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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Últimas férias no Brasil!

E é isso, minha gente: estou no finzinho das minhas últimas férias como trabalhador no Brasil. Se isso fez alguma diferença? Bom, na viagem que fiz, não. Mas no resto? Muita!

Não tinha nenhuma viagem dos sonhos programada ou coisa do tipo. A única coisa que eu queria é que fosse uma viagem tranquila, que me fizesse esquecer trabalho e imigração, que eu curtisse do primeiro ao último dia, tudo pra poder voltar renovado e encarar o que vem pela frente. E, salvo um ou dois percalços nada mirabolantes pelo caminho, assim foi!

O relato da viagem em si talvez fique para outra hora. Aliás, fui para fora do Brasil, passei por alguns controles de fronteira e, caso alguém aí esteja se perguntando, não, ninguém fez nenhuma indagação sobre o meu visto de imigrante colado no passaporte. Obviamente, não quer dizer que ninguém nunca fará (eu soube de um caso em que o cara teve de responder uma ou duas perguntas sobre o visto), mas, aparentemente, ninguém tá nem aí com o seu visto de imigrante de outro país.

O que rolou foi um daqueles momentos em que você, por um breve instante, consegue vislumbrar algo além do seu próprio mundo. Algo como Wendy, João e Miguel faziam naquele momento entre estar dormindo e acordado, no qual o véu que separa o mundo da Terra do Nunca pode ser rasgado. Foi um daqueles momentos em que me dou conta da minha pequenez diante do mundo e do tanto que os meus receios, embora embasados no mundo material e concreto do meu dia a dia, são insignificantes, ridículos e pueris diante da grandeza de tudo ao meu redor.

Um dia, durante a viagem, parei para pensar que, naquele momento, o pessoal no trabalho estaria fazendo as mesmas coisas de sempre, sem ter a menor noção de que, a meio mundo de distância, tantas outras coisas estavam acontecendo com outras pessoas, em outros lugares. Da mesma forma, eu estava presenciando uma ínfima parcela da realidade, sem me dar conta de que, a outro meio mundo de distância, outras pessoas estavam presenciando outras parcelas da realidade. Cada um de nós, talvez, absorto no "todo" ao nosso redor, sem percebermos que o todo, de fato, é tão maior e tão  mais abrangente, que as nossas vidas, a nossa rotina, nossos problema se nossas alegrias são ridiculamente pequenos.

Depois dessa pequena jornada interna, tive de encarar um outro tipo de realidade: minha avó morreu. Eu não era exatamente próximo dela, mas acompanhei, mesmo à distância, a luta dela contra doença, pobreza e abandono. Algumas almas boas tornaram o fim dela menos doloroso e mais digno. Mas toda a situação dela, que foi uma pessoa que teve outras pessoas trabalhando para ela no passado de bonança, me fizeram pensar em quanto a minha (nossa) tentativa de controlar tudo pode ser apenas desgastante e infrutífera. Não, não deixei de achar que é melhor prevenir que remediar. Mas ficou claro pra mim que certas coisas simplesmente estão bem além do nosso controle. Assim como todas as parcelas de realidade que não podemos contemplar, como o que um pescador está fazendo numa vila da China enquanto eu digito esse texto, ou o que eu estarei fazendo quando você estiver lendo estas linhas.

De modo que, sim, imigrar, mudar de país, deixar o certo para trás e abraçar um duvidoso que apresenta tantas ramificações que você simplesmente não sabe onde pode dar continua sendo um tanto assustador. Não dá pra saber onde eu vou parar. Mas, além de todos os outros motivos para imigrar, passei a curtir mais a ideia de estar a par de uma outra parcela ínfima de realidade.

