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terça-feira, 21 de junho de 2016

O Curso de Inglês da McGill - Epílogo II

Essa me pegou totalmente desprevenido.

Certo dia, resolvi ir ao supermercado. Calcei o tênis, peguei minha mochila e só quando já estava prontinho para a guerra foi que vi que havia deixado o celular em cima da cama. Bateu a preguiça de tirar parte do traje de combate só para ir pegar o celular, então fui sem mesmo. O supermercado fica quase do lado de casa, então achei que, só dessa vez, ele ia ficar esperando eu voltar.

Fui, voltei e, como Murphy é Murphy, tinha uma ligação perdida. Número desconhecido. "Telemarketing", pensei, "ou então alguém que discou o número errado". Se fosse a segunda opção, logo eu provavelmente receberia uma mensagem de voz com a pessoa se desculpando (pois é, já aconteceu mais de uma vez.)

Comecei a guardar as coisas e o celular deu sinal de vida indicando mensagem de voz. "Ahá", pensei, "taí. Número errado". Coloquei pra ouvir enquanto guardava os limões, mas parei praticamente assim que a mensagem começou:

"Oi, Doug, aqui é a Fulana da McGill. Estou ligando a respeito do seu prêmio. Por favor, entre em contato, pois preciso saber como você vai querer fazer. Estarei até as 5 da tarde aqui; se não puder falar, estarei de volta na terça-feira. Meu número é..."

Prêmio? A primeira coisa que veio à minha cabeça é que era algum golpe (sim, também tem por aqui). Eu ia ligar, eles iam dizer que eu ganhei, sei lá, uma barra de ouro, mas que precisam do número do meu cartão de crédito para confirmar a identidade. Ou qualquer outra bizarrice do gênero. Porém, o fato de a Fulana falar meu nome e falar que era da McGill me atiçou. Ligar de volta era praticamente perda de tempo porque já havia passado das 5, mas tentei. Ninguém atendeu. Daí fiquei pensando que era algum engano, porque eu não estava participando de concurso algum. Não dei meu nome pra concorrer a nada, então, se a ligação tinha vindo de fato da McGill, com certeza era algum engano.

Pois bem, no dia seguinte, fui pegar a correspondência e — tcham, tcham! — tinha uma cartinha da McGill. Abri, li, e quase caí pra trás. Transcrevo:

"Dear Mr. Doug,

Please accept my sincere congratulations on being selected as the recipient of the [nome do prêmio] for the 2015/2016 academic year.

You are now a member of an elite group of learners - those who are prizewinners for the year's most outstanding academic record in their program or course. For most students enrolled in programs and courses offered by the School, pursuing further education must be balanced with many other commitments, making this achievement all the more significant. You should be proud of your achievement as we are proud of you.

The amount of [valor do prêmio] has been deposited in your bank account according to the information we have on file.

Sincerely,"

Fala sério!!!! Eu nem sabia que esse prêmio existia!! Foi uma surpresa sensacional! E — descobri na terça seguinte — foi por isso que a tia da McGill ligou: eu não tinha incluído informações bancárias no meu cadastro e ela queria saber se mandava o cheque pelo correio ou se eu iria lá buscar. Oh, Canada!!

Lembrei que o site da McGill dá a opção da gente conferir o histórico não-oficial para ver as notas e tá bonito, viu? Nota "A" nos dois módulos que fiz, mais "Lista de Honra do Reitor" e, agora, "Ganhador do Prêmio X"! Filma eu, Galvão!



À bientôt!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

O Curso de Inglês da McGill - Epílogo

Não bastasse a McGill ter sido responsável por alguns dos meus melhores dias até agora aqui em Montreal, olha o que eles ainda me deram no final:




Chegou na hora certa pra dar me dar novo ânimo em relação ao francês. Quem sabe chego lá um dia também na língua de Molière, né?

À bientôt!

sábado, 1 de agosto de 2015

O Curso de Inglês da McGill - Parte III: O Fim

Ontem chegou ao fim o meu curso de inglês na McGill.


Mas vamos por partes.

Um novo começo

Se você acompanha o blogue há algum tempo, deve saber que comecei o último módulo do curso com o pé esquerdo. Não só fui separado do meu melhor amigo de sala de aula, como de outros colegas com quem me dava bem. Adicione-se à mistura o cidadão que começou a me perseguir pra todo lado e que — numa pegadinha safada do Universo — ficou na mesma turma que eu. Toda a carga positiva e motivacional que eu trouxe do módulo anterior se esvaiu em alguns dias apenas. Depois de seis semanas excelentes naquele módulo, eu achei que teria seis semanas do cão. Mas consegui trocar de sala por causa do perseguidor implacável (aquele abraço, "amigão"! Você, que era meu problema, foi parte da solução!), e então o Universo teve que ir atrás de outro pra zoar.

O módulo anterior, que eles chamam de Avançado A, tinha foco no inglês voltado para a universidade. Foram várias apresentações orais (individuais e em grupo), trabalhos escritos, bastante vocabulário (dá-lhe phrasal verbs), muitas discussões sobre temas variados. Esse módulo de agora, o Avançado B, foi voltado para o inglês profissional, de negócios. Achei o primeiro bem mais puxado que este, não só em termos do número de trabalhos e avaliações, como em relação a lições de casa e atividades em sala de aula. Não quer dizer que tenhamos ficado ociosos em algum momento (isso não ocorre de jeito nenhum), mas realmente há uma diferença de ritmo entre os dois módulos.

No Avançado B, tivemos muito vocabulário voltado para reuniões de negócios. Tivemos também aulas sobre como redigir e-mails corporativos, de reclamação, cover letters e um pouco sobre currículos. Algumas avaliações eram simulações de reuniões de empresas (ganhei o infame papel de CEO do McDonald's em uma delas — rá!) e de entrevistas de emprego. Tivemos que ler um livro também, cujos capítulos eram apresentados semanalmente por uma dupla de alunos, envolvendo um pouco de discussão (mas bem menos do que eu esperava) e atividades de compreensão. Aprendemos também técnicas para ajudar a redigir um texto persuasivo. Enfim, foi um curso bem abrangente. Tivemos tempo para explorar cada tema, fazer as atividades, trabalhos e avaliações, e passar para o assunto seguinte. Ou seja, teve coisa pra caramba, mas ainda assim, foi bem mais tranquilo do que o Avançado A, na minha opinião.

Uma característica do curso da McGill que não lembro se comentei nos outros posts é que eles têm um programa de "parceiros de conversação". São, em geral, alunos universitários nativos que vão até a escola uma vez por semana e ficam de uma a duas horas à disposição para quem quiser conversar. A cada dia, tínhamos um parceiro diferente. A maioria do pessoal dispensava a oportunidade (assim como faziam com as tardes de guided studies, que eram períodos reservados para tirar dúvidas com os professores, pedir explicações mais aprofundadas e por aí vai), mas eu estava lá toda vez que um dos parceiros aparecia, e ficava batendo papo do primeiro ao último minuto. Não só era uma excelente oportunidade de ter um outro anglófono nativo conversando com você — e te corrigindo — como também eram mais uma maneira de fazer valer o dinheiro que investi no curso, néam? Aliás, nesse quesito, acho que fiz valer bem: usei biblioteca, laboratório, computadores, projetor, gravador, tudo que estava à minha disposição para aprender.

Os professores não foram os mesmos do módulo passado, como era de se esperar. Mas não ficaram devendo nada aos anteriores: o meu professor da manhã era excelente. Ele focava na parte escrita, e pouquíssimas vezes na vida inteira eu recebi comentários tão detalhados de um professor sobre o meu trabalho em sala. Cada avaliação ou trabalho que entregávamos para ele era devolvido com uma folha extra, na qual ele destrinchava não só os pontos concedidos, mas também o que estava bom e o que estava ruim. Aquela coisa de escrever só "Muito bom! Parabéns! Continue assim!" na sua prova ou texto não existe pra ele. Vem sempre um parágrafo enorme, personalizado, com todos os pontos positivos e negativos.

A professora da tarde era sempre muito animada. Não tive tanto retorno dela quanto tive do professor da manhã, mas ela é o tipo de professora que se coloca junto com os alunos em sala de aula. Sempre disposta a ajudar, sempre tentando levantar o ânimo da turma (e precisa ser assim mesmo, ainda mais numa sala cheia de pessoas cuja média de idade é 23, 24 anos e que estavam sempre pescando de sono com a barriga estufada depois do almoço) e sempre focando mais no aprendizado dos alunos do que no prazo do trabalho X. Minha única ressalva a ela — e talvez nem seja a ela e, sim, à estrutura do módulo — é que discutimos muito pouco o livro que tivemos que ler. A leitura ocupou tanto tempo, e é um livro que tem potencial para boas conversas e discussões, mas não fizemos mais do que trocar uma ou duas frases durante as apresentações dos capítulos. Aliás, acho que tivemos bem menos chance de praticar a expressão oral neste módulo.

A Turma

Muitas das pessoas que conheci no módulo anterior estavam terminando o certificado naquela sessão (pode parecer esquisito, mas o Avançado A não é pré-requisito para o Avançado B. Você pode cursar na ordem que quiser, e um não interfere no outro) ou simplesmente não iam continuar no curso. Daí o meu número de colegas de classe conhecidos foi consideravelmente reduzido. Mas é pra isso que servem os novos alunos, né não?

