terça-feira, 11 de novembro de 2014

Primeira passagem comprada!

Existe toda uma mística permeada de corrente elétrica quando você clica na opção "somente ida" do site da companhia aérea. A sensação de que você está, de fato, deixando um outro lugar é empolgante e aterrorizante ao mesmo tempo!

Hoje eu finalmente comprei a passagem para ir para Brasília. Dia 15 de dezembro deixarei a cidade que foi meu lar pelos últimos sete anos e voltarei para aquela onde nasci, cresci, estudei e comecei minha vida profissional. Tô num misto de ansiedade, alegria, receio e medinho que só vendo! E olha que estou só "voltando pra casa"! Imagina quando for pra comprar aquela passagem, aquela que realmente rompe fronteiras e que será um divisor de águas! Haja Maracugina, e na veia!

E, agora, de volta à programação normal, porque ainda tenho muita roupa pra separar, caixa pra montar, bugiganga pra embalar... ah, e tenho que continuar indo ao trabalho também!

À bientôt!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Carta de referência pedida

Olha, eu realmente não sei se carta de recomendação e carta de referência são amplamente utilizadas aqui no Brasil. Eu, particularmente, quase nunca vejo ninguém comentando sobre isso quando está procurando emprego ou se candidatando a vagas na universidade. Mâââââsss... eu não sou exemplo de pessoa experimentada, testada e embrutecida na iniciativa privada e, na vida púbrica, pfff... no máximo, rola um QI, mas ninguém coloca no papel.

Enfim, como eu não faço ideia dos caminhos que precisarei desbravar uma vez que estiver pisando em terras nortenhas, resolvi pedir uma carta de referência para o meu chefe atual. Vai que, néam? A minha ideia era dar uma lida em alguns modelos, ver o que o pessoal foca mais na hora de escrever (porque ninguém vai querer ler - ou acreditar - em 10 páginas de elogios), mas estou para fazer isso desde a semana passada e sempre esqueço. Daí esqueço também de perguntar pro meu chefe e aí a vida segue.

Mas hoje... ah, hoje foi diferente!

Meu chefe me chamou na sala dele para me passar algumas coisas e, no meio do papo, ele falou a palavra "carta" e - tuím! - meu cérebro fez as conexões necessárias e eu guardei para o fim. Quando ele me liberou, soltei um "aproveitando...", respirei fundo e perguntei se ele podia fazer uma carta de referência, já que estou prestes a sair. Eu não esperava que ele dissesse "não", mas a rapidez com que ele disse "sim" me pegou um tanto de surpresa. Achei que ele ia perguntar primeiro se ele precisaria colocar o cargo dele, o que precisaria especificar, se talvez não seria bom falar com a chefia máxima do órgão e todas essas coisas que tornam o serviço público tenro e aconchegante. Mas não. No fim, ele pediu pra eu fazer a carta e ele assinar (!), o que eu recusei porque meu estoque de óleo de peroba não dá nem chega pra redigir uma carta dizendo que sou uma das maravilhas do mundo moderno e passar isso pra outra assinar. E daí fechamos na alternativa de eu trazer um modelo e ele fazer em cima dele.

E aí agora vou ter que ir atrás de um modelo - o que já era previsto - e de algumas informações extras. Por exemplo, acabou de me ocorrer o seguinte: supondo que ele assine a carta até dezembro, mas eu a use efetivamente só daqui a um ou dois anos, o fato de a data já ser um tanto "velha" é um fator problemático? Porque obviamente não sei se ainda terei contato com o meu chefe daqui a um ou dois anos para poder pedir uma carta, então eu queria levar algumas cartas de referência para poder ter em mãos e usar conforme fosse necessário (para me candidatar à universidade, por exemplo). Alguém aí sabe dizer se essa dúvida procede ou se não preciso me preocupar?