À bientôt!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Viagem ao Québec - Dia 09: Citadelle, Plaines d'Abraham e Assemblée Nationale

O nono dia de viagem, ainda em Québec, trouxe uma das coisas que eu mais queria ver na cidade: a Cidadela, uma fortaleza militar que se ergue no alto do Cap Diamant. Para ir até lá, fomos caminhando sobre a muralha da cidade, pelo menos até onde ela permitia. Isso nos valeu alguns belos cartões-postais.





 Eu não sou obcecado por militarismo ou guerras, mas tudo que tem a ver com história sempre acaba ganhando a minha atenção. Para quem gosta (do militarismo, quero dizer), a Cidadela é um prato cheio: há desde tanques e canhões até pequenos museus com medalhas e objetos históricos. 







Vale lembrar que a Cidadela é um forte militar ativo. Ou seja, há vida ali além dos turistas, e você verá militares indo pra cima e pra baixo, a pé ou em jipes estilo Comandos em Ação (#veiêra). E, por isso mesmo, o local não é totalmente aberto: se quiser ver objetos, canhões e conhecer o interior de alguns prédios, é obrigatória uma visita guiada (paga); do contrário, você só pode ir até uma área demarcada, que dá uma visão geral da área, mas não satisfaz ninguém. Fui na visita em francês e valeu a pena! Era um grupo com quebequenses, suíços e franceses, e gostei mais do que achei que fosse gostar.

Saindo da Cidadela, já caímos nas Planícies de Abraão, a segunda parada do dia. Galera, que lugar lindo! É um parque imenso, grama baixinha, árvores lindas, com pistas para corrida e ótimos locais para um piquenique. É tão bonito e limpo que tive a impressão de que os cachorros fazem as necessidades em casa e vão pro parque só mesmo pra curtir. Dá pra passar hoooooooras ali.






Demos umas voltas pela parte menos turísticas da cidade e depois fomos visitar a Assembleia Nacional do Québec. O prédio é lindo, só pela arquitetura já vale passar pelo menos em frente. Há também uma visita guiada, que fizemos, mas em inglês, pois o último horário em francês já tinha passado. 





Como reza a cartilha do serviço público, o carinha da recepção da Assembleia era bastante antipático. Não foi rude comigo, mas dava pra notar que ele estava de saco cheio e não curtia muito ser agradável com ninguém. Uma canadense anglófona estava se esforçando pra falar francês com ele e o cidadão, mesmo vendo que a mulher estava penando para entender, falava na velocidade da luz. Fiquei imaginando que deve ser assim ou pior comigo quando eu não estiver mais turistando e tiver de dar a cara a tapa mesmo.

À bientôt!

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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Viagem ao Québec - Dia 08: Cidade Velha e Musée de la Civilisation

Se teve um dia que pode ser chamado de "turistão", esse é um dos candidatos fortíssimos! Sabe aquela coisa de andar por ruas repletas de turistas, ter de esperar pra poder tirar foto (e invariavelmente acabar com cotovelos e mechas de cabelos alheios aparecendo nas bordas), entrar em lojinha de cacarecos que valem um dólar, mas pelos quais eles te cobram quarenta? Pois é, rolou tudo isso.

Resolvemos gastar uma boa parte do tempo perambulando pela cidade velha, batendo pernas nas ruelas pra se perder um pouco mesmo e, quem sabe, esbarrar com algo imprevisto. Esbarramos com vários turistas, na verdade, e, embora tenhamos, sim, topado com algumas coisas legais imprevistas, a maioria já era bem esperada. Até porque essa parte da cidade antiga não é lá tão grande. Você consegue percorrer tudo rapidinho sem se estressar. Se fizer paradas nas lojinhas ou para comer alguma coisa, consegue estender mais o tempo. Mas não quero dizer que não vale a visita: como bom amante de cidades velhas, achei essa parte muuuuuuuuuuuuito legal e bonita. O mais curioso é descobrir que ali, no meio daquela muvuca turística, há prédios residenciais.