Tá certo que eu e o meu amigo quebeco voltamos a ser Super-Gêmeos-Ativar assim que eu fui mudado pra sala dele. Aliás, o professor da manhã puxou a nossa orelha já no meu primeiro dia, porque nós dois começamos a tricotar e colocar o papo em dia durante o que era pra ser uma atividade individual. Então, naturalmente, eu passava 95% do tempo com ele. Mas isso não me impediu de conhecer outras pessoas. Conheci dois caras da Líbia, ambos pessoas sensacionais. Fiz quase todas as avaliações em grupo desse módulo com um deles (os grupos eram definidos por sorteio), de modo que a gente passou um bom tempo juntos. Conheci também uma menina do Tibete e outra da China que tinham tão pouco sotaque dos idiomas delas que eu tive que elogiá-las. E, por fim, dos que ficaram mais próximos, conheci um italiano figuraça, daquele bem estereótipo, que está sempre comendo algum tipo de massa e que fala Good morning como se estivesse gritando, e com um sotaque tão pesado que você acha que está assistindo um capítulo de Terra Nostra.




Houve outros: chineses, colombianos, mexicanos, argelinos, marroquinos, malianos. Todos bastante abertos, simpáticos e receptivos. Claro que ninguém fica amigão de todo mundo. Mas mesmo aqueles com quem tive pouco contato eram sempre calorosos e falavam comigo com um sorriso nos lábios.

Algumas atividades nos obrigaram a sair juntos fora do período de aulas para visitar lugares em Montreal ou reunir material para apresentações. E isso faz com que a gente expanda um pouco a relação que é, via de regra, uma coisa que só existe na sala de aula. Nessa última semana, para comemorar o fim da sessão, fomos todos almoçar em um restaurante mexicano perto do Mercado Jean Talon. E ontem teve o churrasco oficial de despedida da sessão de verão, bancado pela McGill para todos os alunos de todos os níveis do curso. Fui o último a ir embora, e, se você lembrar que eu já disse algumas vezes aqui que não sou exatamente a pessoa mais sociável do mundo, isso dá a dimensão do quanto eu curti o curso, as pessoas e a escola.

O fim

O que explica porque eu estou desde ontem à noite com uma sensação de melancolia que me faz suspirar a cada dez minutos. Se você, caro(a) leitor(a), já fez um intercâmbio na vida, principalmente quando novo(a), e se esse intercâmbio foi, como na maioria dos casos, uma experiência inesquecível, você deve lembrar como foi difícil a hora de ter de se despedir de todos os seus novos amigos, entrar no avião e ter que voltar para o seu país e a sua "vida real". Eu fiz isso quando tinha 19 anos. Passei dois meses fora e foi uma das melhores experiências da minha vida. O momento de ir embora foi terrível. Brasileiro e dramático por natureza, chorei baldes na noite anterior à minha partida abraçado a um amigo alemão durante a festa de despedida que tinham organizado pra mim e pra uma venezuelana. Apesar de todo o drama, eu achava que manteria contato com todos, que seríamos como um seriado americano, todos vivendo em seus respectivos países, mas com um lindo laço de amizade unindo todo mundo através das eras... e, quinze anos depois, eu tenho contato apenas com duas pessoas daquela época, e ambas são brasileiras.

O fato é que a gente acaba perdendo mesmo o contato com a maior parte dos — senão todos os — amigos e colegas que fazemos nesses cursos e vivências no exterior. E quanto mais o tempo passa, pior. Há sempre juras, promessas de manter o contato, de escrever todos os meses ou todas as semanas, de todo mundo se reencontrar em um, cinco, dez anos... mas a verdade é que poucas vezes isso de fato acontece. Pode até ser verdade nos primeiros meses e, com alguma sorte, nos primeiros anos depois da vivência, mas a tendência é cada um seguir sua vida e só as lembranças ficarem. E não há nada de errado com isso, embora possa tornar uma nova despedida numa situação semelhante um tanto mais... nostálgica.

Ontem, à medida que o pessoal foi deixando o churrasco, eu ouvi as mesmas palavras que ouvi há quinze anos: "temos que manter contato!", "vou te escrever!", "não some!", "vai me visitar no meu país, vou ficar feliz em te receber lá!" e por aí vai. E trocam-se e-mails, Facebook, até números de telefone com códigos de DDI que eu nunca vi, tudo com a certeza de que a tecnologia facilitará a continuidade da amizade. Abraços, apertos de mão calorosos, "aprendi muito com você", "foi muito bom ter você na turma", e até torcida de uma professora, que chegou para mim e para o quebeco e disse que a gente deve continuar a amizade fora da sala já que nos damos tão bem. Juramos que sim, falo que vou fazer um curso de francês em setembro e ele vai ter que ficar aturando meu sotaque brasileiro tentando falar francês quebequense. Ele ri e diz que vai precisar fazer isso acompanhado de bastante cerveja e vídeo game, porque só assim pra valer a pena. Minha vez de rir. Mas a verdade é que não sabemos se vamos nos ver de novo. Era uma excelente amizade de sala de aula; agora que a sala de aula não existe mais, vamos ter vontade e disposição para ir além dela?

Independente da resposta, é hora de seguir adiante. O curso da McGill me proporcionou muito mais do que eu esperava a princípio. Foi o melhor comitê de boas-vindas que eu poderia ter! Eu me matriculei com o objetivo de destravar no inglês. Consegui isso, mas muito mais. Conheci gente a dar com o rodo, virei queridinho de alguns professores, fiquei mais consciente de algumas oportunidades, fui aceito em um grupo de pessoas de um jeito que eu não era há muito tempo, criei laços, descobri novos horizontes, fiquei mais alegre, mais leve, mais animado, como há muito tempo não ficava; ganhei mais confiança em mim mesmo, me senti mais em casa, dei risada com gente de lugares que eu talvez nunca visite, tive a chance de ajudar pessoas, fazer a diferença em alguns momentos, contribuir para algo e receber os frutos disso; enfim, foram três meses realmente intensos e que me fizeram um bem imenso! Mas agora é hora de usar tudo isso como combustível para começar a vida pra valer por aqui — sim, porque dessa vez, os outros estão indo embora e eu estou ficando. Minha vida real é aqui.

Afinal, vida de estudante internacional é boa, mas não enche a barriga nem paga as contas da internet que estou usando para escrever este poema, néam?

À bientôt!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Três meses de Canadá!

Segunda-feira passada, completei três meses de Canadá! Agora posso dar  meu testemunho de fé: realmente, passa muito rápido!





Olhando pra trás, o primeiro mês foi o mais lento. Mesmo com todas as pendengas pra resolver (tirar documentos, comprar número de celular, procurar apartamento, etc), lembro que parecia que estava levando uma eternidade para cada semana passar. E eu achando ótimo, porque o que mais queria (e ainda quero) é ter tempo para absorver as novidades. O segundo mês foi gasto com menos obrigações e mais passeios. Foi também o mês da mudança pro apê que aluguei e do início das aulas na McGill. E o terceiro mês foi gasto única e exclusivamente com essas aulas, e acho que o tempo que elas me tomaram foi o grande responsável pela sensação de vídeo acelerado.

Então, depois de três meses, estou adaptado? Acho que seria presunçoso responder "sim", mas também não posso dizer "não". Algumas coisas que eram um bicho de sete cabeças no início e faziam com que eu me sentisse o Chico Bento (como usar totens de auto-atendimento no supermercado ou não fazer ideia de pra onde a linha verde do metrô vai) já não despertam tanto receio ou estranheza. Outras, como pensar o tempo todo que meu francês precisa melhorar pra anteontem, me lembram que ainda tem muito chão pela frente.

Ainda que não esteja me sentindo totalmente "em casa", muita coisa já mudou pra melhor nesses três meses. Continuo com as minhas corridinhas três ou quatro vezes por semana; estou mais próximo de pessoas aqui do que jamais estive em sete anos de São Paulo; posso andar com geringonças tecnológicas na rua sem medo de que algum trombadinha passe correndo e leve ou que algum infeliz resolva brincar de sequestro-relâmpago comigo; também posso percorrer o mesmo caminho que uma mulher, ficando coincidentemente atrás dela o tempo todo, sem que ela ache que eu vou assaltá-la ou estuprá-la (em São Paulo, e provavelmente no resto do Brasil, bastavam 30 segundos de trajeto em comum para qualquer mulher começar a espiar por cima do ombro a cada 5 passos e ver se eu ainda estava atrás dela); tenho REALMENTE vontade de ir pra fora de casa e aproveitar meu tempo livre a céu aberto; e destravei completamente no inglês (a ponto de me assustar quando alguém me fala "bonjour" na rua).

Falando no inglês, terminei o módulo que estava cursando na McGill na sexta-feira passada. Sem dúvidas, me ajudou muuuuito!! Por mais que meu bloqueio fosse mais psicológico que linguístico, estar num ambiente de sala de aula foi de grande valia. E, de quebra, a gente sempre aprende algo novo, né? Tem sempre uma palavra nova, um phrasal verb do inferno, e até gramática que você não sabia que não dominava. Eu, por exemplo, me dei conta que nunca tinha estudado pontuação em inglês formalmente. Pontuava misturando regras do português com o que eu via em textos por aí (e até que dava certo). Mas foi bom sentar e ver como se faz o negócio direito. Além disso, conheci pessoas de vários cantos do mundo. E o mais legal desse processo é você perceber que os rótulos que você mesmo põe no início ("o cara do Irã", "a menina do Congo") vão sendo substituídos à medida que você passa a enxergar esse pessoal como gente de carne e osso como você. Então, eles passam a ser "meu colega Asghar" ou "aquela fofa da Martina". Caem as fronteiras, erguem-se as amizades, mesmo que sejam de sala de aula.

