas incompetências, ah, aí tem de monte!). Então, posso declamar um poema falando sobre certas qualidades pessoais que adquiri ou foram desenvolvidas nesse tempo, mas, na prática, muito pouco será levado para um novo trabalho. Quanto à minha área específica, como ela ficou em quinto plano, não há tanta experiência recente que eu possa exibir com orgulho, principalmente nos últimos anos. De forma que, sim, eu posso tentar algumas vagas específicas (tenho algumas em mente, em empresas específicas), mas, com certeza, não serão vagas com pagamento elevado (ou mesmo mediano). Seriam vagas do tipo survival job na minha área. De qualquer forma, isso não seria ruim, se me der uma graninha e permitir que eu adquira um pouco de experiência canadense já na minha área.


Então essa seria a opção de trabalho mais próxima da minha realidade, de acordo com método científico rigorosamente testado, comprovado e aplicado (também chamado de "minha opinião com base em nada concreto fora navegar na Internet e ler bastante").


Mas por que não passar um tempo, digamos, o primeiro ano - em que tudo é belo, tudo é perfeito, aquele em que a neve tem um brilho especial só pra você, em que você come poutine todo fim de semana e acha que nunca comeu coisa igual, em que cada bonjour hi pronunciado por um vendedor soa como uma peça de Mozart esquecida e recuperada - porque não passar um tempo fazendo algo que pode te dar as ferramentas necessárias para já brigar por algo profissionalmente mais palatável?



Clique aqui para ler a parte 2!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Frustrações de uma Vida não Iniciada

Essa fase na qual me encontro no momento é, ao mesmo tempo, extremamente empolgante e incrivelmente frustrante. É aquela na qual você quer começar a sua nova vida, mas ainda não encerrou o ciclo da antiga e, portanto, não tem como dar o primeiro passo de fato. Trocando em miúdos, é estar meio cá, meio lá.

De um lado, você está aqui, separando roupas e utensílios de cozinha para doação, tentando organizar, no meio do ninho de cobra da bagunça que só aumenta, o que vai e o que fica. Do outro, tem todas aquelas pesquisas que você faz, pensando em como sua vida poderá ser, tentando antecipar alguns problemas ou dificuldades e se planejando para lidar com tudo isso. O problema é que a distância física da nova vida te impede de ir além de um determinado ponto, o que, às vezes, faz você querer tirar as calças e pisar em cima.

Exemplificando:

Moradia

Acredito que seja a principal preocupação de quem chega. Ainda que você tenha algum conhecido que gentilmente se ofereça para te hospedar na sua chegada, na maioria das vezes você vai querer (ou precisar) arrumar um canto só seu o quanto antes. É o meu caso. Se aparecer alguém disposto a me tolerar por algumas semanas, ótimo, mas eu ficaria incomodado se minha estadia se prolongasse muito porque (1) eu gosto de ter o meu canto e (2) sou o tipo de hóspede que sempre está com receio de incomodar o anfitrião. Então, ainda que seja melhor do que ficar torrando grana em hotel, eu não ficarei 100% tranquilo enquanto não achar o meu canto

O que tenho feito: olho com alguma frequência os sites de anúncios de aluguel de imóveis, como o Kijiji e o Padmapper. Leio blogues de quem já está morando lá em Montreal, principalmente os posts relacionados aos bairros e ao tipo de residência. Teve a viagem que fiz a Montreal ano passado também, que ajudou a colocar um pouco em perspectiva o tamanho da cidade.

O que tirei de bom até agora: basicamente, a média de preços (o que permite te dar uma ideia de quantas moedas de ouro serão consumidas na brincadeira de pagar aluguel mensal) e uma ideia geral dos bairros da cidade. Ah, e, às vezes, você esbarra em algo que parece ter sido feito pensando em você, com carinho de mãe. E daí devaneia, imaginando como sua vida será perfeita lá na parte de cima do mundo!



Por que é frustrante: estando neste hemisfério, tudo o que posso ver são fotos. Não posso ir visitar, não posso ver o tanto que as fotos correspondem à realidade, não sei como a parte do contrato funciona na real, não sei se o proprietário irá com a minha cara ou se meu inglês e francês serão suficientes pra não ser enrolado. E sabe o apê construído com esmero, que você viu num anúncio ontem como um sinal divino da sua futura vida perfeita? Pois é, você não pôde ir lá e, no dia seguinte, o anúncio já foi tirado do ar porque alugaram.




Móveis, roupas e utensílios

Como já falei em algum post do passado, eu descobri que posso viver com pouco em casa, principalmente quando a situação é incerta. Vim pra São Paulo não pensando em ficar vários anos, mas voilà! E aí descobri que posso viver, por exemplo, sem conjunto de mesa com seis cadeiras ou fogão quatro bocas high-tech. Mas, ainda assim, alguma coisa a gente acaba tendo de comprar, né? Roupas então... porque eu que não vou tentar encarar -20°C com meu casaquinho da C&A.

O que tenho feito: só pesquisa mesmo em sites, como o da IKEA, Wallmart ou The North Face. Há uma variedade grande, para todos os gostos.

O que tirei de bom até agora: É outra maneira de você ver as moedas de ouro que podem ir embora nos primeiros meses. E, se você ainda está em estado de nirvana porque encontrou a casa dos sonhos no Kijiji e resolve pensar nos móveis para cada ambiente, rapidinho a pesquisa deixa de ser pesquisa e volta a ser devaneio.



Por que é frustrante: porque eu ainda não tenho casa, não sei o tamanho dela, não sei nem se vai ter mais de um ambiente, quanto mais se vai precisar de mesa de canto. Alguns apartamentos tem geladeira e fogão incluídos no preço do aluguel, alguns prédios têm máquina de lavar e secar comunitárias, outros não.. então, acabo tendo uma ideia de preços, mas, no fim, é como se eu estivesse jogando The Sims.




Trabalho

Aqui é onde o monstro embaixo da cama reside, no meu caso. Minha área (línguas estrangeiras e tradução) tem uma certa demanda (escutei alguém de TI rindo aí?), mas, em se tratando de inglês e francês, eu não tenho como concorrer muito com nativos logo de cara. Então sei que há um loooooongo caminho pela frente, e eles não são pavimentados exatamente com tijolos amarelos.

