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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Carteira de Residente Permanente chegou!!

Finalmente!! Depois de quatro meses e meio em solo canadense, eis que recebo, gloriosa e bela, pelo correio, minha carteira de residente permanente!

Se pareço diferente na foto, é que agora estou mais magro.

Demorou tanto por erro meu, pelo menos em parte. Antes de vir pra cá, a informação que eu tinha era que a carteira de residente permanente seria enviada para o endereço que eu fornecesse na hora da chegada (o famoso landing). Eu passei o endereço do amigo que me hospedou, e confirmei pelo site do CIC que tinham atualizado. Daí fiquei esse tempo todo aguardando a carteira chegar. Consultava a estimativa de envio de vez em quando e estava entre dois a três meses. Então deixei quieto.

Mas achei que começou a demorar demais quando passou de três meses. Olhei o site de novo, e o prazo tinha aumentado um pouco. Só que, quando passou de quatro meses, comecei a desconfiar que algo poderia estar errado. Voltei ao site para tentar encontrar um contato direto, mas aí me veio a "brilhante" ideia de tentar fuçar um pouco mais e ver se encontrava informações. E acabei chegando a uma página de atualização de endereço que dizia que eu não possuía nenhum cadastro junto ao CIC.

Hein?

Voltei duas páginas e lá estava o endereço do meu amigo. Avancei duas páginas e o site do CIC me dizia que eu não tinha endereço cadastrado e que tinha de informar um no prazo de seis meses contando da minha chegada. Não sei se comi bola quando o agente de imigração me passou as informações (eu tava só "um pouquinho"nervoso, sabe?), se mudaram alguma coisa e eu passei batido, ou se simplesmente entendi a informação original errado, mas o fato é que, para todos os efeitos, eu ainda não tinha endereço físico no Canadá cadastrado para envio da carteira de residente permanente. Preenchi o formulário eletrônico e enviei na mesma hora. A carteira chegou uns dias depois.

Ainda bem que vi isso a tempo, porque a carteira só sai "de grátis" para quem imigrou se você informar o endereço dentro dos seis primeiros meses após a chegada. Depois disso, é preciso entrar com um pedido formal e — adivinha! — pagar taxas!

Então, você aí que está pra chegar, fique esperto(a)!

À bientôt!

quinta-feira, 19 de março de 2015

O (Re)Início!

E aí que eu cheguei!! Já estou devidamente imigrado das Terras Brasilis para as Terras do Norte!! Fiquei um tempo sem ter acesso pra valer a um computador, mas agora acho que vai!

Bom, quem me acompanha já há algum tempo sabe que eu, às vezes (só às vezes) escrevo bastante. Então, se te interessa saber sobre o meu processo de landing, pega um café ou chá, uns biscoitos (ou pizza) e senta que lá vem história!


Pré-viagem

Acho que, sem exageros, dá pra dizer que sábado foi um dos piores dias da minha vida. Eu sei que, pra muita gente, o dia da viagem definitiva rumo ao Canadá é o dia mais feliz e aguardado da vida. Eu também estava aguardando esse dia, mas ele não veio com aquela sensação bem resolvida e determinada e, sim, com muita angústia e tristeza.

Já quando levantei e fui dar bom dia pra minha mãe, ela desabou. Chorou muito, e eu acabei acompanhando. Eu já estava nervoso desde uns dois dias antes, com a arrumação da mala (e a constatação de que deixaria mais coisas do que imaginava) e o medo de esquecer alguma coisa importante pra hora H de passar pela imigração. Ver a tristeza da minha mãe não ajudou. Mas ela me encorajou o tempo todo, e afirmava que as lágrimas eram saudade antecipada.

O dia foi passando e eu não conseguia relaxar de jeito nenhum. Tentei levar a vida normalmente, mas tudo que eu fazia parecia artificial, porque a cabeça estava no futuro próximo do dia seguinte. Um futuro pelo qual eu esperei bastante tempo, mas que, de repente, parecia não ter mais tanta importância. Meu pai, minha mãe, minha irmã, todos aqueles que são extremamente, mas extremamente importantes mesmo pra mim, iam ficar para trás. Então, no meu caso, não adiantou muito aquela história de que eu já havia mudado de Brasília pra São Paulo, então seria mais fácil. Mais fácil é a @#%@#!!!! Acho que foi pior do que quando fui pra São Paulo!