E foi tão legal esse período de aulas que realmente fiquei nostálgico no último dia. Tivemos festa de confraternização em que cada um levou um prato ou bebida típicos de seu país. Eu não cozinho (ainda), então saí na chuva e paguei caro num Guaraná Antártica, tudo pra ouvir o comentário "é bem doce" - mas faz parte, né? No fim, passei no módulo com A+, ganhei elogios mil dos professores (minha professora da tarde repetiu a frase "ainda não sei o que você está fazendo aqui" várias vezes ao longo das últimas semanas), e, contrariamente ao que todo mundo esperava, resolvi seguir adiante e fazer o último módulo. Só falta mais um mesmo, né? Ter um certificado a mais no currículo não machuca. E não é como se eu tivesse abarrotado de coisas para fazer. Embora exista a pressão interna pra dar um rumo pra vida, ainda estou tentando me manter fiel à ideia de dedicar o primeiro ano aos idiomas. Vamos ver se aguento!

E que venham os próximos meses!

À bientôt!

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O Curso de Inglês da McGill - Parte II

No post anterior, falei um pouco do meu objetivo, das expectativas e das primeiras impressões em relação ao curso de inglês que estou fazendo na McGill. Agora, vamos chamar o Jack e destrinchar em partes minha avaliação após quase quatro semanas de curso.

Nível da turma

Se você leu os posts anteriores relacionados ao curso, sabe que fiquei super feliz (embora surpreso) quando fui classificado no nível avançado, não só por constatar que meu inglês talvez não estivesse tão ruim assim, como também pela economia que eu faria. Vim pra cá pensando que talvez precisasse cursar uns quatro níveis do programa da McGill, então economizar a grana de dois módulos realmente me aliviou financeiramente.

Quando comecei na turma, achei que seria um dos alunos com nível mais macarrônico. Afinal de contas, terminando esse curso você já cumpre o requisito de idioma para ingressar na graduação, mestrado ou doutorado na McGill. Então, poxa, o que você espera? Que o nível avançado seja fodasticamente difícil e que as pessoas ali recitem Shakespeare enquanto dormem, né?

Só que não é bem assim.

Eu comentei que meus colegas de turma vêm de várias partes do mundo. Então, é claro que todos têm sotaque (inclusive eu), uns mais fáceis de entender, outros mais difíceis. Se o problema fosse o sotaque, tudo bem. Mas gente... há pessoas na minha turma que mal conseguem terminar uma frase quando abrem a boca. Não são a maioria de forma alguma, mas existem essas pessoas. A grande parte da turma começa uma frase e tem de recomeçar porque não sabe concluir. Fazem vários errinhos de concordância, tempo verbal, uso de artigos e pronúncia. Na escrita, a coisa é pior: não só erros de ortografia, mas de coerência, lógica e estrutura. Ouvi a professora da tarde perguntar pra pelo menos dois alunos se eles não se sentiriam melhor num nível mais baixo. A resposta, claro, é não. Afinal de contas, se eles foram aprovados nos níveis anteriores, por que raios teriam de regredir, não é? No meu caso e no do quebeco, por exemplo, como é a nossa primeira sessão, poderia até ter havido um erro de avaliação. Afinal, os avaliadores são humanos e eles têm, basicamente, um texto de algumas linhas  e uma conversa de, em média, 10 minutos com o aluno. Então poderiam ter cometido um engano. Mas quando o aluno já faz aula na escola há um tempo, é passado adiante e chega no nível avançado sem conseguir se expressar... difícil não achar a avaliação dos professores em sala deixa a desejar.

Fora isso, a turma é show! Nunca me imaginei dando risada com um iraniano de 40 anos (a média de idade parece estar em algum lugar ali pelos 25, 26 anos, mas tem um punhado com mais de 30), apresentando trabalho com uma vietnamita, ouvindo um pouco de história do Oriente Médio por meio de uma libanesa ou sendo comido vivo com os olhos por uma equatoriana. E, com gente com nomes como Rola, Porras e Aladin (eu juro!!!), não tem como você não dar umas risadas.

Nível das Aulas

Contrariamente ao que se poderia esperar, dado o nível da turma, o das aulas é diferente. Dá pra dizer que o módulo avançado realmente tem conteúdo avançado. Embora os professores tenham excelente dicção e falem pausadamente (o que facilita a opinião de qualquer um), eles falam sem parar. Então, se a sua compreensão não é lá muito boa, você pode se perder ou deixar de notar alguns detalhes. Já teve gente que deixou de entregar tarefas e trabalhos porque entendeu mal as datas ou não tinha entendido que era pra imprimir levar fisicamente em vez de mandar por e-mail.

Da mesma forma, não deixam passar nada na escrita. Comeu uma letra, errou o tempo verbal, trocou ripe por rape (aconteceu! Eu juro, de novo!!), pimba! Vai ter pontinho descontado. Se vai apresentar um trabalho oral e fica claro que você não domina o assunto e tem dificuldade para se expressar com as suas palavras, toma mais desconto. Há leituras com nível acadêmico para serem feitas, e trabalhos em que a escrita acadêmica é exigida. Em suma, a turma, no geral, pode estar mais no nível intermediário, mas o conteúdo do módulo realmente está mais pra avançado.


Professores

Como falei no post anterior, tenho dois professores. O professor da manhã cuida mais da parte escrita, enquanto a da tarde foca mais na parte oral. 

Eu tenho sentimentos confiantes em relação ao professor da manhã. Achei ele um tanto perdido nos primeiros dias. Não perdido no sentido de não saber o conteúdo ou como usar o projetor, mas, sim, no sentido de já estar fazendo a mesma coisa há tanto tempo que ele esquece que, pra turma, muita coisa é novidade. Então foi bem comum vê-lo começando a falar de uma coisa como se a gente já soubesse, daí ele perceber que ninguém estava acompanhando o que ele estava dizendo e aí ele se dar conta que não tinha de fato explicado nada. Isso desapareceu na segunda semana, mas foi um tanto desestimulante.

Esse professor faz o tipo sério e rígido. Dificilmente faz alguma piada e está 100% do tempo focado no conteúdo que precisa passar e no desempenho dos alunos. Ele não tem medo de chamar a atenção de um aluno individualmente ou da turma como um todo. Semana passada, chegou a dizer na lata que ele via muitos alunos ali que não tinham nível para ir para a universidade, tanto pelo nível de inglês como pelo de responsabilidade. Por outro lado, ele está sempre disponível para ajudar. Se você manda um e-mail, em geral ele responde depois de algumas horas. Se você precisa discutir algo com ele, ele marca um horário na sala dele ou abre um espaço na agenda de forma que facilite a sua vida. Ele realmente se dispõe a ajudar, mas ele segue o que parece ser o estilo norte-americano de ensino: ele passa o básico, o aluno vai atrás do resto e, se tiver dúvida, volta ao professor. Não tem essa de ficar correndo atrás do aluno e dizendo o que ele precisa fazer.

A professora da tarde é mais light em certos aspectos. A aula dela é sempre mais informal, ela faz piadas, procura estimular todo mundo a falar levantando temas polêmicos ou simplesmente pedindo a opinião. Corrige pacientemente cada erro de pronúncia, encoraja os alunos a reformular as frases ou sugere alternativas, tudo de um jeito que não tem o peso da palavra "erro". Ainda assim, experimenta chegar atrasado(a) na aula dela ou deixar de entregar um trabalho no prazo! Toda a ternura de vovó que faz bolo de fubá desaparece, e a mulher consegue fazer você se sentir cocô de mosca só com um olhar e duas ou três palavras. É de dar pena de quem está nessa situação.

Em suma, os dois são bastante competentes e responsáveis, sabem bastante sobre a língua e também como transmitir. Com uma turma em nível adequado, com certeza poderiam fazer bem mais, mas aí já não é com eles.

Volume de trabalho

Todos os dias de todas as semanas têm atividades em sala e para fazer em casa. Podem ser exercícios de vocabulário, gramática, vídeos para assistir, transcrições para fazer, leituras para fazer, parágrafos para escrever... enfim, tem de tudo. Eles ocupam um bom tempo dos horários de aula e um bom número de horas depois (varia de acordo com o dia e a semana, mas eu diria que pelo menos duas depois do curso são necessárias todos os dias para fazer tudo).

Fora isso, toda semana tem, pelo menos, um "grande" trabalho para ser entregue, com regras, prazo, notas e o pacote todo. Na primeira semana, tive que assistir o vídeo de uma palestra gravada e fazer uma resenha crítica dela. Na segunda, pude escolher uma palestra e fiz o mesmo, mas, dessa vez, em sala de aula (a primeira, mandamos por e-mail). Além disso, tive que fazer uma apresentação oral de 15 minutos sobre um tema que eu quisesse (falei sobre o Brasil, mas NÃO, não falei de samba, praias, carnaval, futebol, nem bossa nova).

Ainda na segunda semana, tive que ler um artigo escolhido pela professora e explicá-lo a um grupo de pessoas. Essa atividade foi gravada com um aparelho para a professora poder escutar fora da aula (depois, os arquivos são disponibilizados no site da McGill para os alunos escutarem e perceberam os erros indicados na ficha de avaliação). Na terceira semana, tive uma atividade semelhante: tive que ouvir um programa de rádio (sem transcrição) e contar a outro grupo de pessoas do que se tratava, tudo com as minhas palavras, e dar a minha opinião no final (tudo gravado também).

Esta semana, tive as apresentações em grupo. A primeira foi uma explicação de uma seção de gramática da língua inglesa. Fiz essa apresentação com o quebeco. A segunda foi a apresentação de uma palestra que assistimos. Eu, o quebeco e o japonês da turma tivemos que resumir as informações e apresentar nossa opinião sobre o tema da palestra e a posição do palestrante. A terceira, que foi hoje, inclusive, dizia respeito a um estilo musical (de livre escolha) e sua relação com a sociedade. Fiz com o quebeco e a vietnamita da turma e, por milagre divino, nenhum dos dois é obcecado por música - assim como eu, pra falar a verdade. Eles deixaram pra eu escolher, e então, obviamente, puxei a sardinha para o meu lado: falamos sobre trilhas sonoras de filmes e video games! Não sei ainda a opinião da professora, mas eu adorei fazer esse!