O que tenho feito: continuo coletando vagas pela internet, visitando sites de empresas e de profissionais autônomos. Minha vida profissional vai mudar radicalmente.

O que tirei de bom até agora: já deu pra ter algumas ideias em relação a encaixar meu perfil, e ver quais requerimentos e atributos precisarei desenvolver para determinadas vagas. Além disso, tenho consultado mais algumas outras opções que não estão diretamente ligadas à minha área, mas que podem me ajudar e até, quem sabe, se tornar meu ganha-pão principal.



Por que é frustrante: eu ainda não dei a cara a tapa, não mandei currículos nem contatei possíveis empregadores. Poderia ser um termômetro para ver como estaria a aceitação do meu currículo e experiência atuais, mas, lembrando que eu fiquei os últimos sete anos atrofiando o cérebro no serviço público, digamos que eu já tenha uma ideia. E, se você começa a duvidar que pode encontrar algo legal, logo, logo está imaginando que outras opções você terá se tudo der errado.




Estudos

E, em parte pelo receio de não encontrar trabalho, em parte por vontade mesmo, eu acabo voltando à ideia de estudar. A ideia, pra mim, é de recomeço mesmo, nesse caso: voltar para os bancos da faculdade, e estou falando de graduação, não de mestrado ou doutorado (embora não descarte estes). Se é pra recomeçar, talvez eu deva recomeçar direito.

O que tenho feito: entro em dezenas de sites de colleges, CEGEPS e universidades. Listo cursos que me agradam, aqueles que não faria nem por decreto, me informo sobre os custos. Tem muita informação sobre tudo, e as opções são as mais variadas. De gastronomia a mecânica de aviões, de metalurgia a Ph.D. em estudos africanos, dá pra gastar um bom tempo namorando os cursos. E, como eu sempre curti estudar e o meio acadêmico, é difícil parar de pesquisar e de imaginar as aulas.



Por que é frustrante: a perspectiva de estudar em outro país, em outro idioma, sempre foi empolgante, mas também intimidante pra mim. A duração do curso também pode vir a ser um problema. Se eu começo uma graduação, são três ou quatro anos de estudo pela frente. Como tenho o péssimo hábito de gostar de assuntos que não dão um emprego líquido, certo e prático no mundo real, pode ser que eu tenha que fazer mais um ou dois anos de mestrado, e três ou quatro de doutorado. Pense em dez anos estudando!!! Além disso, o fato de não estar ainda nas terras geladas dificulta um tanto o acesso a informações mais precisas. Pra dar um exemplo: eu me interessei pelo curso de Literatura Inglesa na McGill. PARECE, pelo que pesquisei e pelo que disseram em resposta às minhas dúvidas, que eu só poderia tentar entrar como Mature Applicant. Pois bem, uma das exigências para entrar nessa condição é concluir dois cursos ou disciplinas como pré-requisitos na área de interesse. Tentei conseguir mais detalhes sobre isso e disseram que eu poderia cursar essas disciplinas em CEGEPS, colleges ou na própria universidade. Perguntei o que seria aceito como pré-requisito para Literatura Inglesa e daí falaram pra eu entrar em contato com o Departamento de Inglês. Mandei um e-mail e me disseram que eu tinha que falar com o setor de admissões. Fiz isso e me disseram que eu tinha de contatar o Departamento de Inglês (!). Fiz isso de novo e disseram que eu tinha que cursar "alguma coisa como English Reading and Writing" em um CEGEP ou college. Entrei em contato com um college., expliquei a situação e me responderam dizendo que, no meu caso, é melhor cursar os pré-requisitos direto na universidade, porque tenho nível superior e pularia a etapa do college (!!). Agora, como eu faço isso se a universidade disse que eu tenho que fazer isso num college?



Perguntei também se eu poderia cursar matérias avulsas no college pra servir como pré-requisito. Ainda estou aguardando uma resposta, mas já deu pra sentir o drama, né? Será que o sistema de educação canadense é um tanto misterioso até para os canadenses ou sou eu que sou obtuso, produção?

Conclusão

Adivinha? Realmente, não dá pra passar o carro na frente dos bois. Enquanto eu estiver aqui no Brasil, só poderei ter uma visão parcial das coisas e acesso limitado às informações. Pesquisar e se informar é bom, mas também pode ser extremamente frustrante quando não leva diretamente a uma solução ou decisão. Então, nessas horas, é bom simplesmente ir estourar umas cabeças jogando GTA.

À bientôt!


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Express Entry: o novo processo de imigração pro Canadá

Quem acompanha essa vida de imigração pro Canadá há algum tempo já sabe que, a partir do ano que vem, haverá um novo processo: o Express Entry ou Entrée Express, conforme seu aparelho fonador preferir. Tido como algo algo semelhante à Segunda Vinda de Cristo em matéria de imigração para o Canadá, esse novo processo promete entregar vistos em até seis meses (!) para os candidatos que forem convocados, acabando com a jornada para destruir o Um Anel que é o processo atual.

Meio mundo quer saber os detalhes, como vai ser, como não vai ser, mas, para falar a verdade, o grosso já se tem há um tempo. Em resumo, é o seguinte:

1) os candidatos preenchem um cadastro online;
2) o Ministério da Imigração avalia os cadastros e classifica os candidatos, montando, assim, uma espécie de ranking do eu-quero-ir;
3) os mais-mais desse ranking recebem um convite para fazer a imigração de fato.

-Beleza, vai ficar mais fácil e rápido! - exclama o incauto, batendo na perna e já estalando os dedos na sequência.

Bom, para alguns, sem dúvida vai ser mais fácil e rápido. Profissões em demanda, pessoas que já tenham formação acadêmica canadense e/ou experiência profissional no Canadá, e aquelas com uma oferta de emprego com certeza se beneficiarão desse modelo. As outras.. bom, como você deve ter notado, o processo passará a ser uma competição. Não será mais por ordem de chegada e, sim, por ordem de qualificação, digamos assim. O seu colega de projeto de imigração que tem mais ou menos o mesmo perfil que o seu não mais será um companheiro de jornada e, sim, um rival em potencial. E a única maneira de você fazer frente aos rivais do mundo inteiro talvez seja melhorar o seu currículo: aprimorar o inglês e o francês, fazer um curso no Canadá ou encontrar um emprego direto por lá.