Com as horas passando, tudo foi só piorando: pensamentos cheios de medo, falta de ar (tinha asma quando moleque, e, quando tô numa situação de muito estresse, o ar começa a faltar), uma vontade de desistir de tudo querendo se infiltrar e se instalar. Um turbilhão de lembranças, imagens, pensamentos, anseios que quase deram um nó. Eu ficava pensando: "cadê aquela sensação que todo mundo descreve nos blogues de euforia, de alegria pela partida, de finalmente estar indo realizar o sonho e tudo mais? Será que só eu é que sou esquisito??"

Quando deu a hora de ir para o aeroporto, eu estava no auge da angústia. No caminho, mais de uma vez me deu uma vontade súbita de pedir para o meu pai dar meia volta e me levar pra casa. Talvez assentar melhor o turbilhão de emoções antes de ir. Mas fiquei quieto. Procurei pensar e lembrar do que várias pessoas me haviam dito: que tudo isso faz parte, que o medo é intrínseco a qualquer mudança, que a ligação com a família não se rompe com a distância, que o dia seguinte seria melhor. E fui.

Eu estava triste por abrir mão do meu porto seguro, triste por fazer minha família passar pela minha angústia (além da que eles já passavam por eu estar me mudando), triste por não ter como saber se era a escolha certa. Na hora de embarcar, minha mãe se desmanchou de novo, e minha irmã também. Me segurei muito pra não deixar a situação pior, porque elas sabiam que eu estava extremamente nervoso, e chorar só deixaria as duas mais preocupadas. Meu pai, forte e carinhoso como sempre, me desejou tudo de bom e falou que as portas de casa estão e sempre estarão abertas.

Com um nó na garganta, fui pra sala de embarque. Eu tinha planejado fazer alguns vídeos de tudo e postar aqui, mas a angústia e o peso de tudo aquilo eram tão grandes que tiraram minha energia pra tudo. Embarquei no avião e dei tchau mentalmente para a minha Brasília.


Durante a viagem

Meu voo foi para Miami, e achei que não fosse conseguir dormir. Eu durmo mal até na minha cama, imagina numa poltrona de avião. E, com 7 horas pela frente (e minha cabeça funcionando a mil por hora), achei que não ia conseguir pregar os olhos. Mas, depois do jantar, me acomodei na janela e não é que consegui dormir umas 3 horas direto? Deus sabe que isso é um feito digno de ser gravado em pedra!

Quando despertei de vez, a angústia tinha diminuído um pouco. Apesar de ainda ameaçador, o futuro parecia um pouquinho mais cheio de esperança. As saudades de casa, da família, da segurança ainda eram grandes, mas não tinha mais aquela cara de separação definitiva, de luto. E eu procurei não me aprofundar nisso pra não trazer tudo de volta.

O nervosismo, contudo, não foi embora, e já na imigração em Miami ele deu as caras de novo. Acho que já comentei por alto no blogue que tive (e ainda tenho) um tipo de distúrbio que provoca ansiedade em excesso, o que, por sua vez, pode se manifestar de forma física (como a falta de ar ou ânsia de vômito) ou psíquica (crise de pânico). De forma que interações com pessoas sempre foram um obstáculo pra mim. Falar com estranhos, pessoalmente ou por telefone, eram um parto na minha adolescência e início da minha vida adulta. Eu hesitava, adiava, pensava em como ia falar, e, quanto mais fazia isso, mais ansioso e próximo de uma crise eu ficava. No Brasil, isso já estava beeeeeem melhor. Eu podia interagir com quase todo mundo sem parecer que tinha sido deslocado no tempo. Porém, uma das coisas que me afligia (e agora posso dizer que ainda aflige) era ter de começar a falar em inglês e francês pra ter uma vida nova em outro país. E, com toda a angústia do dia anterior, claro que não ia ser fácil, né?

Na imigração em Miami, eu quase travei. O agente começou a me fazer as perguntas de praxe e eu entendia o que ele falava, mas não conseguia responder de imediato. Ou então não entendia e simplesmente não conseguia pedir pra ele repetir. Ele volta e meia me dava uma olhada suspeita e chegou ao ponto de começar a falar espanhol achando que eu não estava entendendo. Não adiantou nada. A trava continuou. Pedi um segundo a ele, respirei fundo, fechei os olhos (Deus sabe o que passou pela cabeça dele), tentei relaxar e aí as coisas começaram a sair. Meio tronchas, meio como se eu tivesse uma batata quente na boca, mas saíram. Carimbo no passaporte, "boa viagem" e segui para pegar a mala. Quando passei pela alfândega, tudo saiu um pouquinho melhor, e o oficial me chamou até de "bro".