Para a semana que vem, sei que terei que gravar um podcast, mas ainda não tenho detalhes. E, para a última semana, o projetão final: uma pesquisa séria, usando artigos acadêmicos como fonte, sobre um tema de livre escolha. O trabalho deve ser todo formatado com o padrão utilizado em boa parte das universidades da América do Norte, e tem todo um procedimento a ser seguido. O objetivo é familiarizar os alunos com o tipo de trabalho que eles vão encontrar na faculdade. Ainda na última semana, esse trabalho deve apresentado oralmente para os dois professores.

É, amigo, não tem the book is on the table por aqui não!

Instalações

A unidade da McGill onde os cursos são dados são realmente um primor. Projetores e sistema de som em todas as salas, aparelhos para uso de alunos e professores (como os gravadores), laptops, mesas e cadeiras confortáveis, climatização que não deixa você passar frio ou calor, microondas para você esquentar sua marmita... enfim, toda uma gama de comodidades para tornar a sua vida mais agradável, já que, fazendo esse curso, você passa boa parte do dia lá.

Fora isso, há laboratórios de línguas que fica à disposição dos alunos. Neles, além de praticar a pronúncia e treinar os ouvidos, você pode também fazer os trabalhos que são pedidos em sala. Todos os programas necessários estão lá, e o acesso à Internet é ilimitado. Há também uma "clínica" de pronúncia, destinada aos alunos que têm dificuldade para pronunciar certos sons, e um laboratório de texto, voltado para quem tem dificuldades para escrever. Para essas duas últimas, contudo, você precisa ser "recomendado" pelos professores (ou seja, se você é escalado para essas aulas, é porque o negócio tá ruim).

Como aluno do curso de inglês você também tem acesso à biblioteca da faculdade. Nem sei quantas tardes (e noites!) já passei lá desde que o curso começou! Eles te levam pra uma sessão de orientação, de forma que você aprenda como usar a biblioteca, o que precisa fazer para pegar um livro emprestado, como fazer uma pesquisa sobre determinado assunto e outras coisas. Além disso, você também tem acesso aos sistemas da universidade. Tudo é explicado na primeira semana e você sempre tem a quem perguntar, em caso de dúvidas.

E aí, tudo isso tá te servindo de alguma coisa?

Muito! Como falei no post anterior, eu me inscrevi no curso com o objetivo de me destravar, de ganhar mais confiança e não ter medo de falar com as pessoas inglês. Eu posso dizer honestamente que, ao final da primeira semana, eu já estava todo desbloqueado (sinal de que a trava é mais psicológica que linguística). No meu segundo dia, já criei coragem para ligar para o provedor de internet e contratar o serviço. Já fui parado não sei quantas vezes para dar informação na rua e, mesmo de supetão, consegui me expressar numa boa. Já bati papo com estranhos, fiz pedido em restaurante tailandês e telefonei para central de suporte técnico. Enfim, embora eu sempre vá ser um não-nativo e sempre vá esbarrar com palavras, expressões ou gírias que nunca vi antes, posso dizer que não senti nenhuma carência em relação ao inglês nas últimas 3-4 semanas. O que não quero que seja entendido como "estou me gabando" e, sim, como "que alívio que esse bloqueio sumiu".

Enfim, embora eu não possa falar sobre os outros níveis do curso de inglês da McGill, posso dizer agora que o avançado deles realmente dá pra ser encarado como avançado. O fato da minha turma, em média, estar no nível intermediário não chega a me atrapalhar, até porque alguns ali são, de fato, alunos avançados. Enfim, como em qualquer curso, há coisas boas e ruins, e aí acho que depende mais do objetivo de cada um saber se vale mais a pena fazer um curso assim.

Se alguém tiver dúvidas sobre esse curso, pode deixar nos comentários ou me mandar por e-mail.

À bientôt!

sábado, 23 de maio de 2015

O Curso de Inglês da McGill - Parte I

Um tempo atrás, escrevi um post contando que tinha entrado no curso de inglês da Universidade McGill. Ontem terminei a terceira semana (de um total de seis) do módulo em que estou matriculado, e só não escrevi antes porque, primeiro, queria dar uma opinião com mais substância (e não dá pra fazer isso com um ou dois dias de aula); segundo, estava sem internet no apartamento e dependia das bibliotecas pra usar wi-fi; e, terceiro, os trabalhos do próprio curso deixavam pouco tempo livre pra eu usar a internet para postar.

Mas eis que surge, radiante e belo (aí, hein, pai??), a minha opinião sobre o curso que estou fazendo! Não custa lembrar que é a minha opinião, sem embasamento científico e que não constitui verdade universal, ok?

Nível

O curso da McGill está dividido em oito módulos: dois elementares, quatro intermediários e dois avançados. É preciso fazer um teste de nivelamento para que determinem o seu nível. Eu fiquei no avançado. A questão do nível avançado é que ele é composto por dois módulos (A e B), mas você pode cursá-los em qualquer ordem. O Avançado A tem uma pegada mais acadêmica, enquanto o B é mais direcionada para o lado profissional. De qualquer forma, pra conseguir o certificado de proficiência, é preciso fazer os dois módulos, independente da ordem. Eu optei por começar pelo módulo acadêmico.

Então, infelizmente não sei falar nada sobre os níveis elementares e intermediários, exceto que exigem um conhecimento básico prévio do idioma pra você entrar mesmo no primeiro nível do curso. Mas não sei exatamente o que seria esse "conhecimento básico prévio", porque... bom, acho que vai ficar mais claro ao longo da postagem.

Objetivo e motivação

Meu objetivo principal não era aprender present perfect ou as regras para se dobrar as consoantes de verbos no gerúndio ou particípio. Resolvi fazer o curso porque eu queria destravar! Se você aí, caro(a) amigo(a) leitor(a), passou os olhos pelos meu posts sobre a chegada e os primeiros dias, deve ter notado que eu mencionei como as frases vinham bonitinhas à minha cabeça, mas eu não conseguia colocar pra fora. Ansiedade, complexo de inferioridade, angústia e outros companheiros que só Freud mesmo.



E por que a McGill? Falo de novo, não tem problema. Porque é uma universidade muito bem conceituada não só no Canadá, mas em rankings internacionais. Tá certo que o curso de inglês não deve ter nada a ver com esses rankings, mas é aquela coisa de confiar mais em quem já tem fama de fazer o negócio certo. Outro ponto é que a McGill aceita o certificado desse curso como prova de competência linguística para ingresso nos cursos de graduação e pós. Ou seja, em tese o troço é tão bom que eles dão a cara a tapa e dispensam outros testes (como TOEFL e IELTS). Além disso, algumas pessoas que eu conheci aqui e que fizeram ou estão fazendo o curso lá recomendaram fortemente. Então, né, gente? Quer mais o quê? Cobertura de caramelo?

Primeiros dias

Eu estava feliz que nem pinto no lixo com a ideia de voltar para um curso, mesmo sendo de inglês, algo com que tenho contato desde a época do guaraná com rolha. Então fui que nem o Emo-Aranha pro prédio da McGill onde seriam minhas aulas.



Já lá dentro, procurando a sala, captei uma conversa de corredor em que dois colegas de curso se reencontraram. A menina disse pro cara que ela não ia estudar com ele porque tinha sido reprovada e ia refazer o nível que eles tinham cursado juntos na sessão de inverno.

"Cristo Rei", pensei, já sentindo o esfíncter dar aquela mexida, "o povo é reprovado por aqui! Não é pagou-passou!"

O que, na verdade, me deixou ainda mais feliz, mas fez eu pensar que eu provavelmente seria um dos mais Uga-Buga da turma na hora que abrisse a boca para começar a falar. Mas já tinha saído na chuva, né, então se molhar era inevitável.

Achei minha sala e sentei na primeira cadeira vaga que vi. Já havia algumas pessoas na sala, mas todo mundo concentrado no seu mundinho (o celular). Dali a um tempo, o professor chegou, se apresentou e aí fez algo super diferente e inovador: pediu pra todo mundo se apresentar e contar um pouco da sua história. Tá certo que, na verdade, ele dividiu a gente em grupos para que conversássemos entre nós e, depois, apresentássemos uma pessoa do grupo. Caí com uma francesa que não queria papo nenhum, então só consegui arrancar dela que se chamava Camille, e isso quase tendo que pagar 10 moedas de ouro canadenses pra ela abrir a boca.

Ótima deixa para eu falar do quesito "variedade cultural" da sala de aula. Somos 22 alunos no total. Há três francesas, duas venezuelanas, uma equatoriana, duas mexicanas, dois chineses, uma vietnamita, um japonês, uma congolesa, um mauriciano, um saudita, uma camaronesa, um iraniano, uma libanesa, um líbio, uma sul-coreana e um quebeco (uia!), além do brasileiro aqui. Achei isso sensacional! Me amarro em ter gente de todos os cantos, porque ajuda a desconstruir estereótipos e você passa a enxergar as pessoas não como nacionalidades, mas como... pessoas. Já no primeiro dia, me aproximei do japonês e do quebeco (ou eles se aproximaram de mim, melhor dizendo, falando que meu sotaque era britânico), e o quebeco virou meu "melhor amigo" de sala de aula. Nunca imaginei que conheceria um quebeco assim tão rápido, e muito menos que ele fosse virar meu parceirão de sala de aula. Já li tantos relatos sobre a frieza dos canadenses/quebecos que eu não estava contando com nada como o que aconteceu. Eu e ele só não falamos mais bobagem e damos mais risada porque só ficamos seis horas dentro da escola. Claro que eu sei que só vai durar enquanto estivermos no curso, mas, ainda assim, foi uma surpresa pra mim.