Por outro lado, o governo canadense anunciou há algumas luas que pretende receber 285 mil imigrantes no ano que vem, o que seria um recorde. Então, pode ser que esse diabo nem seja tão feio assim.

Para quem tem interesse, os sites abaixo trazem um pouquinho mais de detalhes: 



E o Québec??


Este ano, foi dado um pontapé inicial para mudanças no processo pelo Québec também. Contudo, até o momento, a única coisa oficial que existe é um pronunciamento da Ministra da Imigração do Québec, dizendo que eles querem que tudo seja lindo e perfeito. O processo desde ano está fechado por já ter atingido o máximo de dossiês permitidos (6.500). As atuais regras valem até 31 de março de 2015 e, segundo as mais recentes palestras de imigração, o processo nos moldes atuais provavelmente continuará (mas, de novo, quem já acompanha essa novela de processos há um tempo sabe que isso não quer exatamente dizer muita coisa, néam?).

Quem quiser ler um pouquinho mais, taí:


À bientôt!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Emigrar é abrir mão

Todos nós, que estamos saindo do Brasil para um outro país, passamos por isso num momento ou em outro (e você aí, que ainda está planejando, também passará): a gente conta pra alguém que vai emigrar, a pessoa fala algo tipo "que legal!", e começa a fazer perguntas. Em geral, elas querem saber se você está indo fazer intercâmbio ("como assim, você tem green card???"), se você já tem emprego lá ("como assim, você não tem???") e se você já tem contatos lá pra te ajudar ("como assim, você vai sozinho???"). Em geral, para por aí, a pessoa te deseja sorte, sorri e vai fazer o que estava fazendo antes.

Mas algumas pessoas vão além. Elas veem ali uma chance pra elas também e, naturalmente, querem saber mais! Aí, como boa pessoa, você explica mais. Fala sobre a palestra do escritório do Québec, fala sobre os requisitos, indica sites, blogues e tudo mais. A pessoa fica empolgada, vai pra casa, e, quando você a reencontra, pergunta se ela gostou das informações, se ficou animada para dar entrada no processo. E a resposta, em 99% dos casos que presenciei, foi algo do tipo:

-Ah, eu queria muito, mas meu caso é mais complicado...

Naturalmente, você quer saber o por quê, e pede ao cidadão ou cidadã de bem para que ela elabore essa frase genérica. E aí, em 95% dos casos, a resposta cai em algo semelhante às opções abaixo:

1. Ah, eu não posso largar meu emprego assim...
2. Ah, eu tenho filho(s)(a)(as)/família;
3. Ah, eu tenho um(a) namorado(a);
4. Ah, eu teria que recomeçar a vida;
5. Ah, eu teria que aprender inglês/francês/etc;
6. Ah, eu teria que ser rico(a)...

Há outras, mas a maioria das respostas costuma girar em torno dessas opções aí (às vezes, várias na mesma resposta). Antigamente, eu apenas sorria, falava algo bem vago também como "é..." e deixava por isso mesmo. Mas, depois do tempo todo de processo, vendo não só as minhas angústias, escolhas e decisões, mas a de outras pessoas também, eu respondo, em geral, com outra pergunta:

- E você acha que eu não tenho nada disso?

Uma vez, li o prefácio do livro de um escritor em que ele falava como as pessoas chegavam até ele e diziam que tinham muita vontade de escrever. Ele, por sua vez, perguntava o que as impedia, e elas diziam, em geral, que não tinham tempo. Assim, como se escrever, para ele, fosse um passatempo, um hobby, algo que ele fazia enquanto executava o trabalho "de verdade", aquele que, de fato, colocava o leitinho das crianças na geladeira. E ele falava que a diferença entre os escritores e os aspirantes era justamente essa: eles encaravam a escrita como atividade profissional, com horas de trabalho divididas, com planejamento e método, e não da forma que a maioria das pessoas imagina (algo como acordar às 10 da manhã, tomar um café da manhã até às 11, sentar na frente do computador, decidir que precisa de "inspiração" e sair para passear e por aí vai). Basicamente, eles abrem mão do conforto de ter um emprego das 8hs às 18hs, com salário fixo, pagamento no fim do mês, plano odontológico e vale-coxinha e se dedicam à profissão deles. Em sua, eles fazem uma escolha - ou várias - e se comprometem com isso.

O que isso tem a ver com a situação genérica que abriu o post? Tudo.

Quem nunca pensou seriamente em emigrar geralmente tem uma lista de obstáculos intransponíveis prontinha para ser apresentada caso perguntem "se você quer ir, por que não vai?". Não vou, de forma alguma, dizer que não existem situações que pesem mais que outras. Mas, no fim, é tudo escolha. É tudo uma questão de se você quer abrir mão de algo ou não. Se está disposto e preparado a sair da sua zona de conforto, ainda no Brasil, para ir atrás de algo diferente. E, no fim, é você quem sempre escolhe. Não é "a vida", " a situação", o "destino". É você, e só você. 

Você tem um filho pequeno? Tem gente que está emigrando com dois filhos pequenos, ou com um adolescente e um bebê de colo, com três filhos de todas as cores e tamanhos. Você tem família? Pois é, eu também. Estou deixando (de novo)  meu pai, minha mãe e minha irmã para trás, só as três pessoas que mais amo neste planeta inteiro, sem falar dos meus tios e primos mais próximos. Você tem um namorado(a)? Eu e várias pessoas já terminamos um namoro (em alguns casos, até um casamento!) por causa do processo. Você tem um emprego estável, que te paga bem? Deixa eu te contar que ninguém está indo para o Canadá ou para sei lá onde pensando em ficar rico (ou, pelo menos, não deveria estar). E eu mesmo estou largando um "belo" emprego no setor público, com pagamento certinho, com situação estável, em troca de, talvez, ter de me virar com empregos considerados "baixo nível" no  Brasil. Você está financiando sua casa? Eu e vários temos adiado a compra de um apartamento ou casa pra viver de aluguel baratinho e juntar dinheiro para ir embora. Você teria que recomeçar a vida? E o que você acha que eu e todos os outros que estão nessa jornada vão fazer? Ser amigo do rei? Um monte de gente, mesmo não querendo de saída, vai ter de voltar para cadeiras de universidade, refazer cursos, aprimorar experiência, reaprender a pegar ônibus, a falar, a agir, a pensar. Ninguém está indo continuar a vida. Todos estão indo recomeçar, seja em um ou em outro nível.