A sensação de "estou fazendo turismo" é indissociável da região. Para alguns, isso não é um problema, mas eu fico meio deprê quando vejo um lugar histórico povoaaaaaaaaaaaaaaaaaaaado de pessoas com sacolinhas e máquinas fotográficas. Não há aqui nenhum tipo de discriminação ou censura: eu não tinha sacolinhas, mas estava lá com minha máquina fotográfica. Só que a sensação, às vezes, é que você tá na Disney e que as casinhas e prédios são de mentirinha, igual nos parques.





Enfim, gastamos um bom tempo andando por lá e vasculhando as vielas da região. De lá, fomos andando para o Musée de la Civilisation. E qual não foi a surpresa magnânima, para me deixar ainda mais feliz, radiante e querendo cantar "I believe I can fly" quando, ao chegar lá, descobri que a exposição temporária era sobre a história dos vídeo-games, tudo organizado pela Ubisoft? Caí de joelhos e chorei Fiquei mega-animado, e até esqueci do acervo permanente do museu. A exposição estava muuuuuito legal! Vinha desde os primórdios das décadas de 60 e 70, passando pelo Atari, Nintendo 8 bits (vulgo Nintendinho), Master System, Mega Drive, o bom e velho PC, Game Boy, Super Nintendo, Neo Geo, blá, blá, blá, blá, blá até os da última geração (que agora é penúltima), Playsation 3 e XBOX 360. Vários jogos icônicos estavam lá, com fatos como número de cópias vendidas, aclamação do público, momentos inesquecíveis... E o melhor! Era possível jogar boa parte deles! Dei gritinhos de colegial de desenho japonês Me refastelei jogando River Raid, Pitfall, Alex Kidd in Miracle World, Super Mario World, Indiana Jones and the Fate of Atlantis, X-Wing vs. TIE Fighter, Toejam & Earl, Double Dragon, Street Fighter II, Splinter Cell, Resident Evil, blá blá blá blá blá, até jogos recentes para smartphones e companhia, como Angry Birds. Ah, e quase tudo na versão em francês!








Preciso falar que gastei muuuuuuuuuuuuuuuuito tempo aqui?




Saindo de lá como criança, fomos ver o acervo permanente do museu, que é bastante interessante. O problema é que, a cada plaquinha, objeto ou quadro histórico, eu lembrava de algum dos jogos da sala ao lado hehehe. Por fim, tentamos ver uma exposição sobre a Paris dos anos 20, mas já estava perto do museu fechar, e não deu pra ver muita coisa. A exposição era bem interessante, com o áudio-guia sendo ativado por sensor a cada sala em que entrávamos. Realmente bem legal.

Como ainda tínhamos algumas horas de sol, resolvemos ir andando pela orla do rio, sem compromisso, até o Marché du Vieux-Port. Já imaginávamos que estaria fechado, mas o passeio é que era importante. E tivemos oportunidade de ver algumas imagens muito bonitas da paisagem local, com o sol se pondo e a luz se refletindo na região do outro lado do rio. Realmente muito bonito. Passamos por alguns lugares menos badalados turisticamente falando, como prédios históricos e o próprio Marché, que realmente estava fechado.






E, de quebra, na volta, descobri uma lojinha com temática de fantasia medieval muuuuuuuuuuito legal!!! Lá tem caixas que imitam livros antigos, fantasias de camponês, cavaleiro, donzela, princesa, feiticeiros e por aí vai. Há também cálices de todos os tipos, livros e jogos que tem a fantasia medieval de fundo, réplicas de espadas, adagas, punhais e outras armas. Muuuito show! Sem dúvida, quando estiver por lá de novo, farei nova visita!

À bientôt!

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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Viagem ao Québec - Dia 07: Musée du Fort e Musée de l'Amérique Française

Um dos meus vários problemas - haja reencarnação pra dar conta de tudo - é deixar coisas inacabadas. Em geral, e pelo menos isso eu já consegui identificar, eu me proponho a fazer coisas de longa duração, começo super empolgado e perco o entusiasmo no meio do caminho. Mas não quero deixar isso acontecer com o relato da viagem para Québec (que, inclusive, acabei esquecendo de incluir quando falei das coisas boas do ano passado). Então, vamo lá!