Mas voltando. Ainda no primeiro dia, tivemos que fazer uma pequena redação para que o professor pudesse avaliar nossa escrita. Somos avisados, no dia do teste de nivelamento, de que nosso nível pode ser alterado se o professor julgar que o aluno está mais forte ou mais fraco do que o nível em que foi classificado. Ninguém saiu dali. Conclusão lógica: todos escreveram bem. Guardem isso.

Aí veio a primeira parte das letras miúdas do curso: as tardes de segunda e sexta são para o que eles chamam de "Guided Studies", um período que, teoricamente, os alunos devem usar para tirar dúvidas com os professores, trabalhar nos projetos que são desenvolvidos, usar o laboratório de línguas, enfim, estudar e praticar por conta própria. Na prática, é uma carta de alforria pra você ir pra casa, encher a cara, fazer compras, se harmonizar com Gaia, ou o que quer que você faça quando sobram algumas horas no dia. Eu tenho sentimentos conflitantes quando a isso. Por um lado, se você é um estudante dedicado, você vai fazer bom uso disso. Os professores ficam por lá, você pode ir conversar com eles, tirar dúvidas, pedir orientação, tem biblioteca que você pode usar, enfim... os recursos estão lá. Por outro, o curso é vendido como tendo 25 horas de contato por semana com os professores. Se você desconta as tardes de segunda e sexta, isso cai pra 20 horas. Então não está lá muito certo falar em 25 horas, sendo que isso praticamente não vai acontecer. Particularmente, tendo terminado a terceira semana, eu dou graças a Deus por ter essas tardes "livres" porque às vezes fico mega-ultra-atarefado com os trabalhos do curso. Mas, ainda assim, fica aquela pontinha de que eles vendem um peixe que não é assim tão fresco.

No segundo dia, o curso começou pra valer, com leituras, exercícios, discussões e coisas do tipo. Passaram o cronograma dos trabalhos, projetos, o valor que cada um teria na nota final, explicaram sobre as páginas da intranet da McGill a que temos acesso, o que é possível fazer nelas, como enviar trabalhos pelo sistema da universidade, informações sobre a carteira de estudante da McGill, etc. A turma mais entrosada, todos conversando um pouco com todos, o povo falando que meu sotaque era legal (!)... Cada módulo tem dois professores, um que fica pela manhã e, em geral, cuida mais da parte escrita, e outro que fica à tarde, que cuida mais da compreensão e expressão orais. Como não tivemos aula à tarde na segunda por causa dos tais "Guided Studies", só conhecemos a professora da tarde na terça. Dá-lhe apresentação de novo, todo mundo falando o nome, de onde vem, porque está ali e por aí ai. Chega a minha vez, repito minha história, e o comentário que ela faz em seguida foi esse:

- Estou achando muito interessante ouvir o seu sotaque. Deixa eu adivinhar: é australiano? Sul-africano?

No que metade da turma caiu na gargalhada e a outra começou a falar: "é britânico, é britânico!". A professora quis saber de onde vinha o raio do sotaque, e eu disse que, até dois dias antes, a única coisa que eu sabia é que eu tinha sotaque brasileiro. Falei que tinha estudado inglês em diversas escolas de idiomas, algumas mais voltadas para o inglês norte-americano, outras mais para o britânico, mas que, pra mim, era o sotaque brasileiro que aparecia mais, provavelmente misturado com a salada de sotaques que ouvia em sala de aula. Ela disse que não, e que eu poderia enganar as pessoas! Eu juro que não sabia onde enfiar a cara, e o povo da turma não ajudou: começaram a me chamar de "Australian guy" e de "my lord" (mas, graças aos céus, isso só durou alguns dias).

Eita, que o post já tá comprido e eu ainda nem tô perto de acabar! Então vou parar por aqui e continuo no próximo, ok?

À bientôt!

Clique aqui para ler a parte II!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

McGill: Teste de Nivelamento

Ontem fui fazer meu teste de nivelamento para o curso de inglês da McGill. Um amigo meu, que havia feito um teste de inglês para tentar fazer uma certificação lá (certificações são cursos pós-secundários que costumam durar um ano. São meio que especializações, mas nem tanto) falou que, quando ele fez, foi assim: primeiro, um teste de compreensão oral, no estilo de sempre, com gravações que contém informações que você precisa entender e marcar numa folha de papel; depois, uma entrevista de uns dez minutos, durante a qual a entrevistadora fez perguntas básicas para testar os tempos verbais (por exemplo, "me conte uma viagem da qual você gostou muito" pra testar o passado, ou "fale como você se vê daqui a cinco anos" para testar o futuro, e por aí vai); em seguida, um teste de compreensão escrita, com um texto e perguntas sobre ele e alternativas para você marcar; e, finalmente, um teste de expressão escrita, para escrever uma cartinha e coisas do tipo.





Não me pareceu muito complicado. Ainda assim, sei que compreensão oral pode ser o cão chupando manga com azeite de dendê porque vai depender do tipo de linguagem, se tem ruído de fundo ou não, o quão claramente as palavras são pronunciadas e outros quesitos. Sei também que expressão oral pode ser pior ainda, principalmente pra mim, que fico em estado catatônico toda vez que tenho que falar em outra língua com algum  nativo. E, como esse meu amigo ficou em dúvida sobre o resultado dele, achei por bem não desprezar o teste antes de fazê-lo.

Pois bem, o teste estava marcado para ontem às 10 da manhã. Eu tinha que chegar às 9 porque precisava levar minha confirmação de residência permanente e, com isso, assegurar que o preço cobrado seria o de cidadão canadense/residente permanente. Às dez para as oito eu estava entrando no prédio e pegando o elevador. Fui ouvindo BBC no iPod pelo caminho pra fazer o tímpano e o cérebro acordarem, mas, fora isso e a leitura diária de algumas páginas do livro que peguei na Grande Bibliothèque, não sentei pra estudar. Achei melhor ir dar a cara a tapa e ser colocado num nível mais condizente com o meu real nível de inglês do que fazer testes, simulados e tudo mais só pra "ir bem na prova".

Fiz o registro e apresentei a confirmação de residência permanente. A menininha simpática que me atendeu me fez preencher dois formulários e, no final, me entregou uma folha em que estava impressa o meu nome e continha orientações gerais sobre o teste e o curso. Tudo não durou nem dez minutos, e aí ela falou que eu podia ir passear até a hora da prova. Mal tinha dado nove horas, então lá fui eu pro lado de fora esperar. Queria encontrar alguém que fosse fazer o teste também pra trocar uma ideia e afiar a língua, mas, fora uma chinesa que fez cara de que não entendeu nem quando a atendente falou "good morning", não vi mais ninguém que eu pudesse aborrecer com a minha ansiedade. Troquei  mensagens com a minha família, e isso é legal porque, de alguma forma, dá a sensação de que eles estão sempre por perto.

Faltando quinze minutos, lá eu entrei no prédio de novo e fui pra sala indicada. Impressionante a organização: além de tudo no nome de cada estudante já estar separado na hora do registro, tomaram todo o cuidado de colocar plaquinhas pra todo lado indicando o caminho onde seria a prova. Foi fácil achar, até porque tinha uma filinha já na entrada. Um carinha simpático e um homem mais velho, com cara de professor, estavam fazendo a conferência cara-crachá de todo mundo. Eu assinei onde indicaram e fui pra dentro da sala.

A Prova Escrita

Pontualmente às 10:02 (é Canadá, gente, não Inglaterra), o diretor do curso entrou, deu as boas vindas a todo mundo e passou algumas explicações sobre como a coisa funciona. E aí vi que a prova ia ser beeeeem diferente da que o meu amigo tinha feito. Ele disse que a gente receberia uma folha com três questões e que poderíamos escrever o tanto que quiséssemos, mas sem exceder o número de linhas que estavam impressas para cada questão. Terminada essa parte, iríamos receber um cartãozinho colorido que indicaria a sala em que faríamos a entrevista. E só! Nada de texto, nada de gravação com estranhos na padaria discutindo o preço do bolinho ou coisa do tipo.

As questões eram bem basiconas: a primeira pedia para eu falar sobre mim e dizer quais eram meus planos para o futuro; a segunda pedia para eu falar dos aspectos positivos e negativos de uma viagem memorável; e a terceira queria que eu apontasse um problema que a sociedade moderna enfrenta e qual a minha opinião a respeito. Não contei, mas acho que cada questão tinha de 10 a 15 linhas para resposta. Convenhamos, não é muita coisa, né? Eu achei bem tranquilo, e isso me relaxou. Levei pouco menos de meia hora para terminar.

Quando saí, o carinha simpático me passou um cartão amarelo no qual estava escrito em que sala eu faria a prova. Ele me indicou o corredor certo e lá fui eu. Também não foi difícil achar porque já havia algumas pessoas esperando. O pessoal da prova separou três salas para a entrevista, e cada cidadão que terminava a parte escrita recebia um cartão de cor diferente (uma cor para cada sala), de modo que ficava tudo distribuído de maneira igual. Fiquei esperando do lado de fora, onde já tinha uma mulher que fez cara de poucos amigos quando me viu. Parei um pouco afastado e fiquei encostado na parede. Vai que morde, né?