Enfim, pra encurtar algo que já está longo, quase ninguém emigra com uma situação ideal. A imensa maioria, a maioria esmagadora tem que correr atrás de tudo, seja antes do processo (aprender idiomas, fazer pesquisa, juntar papelada), seja durante o processo (mais papelada, paciência, espera, pesquisa), seja depois do processo (finalizar a vida no país de origem e começar outra no país de destino). Ao contrário do que talvez você pense, ninguém fica esperando um alinhamento planetário perfeito no céu para só então dar o pontapé inicial. Como falei lá atrás, é uma questão de escolha. E escolha é pessoal. Se, pra você, o risco de vender a casa aqui e ficar sem residência própria lá no Canadá é muito alto para correr, tudo bem. Se você fica com receio de levar sua esposa e seu filho pequeno para fora do país por não saber no que vai dar, ok. Não há problema nisso. Mas pense um tanto antes de falar que sua vida ou situação é "complicada" ou que você estaria abrindo mão de "muita coisa". Afinal de contas, emigrar é, antes de tudo, abrir mão de muita coisa.

À bientôt!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Primeira passagem comprada!

Existe toda uma mística permeada de corrente elétrica quando você clica na opção "somente ida" do site da companhia aérea. A sensação de que você está, de fato, deixando um outro lugar é empolgante e aterrorizante ao mesmo tempo!

Hoje eu finalmente comprei a passagem para ir para Brasília. Dia 15 de dezembro deixarei a cidade que foi meu lar pelos últimos sete anos e voltarei para aquela onde nasci, cresci, estudei e comecei minha vida profissional. Tô num misto de ansiedade, alegria, receio e medinho que só vendo! E olha que estou só "voltando pra casa"! Imagina quando for pra comprar aquela passagem, aquela que realmente rompe fronteiras e que será um divisor de águas! Haja Maracugina, e na veia!

E, agora, de volta à programação normal, porque ainda tenho muita roupa pra separar, caixa pra montar, bugiganga pra embalar... ah, e tenho que continuar indo ao trabalho também!

À bientôt!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Carta de referência pedida

Olha, eu realmente não sei se carta de recomendação e carta de referência são amplamente utilizadas aqui no Brasil. Eu, particularmente, quase nunca vejo ninguém comentando sobre isso quando está procurando emprego ou se candidatando a vagas na universidade. Mâââââsss... eu não sou exemplo de pessoa experimentada, testada e embrutecida na iniciativa privada e, na vida púbrica, pfff... no máximo, rola um QI, mas ninguém coloca no papel.

Enfim, como eu não faço ideia dos caminhos que precisarei desbravar uma vez que estiver pisando em terras nortenhas, resolvi pedir uma carta de referência para o meu chefe atual. Vai que, néam? A minha ideia era dar uma lida em alguns modelos, ver o que o pessoal foca mais na hora de escrever (porque ninguém vai querer ler - ou acreditar - em 10 páginas de elogios), mas estou para fazer isso desde a semana passada e sempre esqueço. Daí esqueço também de perguntar pro meu chefe e aí a vida segue.

Mas hoje... ah, hoje foi diferente!

Meu chefe me chamou na sala dele para me passar algumas coisas e, no meio do papo, ele falou a palavra "carta" e - tuím! - meu cérebro fez as conexões necessárias e eu guardei para o fim. Quando ele me liberou, soltei um "aproveitando...", respirei fundo e perguntei se ele podia fazer uma carta de referência, já que estou prestes a sair. Eu não esperava que ele dissesse "não", mas a rapidez com que ele disse "sim" me pegou um tanto de surpresa. Achei que ele ia perguntar primeiro se ele precisaria colocar o cargo dele, o que precisaria especificar, se talvez não seria bom falar com a chefia máxima do órgão e todas essas coisas que tornam o serviço público tenro e aconchegante. Mas não. No fim, ele pediu pra eu fazer a carta e ele assinar (!), o que eu recusei porque meu estoque de óleo de peroba não dá nem chega pra redigir uma carta dizendo que sou uma das maravilhas do mundo moderno e passar isso pra outra assinar. E daí fechamos na alternativa de eu trazer um modelo e ele fazer em cima dele.

E aí agora vou ter que ir atrás de um modelo - o que já era previsto - e de algumas informações extras. Por exemplo, acabou de me ocorrer o seguinte: supondo que ele assine a carta até dezembro, mas eu a use efetivamente só daqui a um ou dois anos, o fato de a data já ser um tanto "velha" é um fator problemático? Porque obviamente não sei se ainda terei contato com o meu chefe daqui a um ou dois anos para poder pedir uma carta, então eu queria levar algumas cartas de referência para poder ter em mãos e usar conforme fosse necessário (para me candidatar à universidade, por exemplo). Alguém aí sabe dizer se essa dúvida procede ou se não preciso me preocupar?

De qualquer forma, é mais um passo em direção ao futuro. Vou contatar outros ex-chefes com quem ainda tenho contato e tentar juntar uma quantidade razoável de expressões de apreço pela minha pessoa.

À bientôt!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

The Leftovers

Como falei alguns posts atrás, tenho sentido necessidade de diversificar os assuntos por aqui. E isso inclui falar de coisas que não têm nada a ver com a imigração. Então, se você pretendia ler mais algum capítulo sobre a minha mudança ou alguma novidade no processo, direito seu, mas acho que terá de aguardar mais um pouquinho.

Ainda aqui? Ok.