Despachei a mala na esteira de conexão e segui para o check-in. A trava na garganta ainda estava lá, mas foi mais fácil do que no guichê da imigração. Depois disso, foi sentar e esperar: meu voo para Montreal iria demorar ainda 5 horas pra sair, e eu nem estava confirmado nele ainda. Achei uma conexão wi-fi aberta e avisei a família e outras pessoas próximas, e tentei passar o tempo como deu.

Meu portão mudou três vezes, então peregrinei bastante de um lado para o outro. Quando enfim decidiram qual ia ser, sentei e fiquei aguardando. Falei com a agente do portão duas vezes na tentativa de confirmar meu assento, mas ela disse que só poderia fazer isso no último minuto, e que, se não desse, eu teria de ser deslocado pro voo seguinte, que sairia só três horas depois. Difícil, viu? Ainda mais com a minha garganta e língua se recusando a colaborar na comunicação. Mas, realmente, no último minuto, ela aparece gritando: "SIR, SIR! YOU'VE MADE IT! BUT YOU MUST BOARD NOW, SO HURRY!!!"

Por graça divina, fiquei num assento no corredor (tudo que eu detesto é ficar espremido entre dois estranhos) e pude ficar um tanto mais tranquilo. Muito do luto do dia anterior já tinha se dissipado, mas a angústia ainda persistia, embora mais branda. Tentei relaxar porque sabia que ainda tinha mais pela frente. Mas não consegui.


Pós-viagem e landing

O voo de Miami pra Montreal durou três horas. Não consegui comer nem beber nada à bordo. Quando o avião pousou, já comecei a respirar fundo dali (se o oxigênio do mundo começar a rarear, podem saber que eu tenho parte nisso).

Preenchi o cartãozinho da alfândega que dão no país e ainda tentei ajudar uma senhora que só falava espanhol. Agora, vocês imaginam eu, com todo esse distúrbio psicológico ativado e ligado no 220, sem conseguir me comunicar em inglês e francês, e ainda tentando me fazer entender em portunhol. E olha que eu também tinha dúvidas quanto ao preenchimento do cartão: por exemplo, no campo de "endereço", eu colocaria o meu do Brasil ou o endereço no qual ia ficar no Canadá? Então não fui de grande ajuda, mas pelo menos dei minha contribuição ajudando a carregar as malas dela.

No guichê do controle de passaportes, outro parto. Garganta fechada, língua que quase não saía do lugar, lábios que mal se mexiam. Tinha que repetir as respostas mais de uma vez, e ia me sentindo pior com isso. Ela perguntou sobre o endereço que eu tinha colocado no cartão (o meu de Brasília) e eu expliquei que estava imigrando e que aquele era meu último endereço certo e conhecido. Ela perguntou se eu ia vendê-lo e eu disse que era dos meus pais. Ela disse que tudo bem, que se tinha gente morando lá ainda então tava valendo. Disse então que era pra eu mostrar esse mesmo cartão na saída da alfândega, depois de pegar a mala, e que eles me direcionariam ao lugar apropriado.

Peguei a mala, passei pela alfândega, o agente olhou o cartãozinho, perguntou "é imigração, né?" e me mostrou uma porta ali perto pra onde eu deveria ir. Peguei uma filinha com mais alguns guichês e, na minha vez, o agente pediu meu passaporte, o cartão e a confirmação de residência permanente. Me levou pra perto do guichê de câmbio, pediu pra eu deixar as malas lá, sentar numas cadeiras próximas a outros guichês e aguardar. Foi a parte que mais demorou e, ainda assim, foi coisa de 15, 20 minutos. Um agente de imigração finalmente me chamou, me cumprimentou e eu já fui dizendo que todas as línguas tinham sumido da minha boca, o que fez ele rir. Aliás, todos os agentes foram tranquilos. Se não foram extremamente sorridentes e agradáveis, foram, pelo menos, profissionais e cordiais. Ele pediu meu passaporte, meu CSQ, minha confirmação de residência permanente. Junto foi a lista dos meus bens, e ele perguntou o que era. Expliquei que eram os itens que eu estava trazendo e os que viriam depois, e ele falou então que iria anexá-las aos meus documentos para evitar que eu fosse tributado por esses bens. Fiquei feliz de ter incluído até algumas coisas de pouco valor, porque vai que, né?