A Prova Oral

Enquanto esperava (já tinha uma outra menina dentro da sala sendo avaliada), fiquei vendo o pessoal e notei uma coisa: tinha asiáticos de todas as cores e tamanhos. Sem dúvida alguma, foi o grupo mais bem representado ali. De um universo de umas 30 a 40 pessoas, contei só 6 que não tinham as feições asiáticas (eu faço parte dos 6). Logo o corredor virou um trailer da Torre de Babel, com o povo falando japonês, chinês e coreano, principalmente.

Quando a menina entrou, cronometrei e a entrevista dela durou perto de 20 minutos. Então já entrei tentando puxar umas histórias pra encher linguiça por esse tempo todo. Mas, claro, na hora é tudo  mais rápido do que a gente pensa, e as coisas acontecem sem a gente se dar conta. A entrevistadora pediu para eu sentar e pegou meu teste escrito. Só de ver as folhas, ela comentou: "nossa, você escreveu bastante!". Minha senhora, isso é porque a senhora não viu o que faço no blogue. Um post sobre comprar pão na padaria vira um tratado sobre a ação do fermento nas massas.

Então ela começou a ler as respostas na minha frente, o que me deixou um tanto constrangido. Tá, não escrevi nenhum segredo de família e nem falei de afrodisíacos, mas deu pra sacar que eu já ia ser avaliado ali, de cara, na dura, sem poder tomar um copo com água sequer! À medida que ela lia, acenava com a cabeça dando a entender que tinha gostado (mas eu fiquei em dúvida em alguns momentos), e, de vez em quando, ela pedia pra eu confirmar alguma informação que eu tinha escrito e dar mais detalhes. Ela passou relativamente rápido pelas duas primeiras questões (quis saber de onde eu vinha e se eu tinha largado tudo pra vir pro Canadá, vê se pode! E perguntou o que a minha família achava de tudo) e se deteve mais na última questão, sobre o problema social e a minha opinião. Eu não posso dizer que eu falei pra caramba porque não foi o caso. Eu conversei com a entrevistadora, no sentido de que eu falava, ela falava de volta e acrescentava um novo aspecto do quadro, daí eu comentava em cima daquilo, mas não houve uma sessão de perguntas e respostas como aparentemente aconteceu com o meu amigo. Aliás, ele disse que a entrevista dele foi gravada. Na minha, não teve isso.

O cronômetro estava batendo nos dez minutos quando ela pegou a folhinha de avaliação dela e falou algo na linha do seguinte: "Olha, eu não vou te segurar aqui mais tempo porque já ficou claro pra mim que você é um estudante avançado. Aliás, eu nem sei se você ainda precisa de inglês. Então, eu vou te recomendar pro nível avançado, que são só dois módulos e você escolhe a ordem em que quer fazer. Um é mais acadêmico, o outro é mais profissional, mas a ordem não importa, e você consegue o certificado depois de concluir esses módulos, o que deve ser bem rápido".

Silêncio.




Eu realmente fiquei sem ação. Eu não tava achando que ia pro nível do The book is on the table, mas realmente não achei que ia para o penúltimo nível do curso! Mas claro que adorei a notícia, não só pelo resultado em si (é ótimo ter um nativo elogiando o seu domínio do idioma, em qualquer situação), mas porque automaticamente me dei conta que ficarei menos pobre do que imaginava e ainda vou poder engatar o curso de francês do jeitinho que eu tava querendo!! E, para completar, como esse curso de francês provavelmente será à noite, poderei começar a procurar emprego enquanto pondero se volto ou não pra faculdade de uma vez!!!! Não é o máximo?? Vocês não acharam??? Eu achei!!

Saí de lá com o Tobey Maguire e Raindrops Keep Falling on my Head na cabeça. As aulas começam na próxima segunda, de manhã e à tarde. Tô torcendo muuuuito pro curso ser bom e vou fazer o possível pra tirar o máximo de proveito dele. Quem sabe assim destravo de vez?

À bientôt!




quarta-feira, 8 de abril de 2015

Entrei na McGill! :)



Tá bom, não é como se eu tivesse sido aceito pra um curso de graduação ou pós. Não tive de enfrentar milhares de candidatos e mostrar o meu valor. Não foi preciso sacrificar nenhum tributo. Afinal, é só um curso de inglês e acho que, pra não entrar, só se as vagas tiverem sido ocupadas ou se você não puder pagar.

Mas, ainda assim... entrei!! Como venho falando há um tempo, meu foco neste primeiro ano vai estar voltado para os idiomas. Para trabalhar na minha área ou voltar para a faculdade, o inglês e o francês têm de estar tinindo, não importa meu  nível de ansiedade. E, em se tratando do inglês, dentre as dezenas de opções que existem para aprender ou melhor o idioma, eu escolhi o curso da McGill.

Por quê?

Tive excelentes de referências de pessoas que já fizeram o curso. Todas, de vários níveis, disseram que aprenderam muito com o curso. Além disso, é um curso intensivo: vai me deixar quase seis horas por dia, de segunda a sexta, em contato direto com o idioma, fora os trabalhos, as leituras e lições de casa pra fazer. E, como se não bastasse, ele ainda é aceito pela própria McGill como prova de proficiência no idioma (tá, convenhamos, que é o mínimo, né? Se eles oferecessem um curso de proficiência e, no final, exigissem um IELTS da vida pra entrar na faculdade, não daria muita credibilidade). Ou seja, se eu resolver voltar de verdade pros bancos da faculdade e tentar entrar na McGill, é menos um requisito a cumprir.

Pra entrar, foi bem simples. Primeiro, fiz um cadastro que me deu acesso ao formulário de inscrição. Nele, além de dados pessoais, você informa também o curso que quer fazer, qual o trimestre em que vai começar (inverno, verão ou outono) e insere outras informações, como escolaridade e status no país (para residente permanente, os preços são mais em conta). No fim, você envia o pedido e faz o pagamento da taxa de inscrição, que custa 80 moedas de ouro canadenses e não é reembolsável, independente da decisão.

Depois disso, você espera uns dias e recebe um e-mail ou uma carta (no meu caso, foram os dois) dizendo que eles receberam o pedido de inscrição e solicitando que você mande os documentos necessários e faça o pagamento da tuition, que é como se fosse o valor do módulo ou trimestre, e que pode variar dependendo de o curso ter créditos ou não, e de quantos créditos você vai pegar. No meu caso, o curso não tem créditos (até onde vi), então o valor é fixo por módulo. Em relação aos documentos, me pediram só o passaporte, a confirmação de residência permanente e o certificado de conclusão do ensino médio ou diploma da faculdade. Pude enviar o passaporte pelo próprio sistema de inscrição da McGill, mas a confirmação de residência e o histórico só por correio ou por e-mail.

Aí, foi meio que um revival de curta duração do processo de imigração. Conjugar o verbo attendre, tentar não ficar obcecado com o negócio (porque, pra mim, é fundamental começar a estudar algum dos idiomas o mais rápido possível), entrar todo dia no sistema pra ver se tinha alguma alteração... e o pior é que, mesmo que o sistema indique que você foi aceito, só a cartinha formal deles serve como um comprovante legítimo de aceitação. Alguns proprietários de apartamentos, por exemplo, aceitam melhor a ausência de histórico de crédito na hora de alugar se você for estudante - mas aí você tem que comprovar que é estudante, seja com uma carta de aceitação ou com a carteirinha da universidade.

Duas semanas depois, volto eu de mais um passeio à biblioteca (tô pensando em morar lá, será que aceitam que eu fique de vigia em troca de abrigo?) e me deparo com o envelopinho da McGill me esperando debaixo da porta. Abri com cuidado, mas afobado, e lá estavam o recibo do meu pagamento e a carta de aceitação!




Veio também o local, a data e o horário do meu teste de nivelamento, que vai me permitir saber em qual dos módulos vou começar (e, assim espero, terminar tudo em menos tempo). A admissão vale por um ano. Se eu não concluir o curso nesse período, tenho de fazer um novo pedido de admissão.

Com isso, comecei a sentir pra valer que as coisas estão andando! Vou dar o gás para sair de lá com o inglês tinindo e deixar mais uma etapa pra trás! Agora preciso saber o que fazer em relação ao francês, mas acho que só depois do teste de nivelamento pra eu ter uma noção mais próxima da realidade...

Se alguém tiver interesse, taí a página do curso.

À bientôt!

quinta-feira, 19 de março de 2015

O (Re)Início!

E aí que eu cheguei!! Já estou devidamente imigrado das Terras Brasilis para as Terras do Norte!! Fiquei um tempo sem ter acesso pra valer a um computador, mas agora acho que vai!

Bom, quem me acompanha já há algum tempo sabe que eu, às vezes (só às vezes) escrevo bastante. Então, se te interessa saber sobre o meu processo de landing, pega um café ou chá, uns biscoitos (ou pizza) e senta que lá vem história!


Pré-viagem

Acho que, sem exageros, dá pra dizer que sábado foi um dos piores dias da minha vida. Eu sei que, pra muita gente, o dia da viagem definitiva rumo ao Canadá é o dia mais feliz e aguardado da vida. Eu também estava aguardando esse dia, mas ele não veio com aquela sensação bem resolvida e determinada e, sim, com muita angústia e tristeza.

Já quando levantei e fui dar bom dia pra minha mãe, ela desabou. Chorou muito, e eu acabei acompanhando. Eu já estava nervoso desde uns dois dias antes, com a arrumação da mala (e a constatação de que deixaria mais coisas do que imaginava) e o medo de esquecer alguma coisa importante pra hora H de passar pela imigração. Ver a tristeza da minha mãe não ajudou. Mas ela me encorajou o tempo todo, e afirmava que as lágrimas eram saudade antecipada.