De qualquer forma, é mais um passo em direção ao futuro. Vou contatar outros ex-chefes com quem ainda tenho contato e tentar juntar uma quantidade razoável de expressões de apreço pela minha pessoa.

À bientôt!

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

The Leftovers

Como falei alguns posts atrás, tenho sentido necessidade de diversificar os assuntos por aqui. E isso inclui falar de coisas que não têm nada a ver com a imigração. Então, se você pretendia ler mais algum capítulo sobre a minha mudança ou alguma novidade no processo, direito seu, mas acho que terá de aguardar mais um pouquinho.

Ainda aqui? Ok.

Ontem, eu terminei de assistir a temporada da série The Leftovers, da HBO. Tudo bem, eu sei que estou dando uma de Rubinho Barrichello, já que o último episódio foi ao ar em setembro (!), mas, tendo de conjugar verbos em francês todo dia, fazer exercícios de gramática, procurar informações sobre bairros em Montreal, "curiar" a vida dos colegas de jornada para o norte e, enfim, trabalhar (dentre outras coisas inadiáveis), acaba não me sobrando muito tempo para esses petiscos da vida, as séries de TV. A única série que eu vinha acompanhando é Game of Thrones, por razões óbvias (se não é óbvio para você, espero de coração que, um dia, passe a ser). E só comecei a assistir The Leftovers porque: (1) ela estreou no fim de semana seguinte ao fim da temporada de Game of Thrones, então eu não iria começar a acumular séries; (2) eram só dez episódios (como quase todas as séries da HBO), então, se fosse ruim, não perderia tanto tempo da vida; (3) é uma espera do cão entre uma temporada e outra de Game of Thrones, então ter outra série para ajudar a passar o tempo é bom. Então... desafio aceito!





Para quem não sabe, a série trata do desaparecimento de aproximadamente 2% da população mundial. Um desaparecimento desses de piscar os olhos e a pessoa sumir, puf, sem raios de luz, ventania jogando os cabelos do povo pro lado pra dar efeito ou coisa do tipo. Logo todo mundo (ou quase) faz a associação entre o desaparecimento e o arrebatamento, episódio previsto para ocorrer,  segundo algumas interpretações bíblicas, antes dos flagelos do Apocalipse, no qual os justos E bons E crentes E tementes a Deus seriam levados para "outro lugar" e não sofreriam o pandemônio, reservado especialmente para você aí, meu(minha) amigo(a) que faltou à missa domingo passado. O negócio é que todo mundo logo (também) se dá conta de que ou o conceito de "justo" e "bom" e etc da humanidade é diferente do de Deus, ou o que aconteceu foi outra coisa, já que uma galerinha adúltera, alguns assassinos e traficantes, além de pessoas de moral duvidosa somem do mapa, enquanto pessoas que você jura que estariam no início da fila do arrebatamento de tão puros continuam por aqui.

E aí? É de dar nó, ou quer arriscar um palpite?



Enfim, assisti o primeiro episódio e, ok, foi instigante. Não me deixou babando de ansiedade, mas não me fez correr. Mas confesso que, até o terceiro ou quarto episódio, a coisa ainda não tinha engatado pra mim. Eu estava um tanto perdido, até me dar conta que o mistério do arrebatamento é apenas o pano de fundo para as crises existenciais (e de outra natureza também) dos personagens retratados. A série se passa quase que exclusivamente na fictícia cidade de Mapleton - algo que soa como vilarejo de interior, do tipo que tem só duas casas, igreja, prefeitura, mais duas casas e acabou, mas que parece ser maiorzinha depois - e o telespectador acompanha alguns habitantes dali, três anos após o "Dia da Partida", e vê o impacto que o sumiço coletivo teve nas pessoas e na sociedade. E cara, vou te contar... é foda!