Ele pediu também meu endereço, e eu passei o do amigo na casa de quem iria ficar. Preencheu uns formulários no computador, tirou cópias dos documentos, pediu pra eu assinar umas folhas e perguntou quanto dinheiro eu estava levando em espécie. Disse a quantia e falei que traria mais do Brasil depois, mas ele não quis saber. Me deu alguns livros e folhetos e me encaminhou pra salinha do Quebec, que fica mais ao fundo, para validar meu CSQ. Lá, tive um déja vu: a salinha é bem no estilo de repartição pública brasileira. Deu até saudade do trabalho (só que não). Uma senhora com sotaque obviamente estrangeiro me atendeu, me fez algumas perguntas sobre dados pessoais, pediu o passaporte, a confirmação de residência e o CSQ, e me falou sobre o NAS e a Assurance Maladie. Saí de lá com um horário agendado na Régie d'Assurance Maladie para quinta-feira, uma palestra sobre as primeiras etapas pós-landing para sexta-feira e uma semana de palestras referentes à integração. Ganhei meu bienvenu au Québec e finalmente fui liberado (não sem antes deixar o cartãozinho da alfândega com a última agente, perto da saída).

E lá estava eu, cansadaço, ainda travadaço, com uma dor de cabeça enorme por causa do estresse e da noite mal dormida, mas sem falta de ar e, enfim, livre pra recomeçar a vida. Como podem ver, foi tudo tranquilo, exceto por mim mesmo e a minha cabeça. Mas faz parte. Vamos ver o que o futuro traz!

À bientôt!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Sobre consultores

Algumas das perguntas que mais chegam pra mim por e-mail dizem respeito a consultoria. Se eu usei, qual a melhor, se vale a pena, se dá mais chances, se é melhor fazer com consultores que já trabalharam pro escritório de imigração... Enfim, como elas se repetem com frequência, lá vai um post sobre o assunto.

Antes de mais nada, que fique claro: quase tudo que eu escrever aqui é a minha opinião. Métodos científicos utilizados foram reflexão de banheiro e alguns casos que vi por aí. Então, lembre-se de que nada aqui é verdade absoluta.

Prontos? Então tá.



Pra começar, eu não usei consultoria alguma em nenhuma etapa do processo. E não usei por três motivos: 1) desde a primeira palestra de imigração à qual fui, todos os funcionários dos escritórios de imigração sempre falaram que o processo não precisava ser feito por meio de consultores ou despachantes, e que a utilização dos serviços deles não dava mais pontos e nem tornava prioritário o processo de qualquer candidato; 2) todas as informações necessárias para dar entrada no processo estão na Internet, nos sites oficiais (e em vários não-oficiais), algo que também sempre era repetido nas palestras; 3) eu prefiro gastar o valor cobrado pelos consultores em algo como comer, rezar e amar livros, gibis e jogos de vídeo-game. Logo, não vi motivo algum pra sentar na frente de um consultor.

E quer saber? Realmente, não senti a menor falta. Tive, sim, que ler muito, mas muuuuuuuuuuuito mesmo, me contorci com algumas dúvidas, umas do tipo "iniciante tem mesmo é que sofrer" e outras que eram mais relevantes e cuja resposta eu não encontrei tão fácil. Mas, ainda assim, com o tanto de blogues, fóruns e sites espalhados por aí, você sempre consegue garimpar as informações de que precisa ou, pelo menos, onde obtê-las. É um trabalho de paciência, análise, cruzamento de dados e informações, mas é totalmente possível de fazer. E ainda traz um benefício: o tempo gasto e o envolvimento necessário fazem com que você entenda um pouco melhor no que está se metendo e também permitem que a adrenalina inicial que a ideia de mudar de país causa baixe a um nível que te permita pensar com o cérebro mesmo, e não com as fotos de contos de fadas de Montreal/Toronto/Vancouver ou sei lá onde na cabeça.

Só pra ilustrar: eu tomei a decisão de imigrar no início de 2010, comecei a estudar francês no meio daquele ano, e só fui dar entrada no processo no fim de 2011. E uma parte muito grande desse tempo foi gasta lendo, pesquisando, perguntando, lendo mais um pouco, contando pontos e por aí vai. Apesar da quantidade esmagadora de informações que a gente recebe no início, tudo começa a fazer sentido com o tempo. A grande inimiga no início do processo de imigração é a ansiedade, porque a gente fica querendo mandar o dossiê pra ontem! Aliás, a ansiedade acaba deixando de ser inimiga e acaba passando a ser uma companheira de chá com bolachas, porque você fica ansioso pra mandar o processo, depois pra saber se receberam, pra saber se vai ser entrevistado, se vai ser aprovado, etc, etc, etc.