O dia foi passando e eu não conseguia relaxar de jeito nenhum. Tentei levar a vida normalmente, mas tudo que eu fazia parecia artificial, porque a cabeça estava no futuro próximo do dia seguinte. Um futuro pelo qual eu esperei bastante tempo, mas que, de repente, parecia não ter mais tanta importância. Meu pai, minha mãe, minha irmã, todos aqueles que são extremamente, mas extremamente importantes mesmo pra mim, iam ficar para trás. Então, no meu caso, não adiantou muito aquela história de que eu já havia mudado de Brasília pra São Paulo, então seria mais fácil. Mais fácil é a @#%@#!!!! Acho que foi pior do que quando fui pra São Paulo!

Com as horas passando, tudo foi só piorando: pensamentos cheios de medo, falta de ar (tinha asma quando moleque, e, quando tô numa situação de muito estresse, o ar começa a faltar), uma vontade de desistir de tudo querendo se infiltrar e se instalar. Um turbilhão de lembranças, imagens, pensamentos, anseios que quase deram um nó. Eu ficava pensando: "cadê aquela sensação que todo mundo descreve nos blogues de euforia, de alegria pela partida, de finalmente estar indo realizar o sonho e tudo mais? Será que só eu é que sou esquisito??"

Quando deu a hora de ir para o aeroporto, eu estava no auge da angústia. No caminho, mais de uma vez me deu uma vontade súbita de pedir para o meu pai dar meia volta e me levar pra casa. Talvez assentar melhor o turbilhão de emoções antes de ir. Mas fiquei quieto. Procurei pensar e lembrar do que várias pessoas me haviam dito: que tudo isso faz parte, que o medo é intrínseco a qualquer mudança, que a ligação com a família não se rompe com a distância, que o dia seguinte seria melhor. E fui.

Eu estava triste por abrir mão do meu porto seguro, triste por fazer minha família passar pela minha angústia (além da que eles já passavam por eu estar me mudando), triste por não ter como saber se era a escolha certa. Na hora de embarcar, minha mãe se desmanchou de novo, e minha irmã também. Me segurei muito pra não deixar a situação pior, porque elas sabiam que eu estava extremamente nervoso, e chorar só deixaria as duas mais preocupadas. Meu pai, forte e carinhoso como sempre, me desejou tudo de bom e falou que as portas de casa estão e sempre estarão abertas.

Com um nó na garganta, fui pra sala de embarque. Eu tinha planejado fazer alguns vídeos de tudo e postar aqui, mas a angústia e o peso de tudo aquilo eram tão grandes que tiraram minha energia pra tudo. Embarquei no avião e dei tchau mentalmente para a minha Brasília.


Durante a viagem

Meu voo foi para Miami, e achei que não fosse conseguir dormir. Eu durmo mal até na minha cama, imagina numa poltrona de avião. E, com 7 horas pela frente (e minha cabeça funcionando a mil por hora), achei que não ia conseguir pregar os olhos. Mas, depois do jantar, me acomodei na janela e não é que consegui dormir umas 3 horas direto? Deus sabe que isso é um feito digno de ser gravado em pedra!

Quando despertei de vez, a angústia tinha diminuído um pouco. Apesar de ainda ameaçador, o futuro parecia um pouquinho mais cheio de esperança. As saudades de casa, da família, da segurança ainda eram grandes, mas não tinha mais aquela cara de separação definitiva, de luto. E eu procurei não me aprofundar nisso pra não trazer tudo de volta.

O nervosismo, contudo, não foi embora, e já na imigração em Miami ele deu as caras de novo. Acho que já comentei por alto no blogue que tive (e ainda tenho) um tipo de distúrbio que provoca ansiedade em excesso, o que, por sua vez, pode se manifestar de forma física (como a falta de ar ou ânsia de vômito) ou psíquica (crise de pânico). De forma que interações com pessoas sempre foram um obstáculo pra mim. Falar com estranhos, pessoalmente ou por telefone, eram um parto na minha adolescência e início da minha vida adulta. Eu hesitava, adiava, pensava em como ia falar, e, quanto mais fazia isso, mais ansioso e próximo de uma crise eu ficava. No Brasil, isso já estava beeeeeem melhor. Eu podia interagir com quase todo mundo sem parecer que tinha sido deslocado no tempo. Porém, uma das coisas que me afligia (e agora posso dizer que ainda aflige) era ter de começar a falar em inglês e francês pra ter uma vida nova em outro país. E, com toda a angústia do dia anterior, claro que não ia ser fácil, né?

Na imigração em Miami, eu quase travei. O agente começou a me fazer as perguntas de praxe e eu entendia o que ele falava, mas não conseguia responder de imediato. Ou então não entendia e simplesmente não conseguia pedir pra ele repetir. Ele volta e meia me dava uma olhada suspeita e chegou ao ponto de começar a falar espanhol achando que eu não estava entendendo. Não adiantou nada. A trava continuou. Pedi um segundo a ele, respirei fundo, fechei os olhos (Deus sabe o que passou pela cabeça dele), tentei relaxar e aí as coisas começaram a sair. Meio tronchas, meio como se eu tivesse uma batata quente na boca, mas saíram. Carimbo no passaporte, "boa viagem" e segui para pegar a mala. Quando passei pela alfândega, tudo saiu um pouquinho melhor, e o oficial me chamou até de "bro".

Despachei a mala na esteira de conexão e segui para o check-in. A trava na garganta ainda estava lá, mas foi mais fácil do que no guichê da imigração. Depois disso, foi sentar e esperar: meu voo para Montreal iria demorar ainda 5 horas pra sair, e eu nem estava confirmado nele ainda. Achei uma conexão wi-fi aberta e avisei a família e outras pessoas próximas, e tentei passar o tempo como deu.

Meu portão mudou três vezes, então peregrinei bastante de um lado para o outro. Quando enfim decidiram qual ia ser, sentei e fiquei aguardando. Falei com a agente do portão duas vezes na tentativa de confirmar meu assento, mas ela disse que só poderia fazer isso no último minuto, e que, se não desse, eu teria de ser deslocado pro voo seguinte, que sairia só três horas depois. Difícil, viu? Ainda mais com a minha garganta e língua se recusando a colaborar na comunicação. Mas, realmente, no último minuto, ela aparece gritando: "SIR, SIR! YOU'VE MADE IT! BUT YOU MUST BOARD NOW, SO HURRY!!!"

Por graça divina, fiquei num assento no corredor (tudo que eu detesto é ficar espremido entre dois estranhos) e pude ficar um tanto mais tranquilo. Muito do luto do dia anterior já tinha se dissipado, mas a angústia ainda persistia, embora mais branda. Tentei relaxar porque sabia que ainda tinha mais pela frente. Mas não consegui.


Pós-viagem e landing

O voo de Miami pra Montreal durou três horas. Não consegui comer nem beber nada à bordo. Quando o avião pousou, já comecei a respirar fundo dali (se o oxigênio do mundo começar a rarear, podem saber que eu tenho parte nisso).

Preenchi o cartãozinho da alfândega que dão no país e ainda tentei ajudar uma senhora que só falava espanhol. Agora, vocês imaginam eu, com todo esse distúrbio psicológico ativado e ligado no 220, sem conseguir me comunicar em inglês e francês, e ainda tentando me fazer entender em portunhol. E olha que eu também tinha dúvidas quanto ao preenchimento do cartão: por exemplo, no campo de "endereço", eu colocaria o meu do Brasil ou o endereço no qual ia ficar no Canadá? Então não fui de grande ajuda, mas pelo menos dei minha contribuição ajudando a carregar as malas dela.

No guichê do controle de passaportes, outro parto. Garganta fechada, língua que quase não saía do lugar, lábios que mal se mexiam. Tinha que repetir as respostas mais de uma vez, e ia me sentindo pior com isso. Ela perguntou sobre o endereço que eu tinha colocado no cartão (o meu de Brasília) e eu expliquei que estava imigrando e que aquele era meu último endereço certo e conhecido. Ela perguntou se eu ia vendê-lo e eu disse que era dos meus pais. Ela disse que tudo bem, que se tinha gente morando lá ainda então tava valendo. Disse então que era pra eu mostrar esse mesmo cartão na saída da alfândega, depois de pegar a mala, e que eles me direcionariam ao lugar apropriado.

Peguei a mala, passei pela alfândega, o agente olhou o cartãozinho, perguntou "é imigração, né?" e me mostrou uma porta ali perto pra onde eu deveria ir. Peguei uma filinha com mais alguns guichês e, na minha vez, o agente pediu meu passaporte, o cartão e a confirmação de residência permanente. Me levou pra perto do guichê de câmbio, pediu pra eu deixar as malas lá, sentar numas cadeiras próximas a outros guichês e aguardar. Foi a parte que mais demorou e, ainda assim, foi coisa de 15, 20 minutos. Um agente de imigração finalmente me chamou, me cumprimentou e eu já fui dizendo que todas as línguas tinham sumido da minha boca, o que fez ele rir. Aliás, todos os agentes foram tranquilos. Se não foram extremamente sorridentes e agradáveis, foram, pelo menos, profissionais e cordiais. Ele pediu meu passaporte, meu CSQ, minha confirmação de residência permanente. Junto foi a lista dos meus bens, e ele perguntou o que era. Expliquei que eram os itens que eu estava trazendo e os que viriam depois, e ele falou então que iria anexá-las aos meus documentos para evitar que eu fosse tributado por esses bens. Fiquei feliz de ter incluído até algumas coisas de pouco valor, porque vai que, né?