Ontem, eu terminei de assistir a temporada da série The Leftovers, da HBO. Tudo bem, eu sei que estou dando uma de Rubinho Barrichello, já que o último episódio foi ao ar em setembro (!), mas, tendo de conjugar verbos em francês todo dia, fazer exercícios de gramática, procurar informações sobre bairros em Montreal, "curiar" a vida dos colegas de jornada para o norte e, enfim, trabalhar (dentre outras coisas inadiáveis), acaba não me sobrando muito tempo para esses petiscos da vida, as séries de TV. A única série que eu vinha acompanhando é Game of Thrones, por razões óbvias (se não é óbvio para você, espero de coração que, um dia, passe a ser). E só comecei a assistir The Leftovers porque: (1) ela estreou no fim de semana seguinte ao fim da temporada de Game of Thrones, então eu não iria começar a acumular séries; (2) eram só dez episódios (como quase todas as séries da HBO), então, se fosse ruim, não perderia tanto tempo da vida; (3) é uma espera do cão entre uma temporada e outra de Game of Thrones, então ter outra série para ajudar a passar o tempo é bom. Então... desafio aceito!





Para quem não sabe, a série trata do desaparecimento de aproximadamente 2% da população mundial. Um desaparecimento desses de piscar os olhos e a pessoa sumir, puf, sem raios de luz, ventania jogando os cabelos do povo pro lado pra dar efeito ou coisa do tipo. Logo todo mundo (ou quase) faz a associação entre o desaparecimento e o arrebatamento, episódio previsto para ocorrer,  segundo algumas interpretações bíblicas, antes dos flagelos do Apocalipse, no qual os justos E bons E crentes E tementes a Deus seriam levados para "outro lugar" e não sofreriam o pandemônio, reservado especialmente para você aí, meu(minha) amigo(a) que faltou à missa domingo passado. O negócio é que todo mundo logo (também) se dá conta de que ou o conceito de "justo" e "bom" e etc da humanidade é diferente do de Deus, ou o que aconteceu foi outra coisa, já que uma galerinha adúltera, alguns assassinos e traficantes, além de pessoas de moral duvidosa somem do mapa, enquanto pessoas que você jura que estariam no início da fila do arrebatamento de tão puros continuam por aqui.

E aí? É de dar nó, ou quer arriscar um palpite?



Enfim, assisti o primeiro episódio e, ok, foi instigante. Não me deixou babando de ansiedade, mas não me fez correr. Mas confesso que, até o terceiro ou quarto episódio, a coisa ainda não tinha engatado pra mim. Eu estava um tanto perdido, até me dar conta que o mistério do arrebatamento é apenas o pano de fundo para as crises existenciais (e de outra natureza também) dos personagens retratados. A série se passa quase que exclusivamente na fictícia cidade de Mapleton - algo que soa como vilarejo de interior, do tipo que tem só duas casas, igreja, prefeitura, mais duas casas e acabou, mas que parece ser maiorzinha depois - e o telespectador acompanha alguns habitantes dali, três anos após o "Dia da Partida", e vê o impacto que o sumiço coletivo teve nas pessoas e na sociedade. E cara, vou te contar... é foda!

Adicione ao drama pessoal elementos "sobrenaturais" como sonhos enigmáticos, dupla personalidade aparente, profetas de todas as cores e tamanhos que juram saber a verdade do aconteceu (e os rebanhos que ele angariam) e organizações religiosas, pseudo-religiosas e do tipo "nenhuma-das-alternativas anteriores", que se dedicam aos mais variados fins. Dessas, a mais presente na série é a dos "Remanescentes Culpados", que faz de tudo para não deixar as pessoas esquecerem do "Dia da Partida" e continuarem as vidinhas medíocres, valendo-se de métodos que beiram a tortura psicológica. Aliás, o que eles fazem no último episódio da temporada teve, pra mim, a potência de uma voadora do Van Damme no queixo (ALERTA: referência do arco da véia detectada. Idade chegando). O penúltimo episódio, em que vemos, pela primeira vez, o momento da "partida" na vida dos personagens que acompanhamos desde o primeiro episódio, é incrivelmente tocante, bem escrito e montado. Um show para quem curte.

Enfim, não é uma série que vá agradar a todos, é óbvio, e eu entendo algumas das razões que já apontaram. Se você se dispuser a ver, acho que vale a pena ter em mente que o que interessa são os diálogos e as interpretações. Deixe pra lá o fato de que o criador da série é o mesmo de Lost (olhinhos virando pro alto), série com a qual é possível traçar alguns paralelos, mas que tem um tom bastante diferente desta.

E, se assistir (ou se já assistiu), me diga o que achou!

À bientôt!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Tchau, livros!

Depois de virar no cão desabafar por conta do trabalho no post passado (nada como escrever para aliviar), voltei ao equilíbrio. Estou focando no fato de que só faltam seis semanas, e eu vou focar também em ser ainda mais irônico e sarcástico do que já sou durante esse período lá na "repartição". Tyrion Lannister que me aguarde!

Bom, a minha mudança para a casa dos meus pais em Brasília já começou há um tempo, mas gente... sabe aquela sensação de que você empacota, empacota, empacota, e tudo continua lá? Não sei se é bruxaria, magia negra, looping espaço-temporal, mas eu levei já uma quantidade considerável de coisas e meu apartamento continuava do mesmo jeito. Cada mala fechada e pesada, antes de cada viagem, era uma gota de suor de desenho animado japonês na minha testa, porque eu via o tanto de coisas que ainda estavam ficando.




Mas os livros se foram!!!! Finalmente, consegui levar toooodos os livros que eu tinha no apartamento aqui em São Paulo! Bom, "todos" não é bem a palavra, pois ficaram quatro: dois que estou lendo (o segundo volume de "Musashi" e o quinto de "A Song of Ice and Fire" - obviamente, gostando de listas, eu também gosto de livros seriados) e dois de reserva, caso eu termine esses dois antes de zarpar definitivamente para Brasília. Mas é isso: todo o resto já foi! Coisinha de uns 70 livros não lidos que agora repousam em berço esplêndido na estante dos meus pais.

E aí, sim, vi o apartamento começar a murchar! Com o adeus dos livros, pude desmontar a estantezinha de prástico em que eles ficavam esperando papai aqui escolhê-los. Então, obviamente, só com as coisas grandes saindo do apartamento é que eu vou ter a sensação de que a coisa está realmente andando. Porém, contudo, todavia, entretanto.. as coisas grandes (geladeira, televisão, móvel da televisão e do computador, colchão, etc) só serão vendidas/doadas/repassadas na minha última semana em São Paulo. Ou seja.. a tal sensação do apartamento esvaziar só vai chegar com a minha ida definitiva pro aeroporto.