Depois de passar por tudo, concluí que, em 99,9% dos casos, consultoria não é necessária. Uma boa dose de leitura, pesquisa e paciência consegue dar conta do recado. Mas, infelizmente, tenho visto com cada vez mais frequência pessoas com uma pressa danada pra iniciar e concluir o processo, e que correm para um consultor nem bem ouvem falar sobre o processo de imigração. E o motivo é o mais fraco de todos: preguiça. Preguiça de sentar, ler e pesquisar. Muitos preferem pagar alguém para explicar o processo tim-tim por tim-tim do que gastar algumas horas por dia para entender como tudo funciona. Em outros casos, é a insegurança, o medo de fazer alguma coisa errada que leva o candidato a imigração a buscar um consultor. E, tudo bem, até entendo que errar algo na montagem do processo pode levar a meses de atraso e a um retrabalho desnecessário, mas se você está inseguro por causa de alguns formulários a serem preenchidos, o que vai acontecer quando você tiver de fazer imposto de renda no Canadá (em inglês ou francês)? Ou quando precisar de algum serviço por lá, público ou particular? Vai chamar um consultor também?

"Ah", protesta o cidadão incauto, "mas, se um consultor já está por dentro do processo e pode me passar tudo numa sentada só, por que eu deveria gastar o meu tempo lendo e pesquisando algo que eu nem entendo?".

Bom, primeiro porque é seu dever. Ou, pelo menos, deveria ser. Você não está fazendo um contrato com operadora de celular. Você está embarcando num projeto de mudança total de vida. Cada informação que você busca te instrui não só em relação ao processo, mas também ao país pro qual você está indo. Se isso não for suficiente como motivo, tem também o fato de que nem sempre os consultores sabem tudo. Eles também são seres humanos, podem errar ou ficar desatualizados. Mudanças nos processos de imigração não são tão raras, e os consultores não recebem aviso em sonhos ou mesmo uma mala direta sobre as mudanças. Eles ficam sabendo junto com todo mundo. Outro ponto é que pagar um consultor sai caro. Os valores podem variar bastante, mas já vi gente gastando oito mil legais com consultoria. Se isso é pouco ou muito pra você, eu não sei, mas não é troco de padaria. E isso é só a consultoria; ainda tem as taxas do processo, despesas com envio de documentação, xerox, impressão, passagens e por aí vai. E, finalmente, tem a garantia, ou melhor, a ausência dela: nenhum consultor vai poder te dizer se você vai ou não vai ser aceito como imigrante. Ele vai, no máximo, te dar uma ideia das suas chances, mas isso você pode descobrir sozinho. Sabe aquele pessoal que gastou oito mil moedas de ouro com consultoria? Pois é, o visto deles foi negado no final.

Na minha opinião, as únicas pessoas que podem ter alguma justificativa para a consultoria são aquelas que têm profissões muito fora do padrão, que não se encaixam nos principais processos de imigração ou cuja situação seja muito particular. É muito fácil querer dizer que a sua situação é "particular" e que, por isso, é melhor você ir atrás de um consultor, mas a verdade é que esses casos são raríssimos. Por mais que você tenha vivido la vida loca, é muito mais provável que se encaixe em um ou outro perfil de um determinado processo do que ser essa entidade mística que nunca ninguém viu. Mas, se você é uma delas, meu conselho é: vai fundo na consultoria. Do contrário, contenha a ansiedade, deixe a preguiça de lado e vai meter a cara DE VERDADE no processo!

No fim das contas, cada um sabe de si, e se você aí que está começando o processo e está lendo isso aqui quiser e puder pagar um consultor, obviamente eu não tenho nada com isso. Não desmereço nenhum deles (até porque, como disse, não utilizei os serviços de nenhum) e com certeza há profissionais muito bons por aí. O que eu quero deixar claro é que é possível fazer qualquer processo de imigração para o Canadá sem precisar de ninguém e, de quera, economizar uma boa grana. Eu e tantos outros por aí somos as provas disso.