Adicione ao drama pessoal elementos "sobrenaturais" como sonhos enigmáticos, dupla personalidade aparente, profetas de todas as cores e tamanhos que juram saber a verdade do aconteceu (e os rebanhos que ele angariam) e organizações religiosas, pseudo-religiosas e do tipo "nenhuma-das-alternativas anteriores", que se dedicam aos mais variados fins. Dessas, a mais presente na série é a dos "Remanescentes Culpados", que faz de tudo para não deixar as pessoas esquecerem do "Dia da Partida" e continuarem as vidinhas medíocres, valendo-se de métodos que beiram a tortura psicológica. Aliás, o que eles fazem no último episódio da temporada teve, pra mim, a potência de uma voadora do Van Damme no queixo (ALERTA: referência do arco da véia detectada. Idade chegando). O penúltimo episódio, em que vemos, pela primeira vez, o momento da "partida" na vida dos personagens que acompanhamos desde o primeiro episódio, é incrivelmente tocante, bem escrito e montado. Um show para quem curte.

Enfim, não é uma série que vá agradar a todos, é óbvio, e eu entendo algumas das razões que já apontaram. Se você se dispuser a ver, acho que vale a pena ter em mente que o que interessa são os diálogos e as interpretações. Deixe pra lá o fato de que o criador da série é o mesmo de Lost (olhinhos virando pro alto), série com a qual é possível traçar alguns paralelos, mas que tem um tom bastante diferente desta.

E, se assistir (ou se já assistiu), me diga o que achou!

À bientôt!

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Tchau, livros!

Depois de virar no cão desabafar por conta do trabalho no post passado (nada como escrever para aliviar), voltei ao equilíbrio. Estou focando no fato de que só faltam seis semanas, e eu vou focar também em ser ainda mais irônico e sarcástico do que já sou durante esse período lá na "repartição". Tyrion Lannister que me aguarde!

Bom, a minha mudança para a casa dos meus pais em Brasília já começou há um tempo, mas gente... sabe aquela sensação de que você empacota, empacota, empacota, e tudo continua lá? Não sei se é bruxaria, magia negra, looping espaço-temporal, mas eu levei já uma quantidade considerável de coisas e meu apartamento continuava do mesmo jeito. Cada mala fechada e pesada, antes de cada viagem, era uma gota de suor de desenho animado japonês na minha testa, porque eu via o tanto de coisas que ainda estavam ficando.




Mas os livros se foram!!!! Finalmente, consegui levar toooodos os livros que eu tinha no apartamento aqui em São Paulo! Bom, "todos" não é bem a palavra, pois ficaram quatro: dois que estou lendo (o segundo volume de "Musashi" e o quinto de "A Song of Ice and Fire" - obviamente, gostando de listas, eu também gosto de livros seriados) e dois de reserva, caso eu termine esses dois antes de zarpar definitivamente para Brasília. Mas é isso: todo o resto já foi! Coisinha de uns 70 livros não lidos que agora repousam em berço esplêndido na estante dos meus pais.

E aí, sim, vi o apartamento começar a murchar! Com o adeus dos livros, pude desmontar a estantezinha de prástico em que eles ficavam esperando papai aqui escolhê-los. Então, obviamente, só com as coisas grandes saindo do apartamento é que eu vou ter a sensação de que a coisa está realmente andando. Porém, contudo, todavia, entretanto.. as coisas grandes (geladeira, televisão, móvel da televisão e do computador, colchão, etc) só serão vendidas/doadas/repassadas na minha última semana em São Paulo. Ou seja.. a tal sensação do apartamento esvaziar só vai chegar com a minha ida definitiva pro aeroporto.




Ah, e consegui alguém com quem deixar meus gibis caso eu não consiga levá-los até dezembro! Como terei de voltar pelo menos mais uma vez a São Paulo ano que vem, justamente para entregar as chaves do apartamento, terei ainda a chance de levá-los para Brasília nesse rápido retorno. Triste é saber que a maior parte deles ficará dentro de uma caixa e não será (re)lida durante um bom tempo, mas ainda acalento a ideia de levar tudo pro Canadá, tão logo eu seja rhyco, loyro e phyno estabilize a minha vida por lá (incluindo um cafofo para chamar MESMO de meu).