Depois de levantar cedo e tomar aquele café da manhã ixperto de albergue (café, torrada e cereal), fomos direto para o primeiro museu da nossa lista: o Musée du Fort. Olha, se teve um museu que eu posso dizer que gostei e que me empolgou foi esse. Talvez porque ele fuja dos padrões normais (há quem diga que ele nem pode ser classificado como museu, e eu entendo) ou porque o que ele mostra é conciso e focado (ao contrário dos museus maiores e mais tradicionais, que abordam, muitas vezes, vários assuntos e épocas). Mas o fato é que gostei muito!



O museu apresenta um pequeno show de luzes e sons que reconta algumas das batalhas mais famosas da cidade de Québec. Há uma maquete da região no minúsculo auditório, e a narração é acompanhada de luzes que mostram o deslocamento das tropas, sons de tiros, canhões, ordens de comando e por aí vai. Há sessões em inglês e francês, e pegamos esta última. Deu pra entender uns 85% do total, o que achei bom. E a menina gracinha da recepção atendeu tão bem, mas tão bem, que acabei encorajado a fazer uma pergunta sobre a história narrada. Fiquei com medo de ser uma pergunta que já estava na narração, mas - viva! - não era. Tanto que ela teve que consultar um livrão com todos os fatos históricos para me responder. Saí de lá com vontade de comprar livros e livros sobre o assunto (mas não na lojinha, que enfia a faca e ainda gira).

De lá, fomos para o Musée de l'Amérique Française. Esse é mais tradicional e com mostras permanentes e temporárias. Há uma sobre a imigração no Québec, mas focando mais no passado, nas pessoas que ajudaram a formar a sociedade quebequense de hoje.



Na parte temporária, havia uma bela exposição de obras de arte religiosas, que iam de pinturas e esculturas a objetos utilizados por pessoas ligadas à religião em várias épocas. A senhora que estava na recepção falava o francês quebequense mais claro que já ouvi na vida. Respondeu nossas perguntas com clareza e ainda nos orientou sobre como obter descontos em outros museus utilizando o ingresso do Musée de l'Amérique Française. Ah, ela também nos falou sobre um tour guiado pelo antigo mosteiro que fica ao lado do museu e que hoje é parte da faculdade de arquitetura da Université Laval. Optamos por conhecê-lo porque, bom, já estávamos ali mesmo, né? E, pra mim, história nunca é demais. Só que tivemos de interromper o passeio no Musée de l'Amérique Française para fazer o tour, já que ele tinha hora marcada (mas pudemos entrar no museu de novo depois sem problemas e sem custos).  O legal foi que a senhora da recepção perguntou de onde éramos, se espantou com a resposta e ainda perguntou: "mas no Brasil se fala francês também?". Com a nossa resposta negativa, ela perguntou então onde tínhamos aprendido a língua, e aí...




Mas devo confessar que meu amigo falou mais dessa vez, então o crédito deve ir pra ele (e o pavão é uma piada, tá, gente, eu não acho de jeito nenhum que eu fale bem francês e sempre acho que quem diz que eu falo está sendo simpático ou quer me vender alguma coisa. Tenho certeza que vou penar bastante quando chegar a minha hora de me virar nos 30 pra valer em Montreal).