À bientôt!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Missão de seleção e nova lista de profissões (Quebec)

Galera, duas informações importantes para guiar um pouco aqueles que ainda estão sem o CSQ. Primeiro, saiu a lista de missões de seleção (conhecidas também como "entrevista para o CSQ") para o primeiro trimestre de 2015. Infelizmente, só a África e o Oriente Médio foram contemplados e terão entrevistas até março. Segue o link:

http://www.immigration-quebec.gouv.qc.ca/publications/en/divers/Programmation-missions-travailleurs-lieu-en.pdf

Segundo, saiu uma nova lista de pontuação de domínios de formação. É aquela lista que atribui pontos específicos para cada tipo de diploma e curso do candidato. Muitas cabeças rolarão e outras voltarão à briga. Veja no link abaixo.

http://www.immigration-quebec.gouv.qc.ca/publications/fr/divers/liste-formation.pdf

A lista passa a valer hoje, dia 26 de janeiro de 2015. Segundo o meu entendimento, essa nova pontuação vale pra todo mundo que ainda não recebeu uma decisão após análise. Ou seja, se você teve o dossiê aberto, mas está aguardando a decisão, a lista provavelmente vale pra você (e, obviamente, pra todo mundo que conseguir dar entrada no processo daqui pra frente).

Chama a atenção o fato de que alguns diplomas, como Bacharelado em Química e Bacharelado em Farmácia, antes sempre nas listas que mais pontuavam, agora não pontuam nada. Aconteceu algo parecido em 2013, quando Manutenção de Aeronaves, que dava 16 pontos, simplesmente zerou (e agora tá valendo 12 pontos de novo).

Mais reviravoltas que Game of Thrones. Assim é o processo de imigração pelo Québec.

À bientôt et bonne chance à tous!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Express Entry: o novo processo de imigração pro Canadá

Quem acompanha essa vida de imigração pro Canadá há algum tempo já sabe que, a partir do ano que vem, haverá um novo processo: o Express Entry ou Entrée Express, conforme seu aparelho fonador preferir. Tido como algo algo semelhante à Segunda Vinda de Cristo em matéria de imigração para o Canadá, esse novo processo promete entregar vistos em até seis meses (!) para os candidatos que forem convocados, acabando com a jornada para destruir o Um Anel que é o processo atual.

Meio mundo quer saber os detalhes, como vai ser, como não vai ser, mas, para falar a verdade, o grosso já se tem há um tempo. Em resumo, é o seguinte:

1) os candidatos preenchem um cadastro online;
2) o Ministério da Imigração avalia os cadastros e classifica os candidatos, montando, assim, uma espécie de ranking do eu-quero-ir;
3) os mais-mais desse ranking recebem um convite para fazer a imigração de fato.

-Beleza, vai ficar mais fácil e rápido! - exclama o incauto, batendo na perna e já estalando os dedos na sequência.

Bom, para alguns, sem dúvida vai ser mais fácil e rápido. Profissões em demanda, pessoas que já tenham formação acadêmica canadense e/ou experiência profissional no Canadá, e aquelas com uma oferta de emprego com certeza se beneficiarão desse modelo. As outras.. bom, como você deve ter notado, o processo passará a ser uma competição. Não será mais por ordem de chegada e, sim, por ordem de qualificação, digamos assim. O seu colega de projeto de imigração que tem mais ou menos o mesmo perfil que o seu não mais será um companheiro de jornada e, sim, um rival em potencial. E a única maneira de você fazer frente aos rivais do mundo inteiro talvez seja melhorar o seu currículo: aprimorar o inglês e o francês, fazer um curso no Canadá ou encontrar um emprego direto por lá.

Por outro lado, o governo canadense anunciou há algumas luas que pretende receber 285 mil imigrantes no ano que vem, o que seria um recorde. Então, pode ser que esse diabo nem seja tão feio assim.

Para quem tem interesse, os sites abaixo trazem um pouquinho mais de detalhes: 



E o Québec??


Este ano, foi dado um pontapé inicial para mudanças no processo pelo Québec também. Contudo, até o momento, a única coisa oficial que existe é um pronunciamento da Ministra da Imigração do Québec, dizendo que eles querem que tudo seja lindo e perfeito. O processo desde ano está fechado por já ter atingido o máximo de dossiês permitidos (6.500). As atuais regras valem até 31 de março de 2015 e, segundo as mais recentes palestras de imigração, o processo nos moldes atuais provavelmente continuará (mas, de novo, quem já acompanha essa novela de processos há um tempo sabe que isso não quer exatamente dizer muita coisa, néam?).

Quem quiser ler um pouquinho mais, taí:


À bientôt!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O retorno - parte 1983741923

Faz tempo que não venho aqui, mas não pensei (ainda) em abandonar o blog. Na verdade, foi bom ficar afastado um tempo. Deu pra arejar um pouco a mente e ponderar algumas coisas.