É isso! Aos poucos, a mudança vai acontencendo e tudo vai ficando real. Noites atrás, tive o primeiro sonho de verdade com relação à imigração: eu havia acabado de chegar em Montreal, já havia passado pelo aeroporto (essa parte foi um prólogo que não rolou visualmente, eu só tive a sensação de ter passado por lá) e já estava no centro da cidade, não sei onde exatamente, mas num lugar que parecia uma balada (com malas, Odin!), encontrei uma antiga amiga da faculdade (!!) e, de repente, me dei conta que tinha esquecido de reservar lugar pra ficar (!!!). Sonhos assim são bem a minha cara: quando tô ansioso ou preocupado com algo que precisa ser feito, é mole, mole eu sonhar que esqueci de fazer e que, tipo, agora já era... Mas, ufa, só sonho mesmo!

À bientôt!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Mon travail, je n'en peux plus!

Eu estou numa situação bastante cômoda: faltam seis semanas para eu sair do trabalho, todo mundo já está sabendo, ninguém está exigindo mais de mim do que o que eu posso oferecer até a minha saída. Ou seja, a situação não está ruim. Mas, gente... começando hoje, oficialmente eu já não aguento mais ir pro trabalho!



Tá certo que esse sempre foi mais ou menos meu sentimento desde que me tornei servidor público. Exceto para aqueles que, de fato, possuem uma formação que se encaixa direitinho no setor público ou para aqueles que só querem saber de estabilidade e salário pago em dia no fim do mês (cof, cof, e eu acho que esses são a maioria esmagadora cof, cof), o trabalho é sacal. Você não desenvolve nada, você não cria nada, você está sempre sujeito a uma "portaria", uma "lei", uma "orientação de serviço", documentos, em geral, redigidos por gente que não faz a mínima ideia de como as coisas funcionam na prática e acham que, assinando um pedaço de papel com linguagem rebuscada, resolvem tudo.

Não vou entrar nos detalhes. Não é um sentimento novo pra mim. Mas agora, com a proximidade do começo da minha nova vida (e com uma penca de coisas para resolver), o trabalho passou de aborrecimento necessário para fardo insuportável. Já disse inúmeras vezes que, se meu processo de imigração fosse recusado, eu, de qualquer forma, não ficaria mais nessa bagaça de serviço público. Quem quiser olhar só as vantagens e achar que é o paraíso, fique à vontade (e com a minha vaga). O que mais escuto é gente falando que queria estar no meu lugar, que eu sou louco de largar essa "boquinha" (blargh!), ou falando que tem horror à corrupção, ao jeitinho brasileiro e a outras coisas, mas tá louca para entrar no serviço público, uma máquina inchada, incrivelmente corrupta, que tem bem mais gente do que precisa e bem menos aparelhamento, planejamento e boa administração do que deveria, além de benefícios e vantagens que muita gente não tem o menor pudor em distorcer para se beneficiar ainda mais. Boa parte dos servidores acredita que cumpriu sua missão quando conseguem passar num concurso e querem apenas desfrutar dos benefícios e vantagens. Trabalho? Não foi pra isso que eles prestaram concurso público. Prestaram para ganhar um salário acima da média, para ter pouco ou nenhum trabalho, para ficar reivindicando aumentos que são surreais face ao (péssimo) trabalho que desempenham, e reclamar que os outros (políticos, juízes, desembargadores, ministros, procuradores, o seu Zé da esquina) são corruptos e ladrões, mas eles mesmos estão acima do bem e do mal. Até quando você encontra um setor/departamento/seção/divisão/coordenadoria em que pode, de fato, fazer algo e se sentir útil, tem sempre alguém para diminuir o seu ritmo e falar para você não vir com muitas ideias criativas (porque elas não vão pra frente mesmo, diante do tanto de assinaturas, "cientes" e "de acordos" que precisariam ter) e nem fazer tudo muito rápido (senão, o trabalho acaba e o setor/departamento/seção/divisão/coordenadoria fica parecendo um local ocioso).