Ah, e consegui alguém com quem deixar meus gibis caso eu não consiga levá-los até dezembro! Como terei de voltar pelo menos mais uma vez a São Paulo ano que vem, justamente para entregar as chaves do apartamento, terei ainda a chance de levá-los para Brasília nesse rápido retorno. Triste é saber que a maior parte deles ficará dentro de uma caixa e não será (re)lida durante um bom tempo, mas ainda acalento a ideia de levar tudo pro Canadá, tão logo eu seja rhyco, loyro e phyno estabilize a minha vida por lá (incluindo um cafofo para chamar MESMO de meu).

É isso! Aos poucos, a mudança vai acontencendo e tudo vai ficando real. Noites atrás, tive o primeiro sonho de verdade com relação à imigração: eu havia acabado de chegar em Montreal, já havia passado pelo aeroporto (essa parte foi um prólogo que não rolou visualmente, eu só tive a sensação de ter passado por lá) e já estava no centro da cidade, não sei onde exatamente, mas num lugar que parecia uma balada (com malas, Odin!), encontrei uma antiga amiga da faculdade (!!) e, de repente, me dei conta que tinha esquecido de reservar lugar pra ficar (!!!). Sonhos assim são bem a minha cara: quando tô ansioso ou preocupado com algo que precisa ser feito, é mole, mole eu sonhar que esqueci de fazer e que, tipo, agora já era... Mas, ufa, só sonho mesmo!

À bientôt!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Mon travail, je n'en peux plus!

Eu estou numa situação bastante cômoda: faltam seis semanas para eu sair do trabalho, todo mundo já está sabendo, ninguém está exigindo mais de mim do que o que eu posso oferecer até a minha saída. Ou seja, a situação não está ruim. Mas, gente... começando hoje, oficialmente eu já não aguento mais ir pro trabalho!



Tá certo que esse sempre foi mais ou menos meu sentimento desde que me tornei servidor público. Exceto para aqueles que, de fato, possuem uma formação que se encaixa direitinho no setor público ou para aqueles que só querem saber de estabilidade e salário pago em dia no fim do mês (cof, cof, e eu acho que esses são a maioria esmagadora cof, cof), o trabalho é sacal. Você não desenvolve nada, você não cria nada, você está sempre sujeito a uma "portaria", uma "lei", uma "orientação de serviço", documentos, em geral, redigidos por gente que não faz a mínima ideia de como as coisas funcionam na prática e acham que, assinando um pedaço de papel com linguagem rebuscada, resolvem tudo.

Não vou entrar nos detalhes. Não é um sentimento novo pra mim. Mas agora, com a proximidade do começo da minha nova vida (e com uma penca de coisas para resolver), o trabalho passou de aborrecimento necessário para fardo insuportável. Já disse inúmeras vezes que, se meu processo de imigração fosse recusado, eu, de qualquer forma, não ficaria mais nessa bagaça de serviço público. Quem quiser olhar só as vantagens e achar que é o paraíso, fique à vontade (e com a minha vaga). O que mais escuto é gente falando que queria estar no meu lugar, que eu sou louco de largar essa "boquinha" (blargh!), ou falando que tem horror à corrupção, ao jeitinho brasileiro e a outras coisas, mas tá louca para entrar no serviço público, uma máquina inchada, incrivelmente corrupta, que tem bem mais gente do que precisa e bem menos aparelhamento, planejamento e boa administração do que deveria, além de benefícios e vantagens que muita gente não tem o menor pudor em distorcer para se beneficiar ainda mais. Boa parte dos servidores acredita que cumpriu sua missão quando conseguem passar num concurso e querem apenas desfrutar dos benefícios e vantagens. Trabalho? Não foi pra isso que eles prestaram concurso público. Prestaram para ganhar um salário acima da média, para ter pouco ou nenhum trabalho, para ficar reivindicando aumentos que são surreais face ao (péssimo) trabalho que desempenham, e reclamar que os outros (políticos, juízes, desembargadores, ministros, procuradores, o seu Zé da esquina) são corruptos e ladrões, mas eles mesmos estão acima do bem e do mal. Até quando você encontra um setor/departamento/seção/divisão/coordenadoria em que pode, de fato, fazer algo e se sentir útil, tem sempre alguém para diminuir o seu ritmo e falar para você não vir com muitas ideias criativas (porque elas não vão pra frente mesmo, diante do tanto de assinaturas, "cientes" e "de acordos" que precisariam ter) e nem fazer tudo muito rápido (senão, o trabalho acaba e o setor/departamento/seção/divisão/coordenadoria fica parecendo um local ocioso).

Eu tenho total consciência de que eu não faço ideia do que o futuro me reserva, e que pode ser que a minha situação, no Canadá ou no Brasil, seja tão ruim, mas tão ruim, que eu chore de saudade do serviço público. Mas eu juro de pé junto que eu vou mover montanhas para que eu nunca, mas NUNCA precise voltar para um trabalho tão inútil, frustrante e inócuo quanto esse.

Desculpem o desabafo. Segue o show.

À bientôt!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Minhas janelas temporais para a imigração

É, o tarado por listas/tópicos/esquemas aqui voltou com tudo! Para tentar por ordem no galinheiro e controlar a ansiedade (embora, às vezes, eu fique em dúvida sobre se listas aumentam ou diminuem a ansiedade), tão logo voltei para São Paulo e minha mente já começou a traçar rotas e planos.




Bom, basicamente, há duas grandes "janelas temporais" até a minha mudança para o Canadá. A primeira é daqui até por volta do dia 15 de dezembro. Nesse período, estarei cuidando das pesquisas mais genéricas e, principalmente, finalizando as pendências aqui em São Paulo. Fico no trabalho até o dia 05 de dezembro, espero doar/vender tudo que não vou levar até o dia 10 ou 12 e, então, pegar o voo para Brasília. Já tenho levado tudo que cabe na franquia das companhias aéreas cada vez que vou visitar meus pais, para que eu deixe pouco ou nada aqui. Mas é livro e gibi demais, minha gente... provavelmente, vou ter que contratar algum serviço para enviar o que sobrar.