De qualquer forma, foram vários os fatores que me mantiveram afastados. Primeiro, a falta de novidades sobre o processo. Depois de receber o visto, tudo passa a ser preparação e expectativa, mas eu não estava (e continuo não estando) tendo tempo - e nem muita disposição - para sentar e fazer uma pesquisa decente. Então, fiquei pensando se valia a pena vir aqui e escrever qualquer coisa. E essa foi uma das primeiras reflexões que fiz: em algum momento, o blog vai se tornar algo mais pessoal. Até aqui, tenho direcionado os posts basicamente em relação à imigração para o Canadá como um todo e à minha em particular. Mas, embora sempre haja assunto se for pra sentar e discutir, aqui no blog a gente não exatamente senta e discute... eu, basicamente, exponho a minha opinião e, quem quiser, comenta ou me manda e-mail. Não necessariamente rola prós e contras ou coisas do gênero. Então, uma das coisas que devem acontecer com o blog no futuro próximo é ele começar a tratar de assuntos que têm a ver comigo, mas que não estão ligados à imigração. Sei que isso pode afugentar muita gente, além dos que já foram afugentados pelos meus períodos de ausência, mas, enfim... paciência. O blog foi e é uma espécie de terapia pra mim, e nem só de imigração vive a minha complicada cabeça.

Outro motivo que me manteve afastado foi o trabalho. Segundo semestre do ano é uma beleza, já chega chutando a porta, e este ano não foi diferente. Ou melhor, foi sim: além do trabalho normal, eu dei início às fases dois e três de dois projetos que implantei mais no início do ano. Em quase dez anos de serviço público, foi a primeira vez que senti que, de fato, estava fazendo alguma coisa de útil! E, sendo meu último ano por aqui, quis dar o gás mesmo. Mas, eis que o serviço público acontece... e cortaram um dos projetos já na fase final, em fins de agosto. Balde de água fria, claro. Eu estava conduzindo reuniões, fazendo treinamento de pessoal, coordenando equipes, me sentindo hominho  crescido responsável, e aí, aos 45 do segundo tempo, pá! Cai o pano e pronto. Fiquei chateado nos três primeiros dias, mas foi bom para redirecionar minha atenção para outras coisas e para me lembrar que isso pode acontecer a qualquer tempo, em qualquer lugar. Então, sigo tocando o outro projeto, que continua de pé - ainda.

E falando no trabalho, conversei com o meu chefe há algum tempo e decidi a data do adeus: 5 de dezembro! Como tenho dois períodos de férias vencidas em aberto, resolvi engatar um no início de outubro e outro do dia 08 de dezembro em diante, porque daí já gasto todos os dias de férias que estavam pendentes e, no final, nem volto. Se dá medinho largar tudo assim? Óbvio que dá, mas eu já acalento essa vontade de dar tchau pro serviço público há anos. Então a preocupação vem misturada à euforia de me ver livre logo disso. Por mais incerto que o futuro possa ser, a certeza de não ter mais de fazer trabalho inócuo (pelo menos não no serviço público) é muito boa!

Já comecei também minha mudança para Brasília. Gente, é coisa demais... e não tô nem falando de móveis, não, porque esses eu vou vender ou doar. Falo de livros, gibis, DVDs e essas coisas nas quais eu me amarro e compro quase todo mês, como se não ocupasse espaço e pesasse menos que uma pluma. Quase chorei quando enchi a mala com 23 Kg de livros e notei que a minha estante aqui em São Paulo não esvaziou quase nada. Vou novamente a Brasília duas vezes antes da mudança final, em dezembro, e é certeza que não consigo levar tudo só com a bagagem permitida pelas companhias aéreas. Então devo mandar uma parte de ônibus e outra deve ficar no apartamento mesmo, já que só entrego ele em fevereiro. Mas lição aprendida: livros, DVDs e gibis são meus  melhores amigos, mas, pro Canadá, vou levar quase nada deles de saída. Se gostar e achar que vou ficar um bom tempo nas terras geladas, aí posso começar a pensar em levar a tralha aos poucos.