Depois de tantas horas dentro de museus, resolvemos sair por um dos portões da cidade velha e conhecer um pouco da cidade nova. Andamos meio sem rumo, só para observar mesmo os contrastes (mas estávamos de olho em algum supermercado para comprar comida de gente local, já que comida pra turista é bem pesado no bolso). E foi uma experiência bem legal: nessa andança, tivemos a primeira sensação (que se perpetuaria) de que gostamos mais de Québec que de Montreal. É um tanto complicado de explicar, mas Québec pareceu mais aconchegante, mais com cara de cidade pra morar e ser feliz que Montreal. Desse dia em diante, tornei praticamente programa obrigatório ver o pôr do sol do terraço próximo ao Château Frontenac. Era sempre um fim de tarde agradável e uma sensação de tranquilidade muito boa, e dava até ânimo novo para continuar batendo perna depois que a noite chegava.



Só uma coisa me fez resmungar um pouco: a temperatura. Em Québec, estava bem mais quente que em Montreal. Chegamos a pegar 25ºC!! 25 positivos!! Um absurdo! Suei em bicas. Mas era só ir pra uma sombra que o friozinho logo vinha hehehe. É ótimo poder escolher, né não?

À bientôt!

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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Viagem ao Québec - Dia 06: De Trem para Québec

Acordamos um pouco mais tarde, e nos demos a esse "luxo" porque só teríamos de fazer o check-out e ir para a estação pegar o trem para Québec. Foi tudo tranquilo, só a recepcionista que fez o nosso check-out que não foi tão agradável quanto a que nos recebeu. Mas sem traumas.

Fomos com nossas mochilas a pé mesmo para a Gare Centrale e lá dentro tivemos de andar um pouco para nos situarmos. Mas é tudo bem tranquilo, depois que você está lá: nossas passagens (que compramos pelo site da VIA Rail pouco antes de viajarmos de fato) estavam nos nossos celulares e isso facilitou um tanto. Localizamos o nosso portão (que, na verdade, é uma escada que desce) e ficamos aguardando nosso trem, que saía às 9:00 hs. Logo a fila começou a se formar e uma fiscal passou com um leitor para verificar os bilhetes. Você pode levar impresso ou no celular, como nós fizemos. Depois de algum tempo dessa conferência, liberaram a escada e lá fomos nós.

Os trens são confortáveis e alguns possuem wi-fi. Não há lanche a bordo (pelo menos, não nessa viagem de Montreal a Quebec), mas eles passam vendendo bebidas. Contudo, você pode levar um lanchinho comprado fora, e foi o que nós fizemos. Foi tranquilo, deu pra contemplar a paisagem, conversar sobre as impressões que Montreal havia nos deixado nessa primeira parte e atualizar as anotações.

O trem chegou só um pouquinho depois das três horas previstas. E a sensação que tive foi a de estar realmente desembarcando em uma cidade do interior. A arquitetura da estação, para começar, é linda, e o prédio realmente merece umas fotos. Quando você deixa a estação, dá numa pracinha, e foi onde nós sentamos para contemplar um pouco o lugar - e dar tempo para que pudéssemos ir para o albergue fazer o check-in.





Escolhemos o Albergue da Juventude (HI Hostel) de Québec para essa parte da viagem. Ele está praticamente no meio da área turística da cidade. Saindo da estação, você vai em frente, subindo, subindo, subindo (e graças aos céus que estávamos só com mochilas) e acaba passando por ruas cheias de lojas para turistas. Foi tranquilo achar o albergue e fomos bem recebidos. O quarto em que ficamos era bom, exceto pelo wi-fi, que não pegava com a porta fechada de jeito nenhum. Quando precisávamos usar o wi-fi (basicamente, avisar a família que ainda estávamos vivos), tínhamos de sair do quarto e às vezes descer até a recepção. Mas o quarto tem espaço suficiente e é bem iluminado (a ventilação é que peca um pouco).

Meu amigo capotou depois da viagem, e eu aproveitei para ler um pouco sobre o lugar e fazer anotações. Quando ele levantou, saímos para fazer o primeiro reconhecimento. Ali naquela área é impressionante: parece que qualquer rua que você pegue dá no Château Frontenac! Enfim, passamos por ele (com as fotos obrigatórias) e andamos pelo terraço que tem ali, que é bem grandinho. Ficamos vendo o rio, a movimentação de turistas e o pôr do sol. Eu realmente curti esse lugar, tanto que sugeri ao meu amigo que voltássemos outras vezes ali nos dias seguintes, sempre que possível, antes de voltar ao albergue.