A única pendência grande que espero deixar dessa primeira parte é justamente a entrega do apartamento para a imobiliária. Como meu contrato só permite sair sem multa a partir de janeiro (avisando com 30 dias de antecedência.. ô, inferno...), só entregarei o apartamento definitivamente lá pelo começo de fevereiro de 2015. Ou seja, terei de voltar ainda uma vez aqui em São Paulo.

A segunda "janela" é depois da minha mudança para a casa dos meus pais, em Brasília, e vai até meados de março, quando pego o avião de vez. Nesse período, pretendo intensificar as pesquisas, principalmente as mais específicas (vagas de trabalho, por exemplo...), estudar muito francês (e inglês e alemão também, vai), definir o que estiver faltando e tomar medidas na prática (passar procuração, por exemplo). Vai ser intenso!

Uma coisa está resolvida em linhas gerais, pelo menos: nada mesmo de HSBC pra mim. Pretendo trocar uma parte dos meu suado dinheirinho para o primeiro mês lá em Montreal e depois levo o resto, escolhendo o que for mais vantajoso no momento. Quanto aos bancos, estou entre o Banque de Montréal, o Scotia Bank e o RBC. Como nenhum deles aceita que o futuro imigrante abra conta antes de chegar (ou exige um tanto de coisas para isso), quando estiver em Montreal pretendo dar uma passeada por eles, ver o que têm a oferecer e escolher aquele que me fizer a melhor proposta (principalmente em relação a cartão de crédito, de forma a ir construindo meu histórico).

Os estudos são outra coisa que eu acho que terão de esperar. Apesar da vontade de voltar para uma universidade, eu vou esperar chegar mesmo em Montreal, sentir a pressão e aí, dependendo do rumo das coisas, tocar essa ideia adiante. Como já falei antes, vou tentar arrumar emprego e pretendo dar um carinho todo especial para melhorar meu inglês e francês, seja fazendo cursos bancados pelo governo, seja pagando do meu próprio bolso. Daí, dependendo do rumo que as coisas tomarem, eu tento voltar às cadeiras universitárias após meu primeiro ano de Canadá.

Por enquanto, é isso! Parece simples, mas tenho que confessar que já estou começando a sentir o gostinho da ansiedade mais acentuado hehehe.

À bientôt!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Últimas férias no Brasil!

E é isso, minha gente: estou no finzinho das minhas últimas férias como trabalhador no Brasil. Se isso fez alguma diferença? Bom, na viagem que fiz, não. Mas no resto? Muita!

Não tinha nenhuma viagem dos sonhos programada ou coisa do tipo. A única coisa que eu queria é que fosse uma viagem tranquila, que me fizesse esquecer trabalho e imigração, que eu curtisse do primeiro ao último dia, tudo pra poder voltar renovado e encarar o que vem pela frente. E, salvo um ou dois percalços nada mirabolantes pelo caminho, assim foi!

O relato da viagem em si talvez fique para outra hora. Aliás, fui para fora do Brasil, passei por alguns controles de fronteira e, caso alguém aí esteja se perguntando, não, ninguém fez nenhuma indagação sobre o meu visto de imigrante colado no passaporte. Obviamente, não quer dizer que ninguém nunca fará (eu soube de um caso em que o cara teve de responder uma ou duas perguntas sobre o visto), mas, aparentemente, ninguém tá nem aí com o seu visto de imigrante de outro país.

O que rolou foi um daqueles momentos em que você, por um breve instante, consegue vislumbrar algo além do seu próprio mundo. Algo como Wendy, João e Miguel faziam naquele momento entre estar dormindo e acordado, no qual o véu que separa o mundo da Terra do Nunca pode ser rasgado. Foi um daqueles momentos em que me dou conta da minha pequenez diante do mundo e do tanto que os meus receios, embora embasados no mundo material e concreto do meu dia a dia, são insignificantes, ridículos e pueris diante da grandeza de tudo ao meu redor.

Um dia, durante a viagem, parei para pensar que, naquele momento, o pessoal no trabalho estaria fazendo as mesmas coisas de sempre, sem ter a menor noção de que, a meio mundo de distância, tantas outras coisas estavam acontecendo com outras pessoas, em outros lugares. Da mesma forma, eu estava presenciando uma ínfima parcela da realidade, sem me dar conta de que, a outro meio mundo de distância, outras pessoas estavam presenciando outras parcelas da realidade. Cada um de nós, talvez, absorto no "todo" ao nosso redor, sem percebermos que o todo, de fato, é tão maior e tão  mais abrangente, que as nossas vidas, a nossa rotina, nossos problema se nossas alegrias são ridiculamente pequenos.

Depois dessa pequena jornada interna, tive de encarar um outro tipo de realidade: minha avó morreu. Eu não era exatamente próximo dela, mas acompanhei, mesmo à distância, a luta dela contra doença, pobreza e abandono. Algumas almas boas tornaram o fim dela menos doloroso e mais digno. Mas toda a situação dela, que foi uma pessoa que teve outras pessoas trabalhando para ela no passado de bonança, me fizeram pensar em quanto a minha (nossa) tentativa de controlar tudo pode ser apenas desgastante e infrutífera. Não, não deixei de achar que é melhor prevenir que remediar. Mas ficou claro pra mim que certas coisas simplesmente estão bem além do nosso controle. Assim como todas as parcelas de realidade que não podemos contemplar, como o que um pescador está fazendo numa vila da China enquanto eu digito esse texto, ou o que eu estarei fazendo quando você estiver lendo estas linhas.

De modo que, sim, imigrar, mudar de país, deixar o certo para trás e abraçar um duvidoso que apresenta tantas ramificações que você simplesmente não sabe onde pode dar continua sendo um tanto assustador. Não dá pra saber onde eu vou parar. Mas, além de todos os outros motivos para imigrar, passei a curtir mais a ideia de estar a par de uma outra parcela ínfima de realidade.

À bientôt!

sábado, 20 de setembro de 2014

Anki

Mais um post da série "Descobrindo a tecnologia depois dos 30" ou "Uia, que negocinho legal!", iniciada no post passado sobre podcasts.

Este aqui eu já uso há alguns anos, mas o que é bom a gente recomenda, né? Então vamos lá: pra quem não conhece, o ANKI é um programa de computador (disponível também como aplicativo para celulares do tipo telefone-ixperto, ou smartphones) que se baseia no princípio de flashcards.