Eu tenho total consciência de que eu não faço ideia do que o futuro me reserva, e que pode ser que a minha situação, no Canadá ou no Brasil, seja tão ruim, mas tão ruim, que eu chore de saudade do serviço público. Mas eu juro de pé junto que eu vou mover montanhas para que eu nunca, mas NUNCA precise voltar para um trabalho tão inútil, frustrante e inócuo quanto esse.

Desculpem o desabafo. Segue o show.

À bientôt!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Minhas janelas temporais para a imigração

É, o tarado por listas/tópicos/esquemas aqui voltou com tudo! Para tentar por ordem no galinheiro e controlar a ansiedade (embora, às vezes, eu fique em dúvida sobre se listas aumentam ou diminuem a ansiedade), tão logo voltei para São Paulo e minha mente já começou a traçar rotas e planos.




Bom, basicamente, há duas grandes "janelas temporais" até a minha mudança para o Canadá. A primeira é daqui até por volta do dia 15 de dezembro. Nesse período, estarei cuidando das pesquisas mais genéricas e, principalmente, finalizando as pendências aqui em São Paulo. Fico no trabalho até o dia 05 de dezembro, espero doar/vender tudo que não vou levar até o dia 10 ou 12 e, então, pegar o voo para Brasília. Já tenho levado tudo que cabe na franquia das companhias aéreas cada vez que vou visitar meus pais, para que eu deixe pouco ou nada aqui. Mas é livro e gibi demais, minha gente... provavelmente, vou ter que contratar algum serviço para enviar o que sobrar.

A única pendência grande que espero deixar dessa primeira parte é justamente a entrega do apartamento para a imobiliária. Como meu contrato só permite sair sem multa a partir de janeiro (avisando com 30 dias de antecedência.. ô, inferno...), só entregarei o apartamento definitivamente lá pelo começo de fevereiro de 2015. Ou seja, terei de voltar ainda uma vez aqui em São Paulo.

A segunda "janela" é depois da minha mudança para a casa dos meus pais, em Brasília, e vai até meados de março, quando pego o avião de vez. Nesse período, pretendo intensificar as pesquisas, principalmente as mais específicas (vagas de trabalho, por exemplo...), estudar muito francês (e inglês e alemão também, vai), definir o que estiver faltando e tomar medidas na prática (passar procuração, por exemplo). Vai ser intenso!

Uma coisa está resolvida em linhas gerais, pelo menos: nada mesmo de HSBC pra mim. Pretendo trocar uma parte dos meu suado dinheirinho para o primeiro mês lá em Montreal e depois levo o resto, escolhendo o que for mais vantajoso no momento. Quanto aos bancos, estou entre o Banque de Montréal, o Scotia Bank e o RBC. Como nenhum deles aceita que o futuro imigrante abra conta antes de chegar (ou exige um tanto de coisas para isso), quando estiver em Montreal pretendo dar uma passeada por eles, ver o que têm a oferecer e escolher aquele que me fizer a melhor proposta (principalmente em relação a cartão de crédito, de forma a ir construindo meu histórico).

Os estudos são outra coisa que eu acho que terão de esperar. Apesar da vontade de voltar para uma universidade, eu vou esperar chegar mesmo em Montreal, sentir a pressão e aí, dependendo do rumo das coisas, tocar essa ideia adiante. Como já falei antes, vou tentar arrumar emprego e pretendo dar um carinho todo especial para melhorar meu inglês e francês, seja fazendo cursos bancados pelo governo, seja pagando do meu próprio bolso. Daí, dependendo do rumo que as coisas tomarem, eu tento voltar às cadeiras universitárias após meu primeiro ano de Canadá.