Ele pediu também meu endereço, e eu passei o do amigo na casa de quem iria ficar. Preencheu uns formulários no computador, tirou cópias dos documentos, pediu pra eu assinar umas folhas e perguntou quanto dinheiro eu estava levando em espécie. Disse a quantia e falei que traria mais do Brasil depois, mas ele não quis saber. Me deu alguns livros e folhetos e me encaminhou pra salinha do Quebec, que fica mais ao fundo, para validar meu CSQ. Lá, tive um déja vu: a salinha é bem no estilo de repartição pública brasileira. Deu até saudade do trabalho (só que não). Uma senhora com sotaque obviamente estrangeiro me atendeu, me fez algumas perguntas sobre dados pessoais, pediu o passaporte, a confirmação de residência e o CSQ, e me falou sobre o NAS e a Assurance Maladie. Saí de lá com um horário agendado na Régie d'Assurance Maladie para quinta-feira, uma palestra sobre as primeiras etapas pós-landing para sexta-feira e uma semana de palestras referentes à integração. Ganhei meu bienvenu au Québec e finalmente fui liberado (não sem antes deixar o cartãozinho da alfândega com a última agente, perto da saída).

E lá estava eu, cansadaço, ainda travadaço, com uma dor de cabeça enorme por causa do estresse e da noite mal dormida, mas sem falta de ar e, enfim, livre pra recomeçar a vida. Como podem ver, foi tudo tranquilo, exceto por mim mesmo e a minha cabeça. Mas faz parte. Vamos ver o que o futuro traz!

À bientôt!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Preparando o terreno para estudar

Como já falei em alguns posts, a vontade de voltar a estudar é grande. Mas, devido a diversas variáveis, achei melhor começar "pequeno". Em vez de tentar logo de saída uma outra graduação ou um mestrado, resolvi gastar o primeiro ano aperfeiçoando os idiomas.

Maaas, como também já falei antes, sou formado em tradução, e é por aí que pretendo seguir em termos profissionais. Só que não dá pra chegar lá botando banca de sabe-tudo do idioma dos outros, ainda mais tendo ficado um bom tempo afastado da profissão. Bom senso e pés no chão fazem bem à saúde, néam?

Pois bem. A francisation do governo quebequense não é garantida. Depende de vaga e de estar dentro do nível que o curso cobre. De qualquer forma, ele vai até o nível B2, somente. Parece que há uma bela de uma variação de um lugar para outro em termos de qualidade, a julgar pelos vários relatos, mas fato é que, para trabalhar como tradutor ou seguir na faculdade, vou precisar mais do que um B2 de escola.

Então, depois de pesquisar, ponderar, pedir opiniões e lançar a pergunta ao oráculo, decidi que o Certificat de Français Langue Seconde da Universidade de Montreal é uma boa opção pra mim. São 30 créditos (mais ou menos um ano), e o nível pra entrar lá já é mais avançadinho. Ou seja, dá pra eu tentar a francisation, melhorar um pouquinho e partir pro certificado. O curso pode ser feito em tempo parcial, e a maior parte das aulas é à noite, o que deixa o dia livre para outras atividades. Perfeito. Podem soltar os fogos.




Pareceu ótimo quando eu vi, mas daí começaram os perrengues. O prazo para inscrição era 7 de março, e eu teria 10 dias para enviar a documentação. O problema é que, obviamente, meus documentos tem de ter tradução para o inglês ou francês, e a tradução não vai ficar pronta antes do dia 16. Ou seja, pertinho do prazo final para eu apresentar tudo. Mas vá lá, até aí, seria corrido, mas dava tempo. Só que, há alguns dias - tcharaaaaaam! Mudaram o prazo final de inscrição para primeiro de março, também conhecido como "próximo domingo", também conhecido como "depois de amanhã". E aí, minha cara amiga dona de casa, dancei. Só poderei tentar a sessão de outono, que começa em setembro. *Suspiro profundo*

Troquei e-mails com Deus sabe quantos departamentos e pessoas na Universidade de Montreal, até que um cidadão de bem me aconselhou fazer o seguinte: cursar certas disciplinas como estudante livre (=independente) e me candidatar ao certificado de francês para a sessão de outono. Daí, quando eu for aceito (porque vi na borra do café que serei aceito), aproveito os créditos dessas disciplinas para obter o certificado. Ainda tenho diversas dúvidas, e os sites dessas universidades não são lá muito amigáveis, pelo menos para quem não está acostumado com o jeito deles de organizar informações. Então, já mandei mais e-mails; o povo lá vai dar uma festa quando eu for aceito, porque só assim vou parar de encher hehehe.

E quanto ao inglês... bom, eu sempre tive em mente o Certificate of Proficiency in English da Universidade McGill. "Tive" do verbo "continuo tendo", e já tinha visto a página e os detalhes antes de começar esse imbróglio com a Universidade de Montreal. E, até por isso, resolvi voltar lá pra ver. E aí tomei um susto: notei que eles mencionam as datas-limite para canadenses, residentes permanentes e estudantes internacionais para a sessão de outono (setembro). Quanto às sessões de verão e inverno, só mencionam as datas para canadenses e estudantes internacionais. "Só falta ter cota", foi o pensamento malicioso. Achei por bem confirmar e mandei e-mail (a McGill também não deve mais me aguentar). Estou esperando resposta.

ATUALIZAÇÃO AO VIVO!!



ACABEI de receber o e-mail da McGill confirmando que a data para canadenses se aplica a residentes permanentes também, mesmo não estando no site. Ufa! Menos um problema!

E assim vai. Iniciante apanha mesmo :) Se alguém tiver feito esses cursos ou souber algo a respeito, favor se manifestar nos comentários ou por e-mail!

À bientôt!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Escolhendo o caminho a seguir - Parte 2

Continuando o post anterior (que você pode ler clicando aqui).

Voltar a estudar é uma coisa que nem passa pela cabeça de boa parte dos candidatos à emigração. Num mundo ideal, (quase) todo mundo quer chegar lá no Canadá, se instalar, mandar currículos, ser contratado no primeiro mês e ganhar bem o suficiente para soltar um "ufa!" de alívio e tirar 580 Kg das costas. Mas, se você ainda não sabe, nem sempre isso acontece, e nem tudo são flores.

Quem tem profissões regulamentadas e cujos requisitos não são exatamente de fácil digestão como sopa de minhoca sabe que voltar aos estudos é quase uma obrigação. Muitos profissionais da saúde, para poderem atuar de fato na profissão, precisam fazer ou refazer algumas disciplinas da faculdade ou até o curso inteiro, dependendo do caso. Então, a imigração para o Canadá já vem acompanhada de uma matrícula em algum curso - e esse curso pode durar alguns anos. Outros, contudo, não precisariam, em tese, passar por novos estudos, mas, na prática, acabam não conseguindo escapar. É o caso, por exemplo, de quem chega lá com uma boa experiência na bagagem, mas que não é imediatamente transferível para a realidade canadense. A pessoa não consegue emprego não por não ser qualificada, mas por faltar um know-how específico que você aprende, idealmente, em um primeiro emprego ou, na falta deste, fazendo um curso.

Trazendo essa papagaiada para a minha situação: como já falei antes, eu sou da área de línguas estrangeiras e tradução. Trabalhei anos no serviço público em quase nada relacionado à minha área. Quais as chances que eu teria de trabalhar em uma grande empresa de tradução, passando documentos, filmes ou o que seja do inglês para o francês ou vice-versa, sem experiência recente nessas duas línguas, sem experiência no Canadá, sem nem referências por lá? Embora nada seja impossível nessa vida, vamos concordar que as chances não seriam lá muito elevadas, né? Entre nativos que crescem falando os dois idiomas, que conhecem a cultura quebequense (e canadense) por dentro, e um recém-imigrado que ainda está em frase de aprendizado pelo menos em um dos idiomas e que não conhece quase nada da cultura local (tradução não é só "passar de uma língua pra outra", se me permitem a doutrinação), quem vocês acham que as empresas vão escolher? Não é uma questão de me diminuir. Eu sei o quanto gosto de línguas estrangeiras, sei que posso aprender rápido, mas sei que será difícil arrumar algo na minha área de saída sem ter muito a oferecer como garantia. Como disse no post anterior, tenho até algumas opções para tentar entrar no jogo logo de cara, mas ainda estou tentando resolver se compensaria.

Então, pensei: por que não utilizar esse primeiro ano, em que tudo é bonito, novo e diferente, para aprimorar meus conhecimentos no inglês e no francês sem o desespero da busca por um emprego? "Por causa da grana", diria alguém, e é um motivo justo. Mas acho que o que eu juntei para ir para Montreal daria para cobrir as despesas com o dia a dia de estudante pobre e as taxas dos cursos. Daí eu poderia realmente competir no mercado de trabalho tendo em mãos certificados e um pouco de vivência. Obviamente, a experiência em relação à área ainda seria um obstáculo a superar, mas, pelo menos, eu chegaria ao mercado com mais armas do que tenho agora. E, quem sabe, as empresas sorriam pra mim?

Outra opção - ainda ligada a estudos - é voltar para a universidade mesmo: fazer um mestrado ou chutar o balde mesmo e fazer uma nova graduação. Ainda estou considerando a possibilidade. A vontade é forte, tenho feito pesquisas há um ano a respeito, mas volta e meia eu me pergunto se não estou querendo demais. Ao mesmo tempo, penso que, se é pra recomeçar, talvez valha a pena fazer tudo de novo - só que diferente, néam? E aí todo um leque de possibilidades se abre.

Enfim, resumindo: não me fecharei a oportunidades de emprego, mas estou fortemente inclinado a começar minha nova vida estudando. Seja uma nova faculdade, seja cursos de idiomas, cada vez mais acho que o meu início vai ser pautado por livros, cadernos (usam laptop em sala de aula hoje me dia, gente? Meu Deus, tô véio!!) e professores!

À bientôt!