Pera! O que são flashcards?


Vou dar minha própria explicação. Basicamente, flashcard é o nome dado aos cartõezinhos muito utilizados por diversas pessoas para tentar aprender ou decorar alguma coisa. Eles são muito utilizados no aprendizado de idiomas, mas podem ser usados para quase tudo, desde fórmulas matemáticas, até reconhecimento de pinturas famosas, passando por datas e acontecimentos históricos.

Eles nada mais são do que pedaços de papel-cartão recortados geralmente em formas retangulares. Em um dos lados, você escreve a "pergunta" e, no verso, a "resposta". Um exemplo:


Frente

Verso


Nos flashcards tradicionais, ou seja, em que você compra ou faz tudo no papel, teoricamente você faz um cartão pra cada dupla pergunta-resposta e carrega com você para todo canto. Aí, de vez em quando, enquanto está com tempo ocioso (fila de banco, sala de espera do médico, esperando passar os comerciais entre os blocos do seu programa de tv favorito, etc), você puxa um cartãozinho, lê a pergunta e tenta responder. Se acertar, coloca o cartãozinho no fim da fila; se errar, tem de colocar esse cartãozinho para ser revisto dentro de período mais curto.

Embora muito utilizado, o sistema tradicional tem desvantagens óbvias: você leva um bom tempo para confeccionar cada cartão; se errar, tem de pegar um novo; se quiser mudar algo, também; fora o fato de ter de carregar os cartões com você. Quando você tem só algumas dezenas, tá ótimo, mas experimenta levar 3.000 cartões com ideogramas chineses pra cima e pra baixo, por exemplo.




E a tecnologia com isso?


Bom, se existem programa de computador e aplicativos até para diagnosticar a cor do cocô do seu bebê, obviamente várias pessoas já fizeram suas versões de flashcards para a era digital. Eu já usei alguns, mas os que eu mais curti foram o MemoryLifter e o Anki. A única desvantagem do primeiro, na minha opinião, é que ele é mais "pesado", ocupa mais memória e tende a gerar arquivos maiores que o Anki. Fora isso, é tão bom quanto.

Os programas têm tudo que os flashcards tradicionais têm, e mais. Todos os inconvenientes dos cartões físicos acabam, já que você pode editar os cartões à vontade, criar grupos, tags e categorias, associar sons e imagens a um determinado cartão, e, obviamente, não pesa nada levá-lo como aplicativo do seu celular. Outra vantagem desses programas/aplicativos é que eles usam algoritmos para ditar os intervalos em que o cartão será exibido a você novamente. No início, em geral, o cartão é apresentado duas vezes no mesmo dia. Daí, no dia seguinte, uma vez. Daí você fica uns dois ou três dias sem ver o cartão e então, pimba, lá ele aparece de novo. Cinco dias depois, olha lá ele de novo, e por aí vai. Você pode fazer a seleção de quão bem se lembrou do cartão escolhendo opções como 0 (não lembrou), 1 (lembrou, mas só depois de pensar muito), 2 (lembrou, mas ainda prendeu um pouco a respiração antes de olhar a resposta) e 3 (lembrou no mesmo instante e sem dúvida alguma). Com isso, você não precisa se preocupar em quando verá o cartão novamente, pois o programa pega essa tarefa para si.

E por que o Anki?


Além de ser mais rápido e mais leve do que os programas e aplicativos da concorrência, o Anki te dá um grande controle sobre como você vai estudar. Desde seleção de grupos específicos até a opção de ditar quanto tempo você quer que o cartão permaneça ativo (ou seja, sendo mostrado a você de vez em quando), passando pela facilidade com que você pode criar e editar os cartões, o Anki, até o momento, é a melhor ferramenta do tipo pra mim. Ele também permite que você crie os cartões no computador e depois estude no celular, ao longo do dia. A sincronização é perfeita.

Outro ponto positivo do Anki é que ele aceita uma boa parte, se não todos, dos alfabetos e sistemas de escrita das línguas do mundo. Consigo estudar russo digitando diretamente os caracteres do alfabeto cirílico. Em outros programas, nada que não seja o alfabeto latino é aceito - muitas vezes, nem acentos - e aí, nesses casos, só sobra a opção de fazer uma imagem a partir da palavra e colar no cartão, de forma que o programa não o reconheça como texto e, sim, como imagem.




Essa é uma tela inicial padrão do meu Anki. Dá pra ver ali que, pra hoje, eu tenho 975 cartões pra revisar e 92 novos pra aprender. Estão listadas também as categorias (a maior parte é de idiomas, claro), e dentro dessas categorias há sub-categorias (não mostradas na imagem). Eu posso, por exemplo, criar uma subcategoria só de verbos irregulares em alemão dentro da categoria "Alemão"  ou  uma subcategoria de expressões idiomáticas em "Francês". Isso ajuda o célebro a fazer associações, e é uma mão na roda para aprender aquele vocabulário que não entra na sua cabeça de jeito nenhum, conjugações verbais do capeta e declinações nervosas.

Eu tenho usado o sistema há uns dois anos, e posso dizer que, como bom amante de idiomas, é muito bom ver que uma palavra que você encontrou pela primeira vez há 6 meses ou 1 ano continua lá, em algum lugar do seu cérebro, mesmo que você não a tenha usado. E melhor ainda é saber que, mesmo que uma ou outra palavra tenha escapado nesse meio-tempo, ela vai aparecer de novo e você pode recomeçar o ciclo, sem se preocupar.

Pra finalizar, falei basicamente do Anki, mas não quer dizer que outros não sirvam. Só paguei pau esse tanto porque é o aplicativo que uso já há bastante tempo, e o resultado tem sido muito bom. O que importa, no fim das contas, é o seu estudo, e se você não se dispuser a revisar as palavras diariamente, não tem sistema, nem de papel, nem digital, que vá dar jeito no seu vocabulário.

Portanto, se você é tecnologicamente atrasado como eu e está penando para decorar que peur é feminino em francês ou que o Partizip II do verbo alemão bleiben é geblieben, taí uma boa maneira de tentar consertar isso.

À bientôt!