Antes de encerrarmos o dia, resolvemos ir comer em algum lugar ali na área turística mesmo. Eram por volta de 9:30 hs da noite, e já havia bem pouca gente na rua. Nem dava pra dizer que era por causa do frio porque, bem, estava fazendo 13ºC e eu não chamo isso de frio. Escolhemos um restaurante e quem nos atendeu foi uma senhora que, por alguma razão, coloquei na cabeça que era a dona. Ela veio nos atender em inglês (!), mas eu respondi em francês e disse que precisava praticar. Ela disse que ela também precisava :P O atendimento foi legal e a comida foi boa, só que... notei uma pressa no atendimento. Logo ficou claro: deu 10 horas, tudo ali por perto começou a fechar. Ou seja, mais um pouco, eu e meu amigo teríamos de nos aventurar por outras bandas para comer.

Em suma, o primeiro dia em Québec, embora não tenha sido nem um dia inteiro e não tenhamos visitado de fato nenhuma das atrações turísticas, me cativou pela aparente tranquilidade do lugar. Mesmo na área turística, não parecia haver gente demais. E, entendam, quando falo isso, acho realmente muito bom! Só Deus sabe o tanto que eu estou cansado de trombar com pessoas em São Paulo.

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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Viagem ao Québec - Dia 05: Parque Jean Drapeau

Esse dia foi praticamente todo dedicado a ficar um tanto longe da cidade. Resolvemos ir às ilhas de Notre-Dame e Sainte-Hélène e explorar o que há lá.

Foi o primeiro e um dos únicos dias em que pegamos metrô. Foi bom para conhecer e para ver que ele, aparentemente, é menos entulhado de gente que os que conhecemos. As máquinas de vendas de bilhetes são bem simples e o próprio sistema da rede é tranquilo. Não há, por exemplo, divisão em zonas como em Londres e certas cidades da Alemanha. Então você compra o bilhete na máquina e vai ser feliz direto na catraca, que é do tipo que "puxa" o bilhete e devolve. Pegue de volta, caso algum fiscal resolva te pedir em algum momento (não aconteceu com a gente).

Enfim, fizemos baldeação e tudo e chegamos no parque Jean Drapeau bem rápido. E gente... que lugar desolado! Explico: quem leu outros posts sobre a viagem notou que, aqui e ali, eu comentei que não estava vendo muitas pessoas nas ruas e tal. Bom, talvez alguém que já está morando em Montréal há um tempo possa dar uma explicação, mas a verdade é que, passados cinco dias, eu achei a cidade praticamente deserta. Claro que minha referência é São Paulo, que se assemelha a um estouro de manada de gnus, mas sério, eu achei a cidade vazia demais. O parque então... certo, eu sei que o outono estava se instalando e que as temperaturas não estavam mais altas e tudo aquilo. Mas e aí? É assim mesmo? O verão acaba e todo mundo se esconde, mesmo antes de fazer -20ºC?

Olha! Pessoas!

Vaziooooooo

Desertoooooo


O parque Jean Drapeau fica numa das ilhas menores entre a ilha de Montréal e Longueuil. É enorme, e tem algumas atrações turísticas bem interessantes, além da área verde em si, extensa e muito, muito bonita. Fomos andando bem tranquilamente, eu chocado e me sentindo num filme de terror, vendo quiosques de comida, cachorro-quente e outras coisas fechados com cadeado, aquele monte de folhas sendo soprado de vez em quando pelo vento, caminhos e trilhas praticamente desertos. Na verdade, fora as poucas pessoas que desceram com a gente no metrô e que, obviamente eram turistas, parecia não haver viva alma no parque. Aliás, nem alma, quanto mais viva.