Por enquanto, é isso! Parece simples, mas tenho que confessar que já estou começando a sentir o gostinho da ansiedade mais acentuado hehehe.

À bientôt!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Últimas férias no Brasil!

E é isso, minha gente: estou no finzinho das minhas últimas férias como trabalhador no Brasil. Se isso fez alguma diferença? Bom, na viagem que fiz, não. Mas no resto? Muita!

Não tinha nenhuma viagem dos sonhos programada ou coisa do tipo. A única coisa que eu queria é que fosse uma viagem tranquila, que me fizesse esquecer trabalho e imigração, que eu curtisse do primeiro ao último dia, tudo pra poder voltar renovado e encarar o que vem pela frente. E, salvo um ou dois percalços nada mirabolantes pelo caminho, assim foi!

O relato da viagem em si talvez fique para outra hora. Aliás, fui para fora do Brasil, passei por alguns controles de fronteira e, caso alguém aí esteja se perguntando, não, ninguém fez nenhuma indagação sobre o meu visto de imigrante colado no passaporte. Obviamente, não quer dizer que ninguém nunca fará (eu soube de um caso em que o cara teve de responder uma ou duas perguntas sobre o visto), mas, aparentemente, ninguém tá nem aí com o seu visto de imigrante de outro país.

O que rolou foi um daqueles momentos em que você, por um breve instante, consegue vislumbrar algo além do seu próprio mundo. Algo como Wendy, João e Miguel faziam naquele momento entre estar dormindo e acordado, no qual o véu que separa o mundo da Terra do Nunca pode ser rasgado. Foi um daqueles momentos em que me dou conta da minha pequenez diante do mundo e do tanto que os meus receios, embora embasados no mundo material e concreto do meu dia a dia, são insignificantes, ridículos e pueris diante da grandeza de tudo ao meu redor.

Um dia, durante a viagem, parei para pensar que, naquele momento, o pessoal no trabalho estaria fazendo as mesmas coisas de sempre, sem ter a menor noção de que, a meio mundo de distância, tantas outras coisas estavam acontecendo com outras pessoas, em outros lugares. Da mesma forma, eu estava presenciando uma ínfima parcela da realidade, sem me dar conta de que, a outro meio mundo de distância, outras pessoas estavam presenciando outras parcelas da realidade. Cada um de nós, talvez, absorto no "todo" ao nosso redor, sem percebermos que o todo, de fato, é tão maior e tão  mais abrangente, que as nossas vidas, a nossa rotina, nossos problema se nossas alegrias são ridiculamente pequenos.

Depois dessa pequena jornada interna, tive de encarar um outro tipo de realidade: minha avó morreu. Eu não era exatamente próximo dela, mas acompanhei, mesmo à distância, a luta dela contra doença, pobreza e abandono. Algumas almas boas tornaram o fim dela menos doloroso e mais digno. Mas toda a situação dela, que foi uma pessoa que teve outras pessoas trabalhando para ela no passado de bonança, me fizeram pensar em quanto a minha (nossa) tentativa de controlar tudo pode ser apenas desgastante e infrutífera. Não, não deixei de achar que é melhor prevenir que remediar. Mas ficou claro pra mim que certas coisas simplesmente estão bem além do nosso controle. Assim como todas as parcelas de realidade que não podemos contemplar, como o que um pescador está fazendo numa vila da China enquanto eu digito esse texto, ou o que eu estarei fazendo quando você estiver lendo estas linhas.

De modo que, sim, imigrar, mudar de país, deixar o certo para trás e abraçar um duvidoso que apresenta tantas ramificações que você simplesmente não sabe onde pode dar continua sendo um tanto assustador. Não dá pra saber onde eu vou parar. Mas, além de todos os outros motivos para imigrar, passei a curtir mais a ideia de estar a par de uma outra parcela ínfima de realidade.

À bientôt!