Nossas andanças, além de nos levar a cenários bonitos, também nos conduziu ao Stewart Museum. Ele está sediado numa antiga fortaleza militar e o acervo é bem focado nisso. Havia uma exposição temporária de cartografia e foi bem interessante ver mapas confeccionados nos anos 1500 e 1600 e como eles retratavam áreas, países e continentes cujas formas e contornos diferem, às vezes, muito do que conhecemos. Gastamos umas duas horas lá, e ainda ouvimos do cara da recepção que ele tinha ficado feliz em ver que a gente passou tanto tempo lá vendo a exposição, já que a maioria das pessoas olha tudo em 45 minutos. Vê se pode!




Nosso plano era ir até a Biosfera e visitá-la por dentro, mas concluímos que não valia a pena, se pensássemos no preço e no tempo que tínhamos disponível. Então nos contentamos em olhá-la por fora, tirar fotos e fazer um lanchinho na área em volta. Foi um dos locais em que mais encontramos turistas, mas, mesmo assim, dava pra contar nos dedos.



Fica pra próxima!


Atravessamos a ponte para a outra ilha e chegamos ao lugar onde foi realizada a Exposição Mundial na década de 60 (mais especificamente em 1969, como um comentário ali embaixo mencionou) . Esse foi um evento que deve ter marcado mesmo a cidade, pois em praticamente todos os museus você encontra alguma referência a ele. Cobrimos boa parte da área dos antigos pavilhões dos países, que hoje não existem mais ou se transformaram em outras coisas. Essa parte do parque é muito bonita também, e finalmente vimos um número maior de pessoas praticando corrida, ciclismo ou só andando mesmo. Passamos também pelo cassino - que estava em reforma -, pelo circuito Gilles Villeneuve e vimos, de longe, o La Ronde, o parque de diversões naquele estilão antigo (fechado também).

Olha, posso dizer que realmente adorei o parque! Fiquei me imaginando indo ali, como no Parc du Mont Royal, só pra sentar e ler um pouco, ou até pra retomar o hábito de dar uma corridinha de vez em quando. É claro, quando a realidade chega, as coisas mudam. Não sei se, depois de um ou dois anos morando lá, com a vida a toda, eu (ou alguém) vai realmente pensar em esticar até o parque só para ler um pouco. A julgar pelo tanto de gente que encontramos nesse passeio de início de outono, nem os próprios montréalais pensam :P

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domingo, 27 de outubro de 2013

Viagem ao Quebec - Dia 04: Vieux Port

Esse dia dedicamos todo à área porto velho de Montreal. Fomos a pé, pra variar, e começamos a visita pela prefeitura. Dá gosto de ver um prédio daqueles, hein? E é permitido aos turistas entrar, mas a visita fica restrita ao salão principal e "espichadas de cabeça" em algumas salas. Ainda assim, pela beleza do lugar, vale uma visita, mesmo que rápida.

Com uma prefeitura dessas, dá até gosto de ser cidadão!

Recepcionista da prefeitura

Foto do tipo "espichando a cabeça pra dentro da sala"

E você aí, achando que pode chamar de vaso aquela jarrinha em cima da estante

Quando saímos da prefeitura, notamos um mundaréu de gente na rua. Não demorou muito, notamos também que um alarme (provavelmente de incêndio) estava soando em algum dos prédios próximos. Há varios edifícios do governo, e o mundaréu de gente parece ter saído de dois deles, que aparentemente eram relacionados à justiça, pois o que teve de neguinho com roupa de juiz andando pela calçada... Enfim, a gente até ficou curioso pra saber se era só um exercício de incêndio ou algo pra valer (escutamos algumas pessoas perguntando "qu'est-ce qui se passe?" umas às outras), mas tínhamos mais o que fazer, né?

Fomos então para a igreja de Notre-Dame de Montréal. Ali eu me senti turista pela primeira vez na cidade: fila pra entrar, ômibus de excursão chegando e saindo, um monte de gente com máquina fotográfica e por aí vai. A igreja é bem escura no interior, tem aquele ar um tanto opressor comum a grandes catedrais cristãs, mas vale muito a visita. 

Ei-la!

Olha essa iluminação!
A próxima parada foi o Centre d'Histoire de Montréal. Ele funciona em um prédio que abrigava o corpo de bombeiros da cidade há trocentos anos. Uma coisa que notamos aqui (e depois em outros prédios da cidade) é que vários edifícios históricos mantém a fachada original, inclusive com quaisquer inscrições da época. Assim, por trás das letras dos dizeres Centre d'Histoire de Montréal, você consegue ver o letreiro original de quando o lugar era dos bombeiros.

Tá vendo ali, ó? Caserne Centrale de Pompiers...
O centro é muito, muito, muito interessante (se você gostar de história, claro). A área dele não é muito grande, mas ele abriga muita informação desde a fundação da cidade em 1642 até os anos 2000. É bem legal ver como a cidade se expandiu e mudou, incluindo as influências que a tornaram o caldeirão multicultural que ela é hoje. O único "porém" aqui é que a disposição das informações é um tanto estranha, e você pode se perder um pouco em meio a tanta coisa. Ah, a quantidade de coisas também acaba fazendo você gastar um bom tempo, então, se você se interessa por história, pode reservar meio dia fácil pra ficar aqui dentro.

Depois de visitar o centro, fomos  nos perder um pouco pelas ruas da região, o que nos rendeu esbarrar com lugares com esse aí:






Fomos ao destino seguinte que era o Pointe à Callière, um museu/escavação arqueológica que está localizado no ponto exato onde a cidade de Montréal começou. Começamos o passeio por uma exposição que estava rolando sobre o chá (eu sei, nada a ver com o início de Montréal, mas o museu não é só da cidade). Foi bem interessante, mais do que eu esperava que fosse. Mas o grande atrativo do Pointe à Callière é a possibilidade de explorar as ruínas das primeiras construções da cidade, que datam do século XVII e ficam no subsolo da cidade moderna. Eu senti falta de ter mais informação sobre cada um dos lugares que são descritos ali, mas a sensação de estar vendo algo que foi construído e está enterrado ali há 400 anos é muito legal.






De lá, fomos dar uma volta pelo porto em si, que não é propriamente bonito, mas é muito bem cuidado. Há sempre pessoas andando de patins, bicicleta, correndo ou dando uma voltinha a pé mesmo. Aquele lugar parece te tirar um pouco da cidade propriamente dita, pois a agitação fica realmente pra trás e você tem a sensação de estar numa área bem mais isolada da cidade. Fomos seguindo o rio São Lourenço e passamos por uma "prainha" (na verdade, uma área cercada onde há areia, alguns guarda-sóis e espreguiçadeiras na beira do rio, mas que estava fechada com uma placa que dizia "o verão terminou! Até o ano que vem!") e pela torre do relógio. Essa área toda estava praticamente deserta. Na volta, passamos em frente ao Marché Bonsecours, mas não entramos porque já estava fechado.

A noite já estava se instalando quando nos demos conta que estávamos bem pertinho do centro velho que abriga ruelas cheias de lojinhas para turistas. Fomos dar uma volta lá e acabamos tendo nossa segunda experiência "poutinística". Comemos no Poutine Montréal, que deu de 10 a 0 no Frite Alors. Realmente muito bom, pudemos curtir um jogo de hóquei sobre o gelo pela TV e ainda tivemos um garçom super simpático, que nos tratou muito bem, quis saber se a gente entendia tudo que ele falava em francês e nos deu várias dicas. Foi pra ele, inclusive, que eu perguntei se não falavam addition no Québec (e, como já contei antes, ele disse que falam, sim, mas é mais comum dizerem facture ou note).