E acho que, para um post de retorno, tá bom, né? Espero não dar outra sumida de dois meses igual essa última, mas, pra quem curte e acompanha o blog, eu sempre apareço, mais cedo ou mais tarde! Ah, e pra quem não anda acompanhando o processo de imigração (eu me incluo aí, tô voltando agora), faz um tempinho já que o limite de 6500 processos recebidos foi atingido pelo BIQ-México. Imigração para o Québec, na maioria dos casos, só ano que vem e olhe lá... Ah, e o pessoal convocado para as entrevistas agora em setembro está se banhando em CSQs! Parabéns a todos!

 bientôt!

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Entrevistas 2014!!

Estou sumido há algumas semanas, mas é por uma boa causa. Enquanto não volto de vez, passo aqui rapidinho para dar uma boa notícia a quem está esperando há eras por uma entrevista com o BIQ (embora talvez eu tenha sido o último a saber hehehe): começaram a pipocar pela internet posts e mensagens de candidatos que foram contatados pelo BIQ-México e tiveram suas entrevistas agendadas para setembro deste ano!!! Vi pessoas de 2011 (!) e 2012 sendo convocadas, mas nada impede que já comecem a chamar pessoas de 2013. Vamos torcer!

Ainda não atualizaram a tabela com o calendário, mas, se você está aguardando ser chamado(a) para a entrevista, pode ficar de olho clicando aqui.

E, pra finalizar, duas informações que podem ser interessantes para quem deu entrada no processo recentemente: primeiro, o BIQ está levando em torno de um mês para fazer a cobrança no cartão de crédito. Assim, dependendo do seu banco e da operadora de cartão de crédito, dá pra você conversar com eles e ter uma ideia de quando a cobrança será feita. Segundo, de acordo com informações de terceiros, o BIQ está analisando, atualmente, os processos abertos em junho de 2013. Há relatos de pessoas dessa época que tem recebido pedidos de atualização de documentos ou que o dossiê está incompleto.

Aliás, um aparte sobre este último ponto. Fala sério... o BIQ já é enrolado por natureza, qualquer cidadão que tenha um mínimo de noção do processo de imigração pelo Québec sabe, no momento em que dá entrada, que levará alguns ANOS para pisar em solo canadense, e o abençoado ainda me faz o favor de não incluir os documentos que estão na lista para abertura do dossiê?? E aí ainda acham que o BIQ é que está errado nesse caso? Vamos ser coerentes, né, galera? O BIQ é muito desorganizado, sim, e por isso mesmo é que quem tá querendo dar entrada no processo tem que seguir as regras à risca se quiser tentar evitar transtornos maiores. Tem checklist pra isso! Se lá tá dizendo que você tem que mandar a cópia certifiée conforme da certidão de nascimento, pelamor, não seja mané de achar que só porque você está mandando cópia do passaporte então tanto faz, ou que você pode mandar uma cópia simples e pronto, porque também tanto faz. Além de você não ter razão nenhuma (não importa o tanto que xingue o BIQ), ainda vai atrasar não só o seu processo, como o de outros também!

E vamo afiar esse francês aí pra entrevista em setembro!

À bientôt!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Atualizações das demandas

Passadinha rápida, mas com links interessantes para quem está no processo federal ou no processo do Québec. Caso ainda não saibam, vocês podem acompanhar o número de pedidos recebidos pelo BIQ e pelo CIC, respectivamente, para os processos do Québec e Federal.

O do CIC é esse aqui (pedidos recebidos para o processo federal): 


O site do BIQ que tem o número de pedidos recebidos para o processo do Québec é:



Depois de dois meses das novas regras do processo do Québec, o BIQ recebeu, até o fim de maio, praticamente 1/3 do que aceitará receber. Se esse ritmo continuar, entre setembro e outubro, a cota de 6.500 dossiês deverá ter sido atingida. Por outro lado, é de se notar que o número de pedidos tem caído a cada atualização: foram aproximadamente 800 na primeira quinzena de abril, depois mais 500 na segunda quinzena, e, para o mês de maio, foram por volta de 800, o que daria por volta de 400 dossiês por quinzena. Ou seja, o recebimento tem desacelerado, talvez impactado pela abertura do processo federal.

Falando no federal, achei que a lista já começaria bombando... mas, pelo jeito, o povo tá devagar. Mesmo profissões como tecnologia da informação tem um número baixo, na minha humilde opinião, e várias profissões não computaram nenhum pedido até agora. Bom para quem ainda está juntando a papelada!

Bonne chance à tous et à bientôt!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Cabô! :)

Cabô!

Cabou!!

Acabou!!!!!

É teeeeeetra!!!!



Hoje peguei o passaporte no consulado do Canadá em São Paulo! Achei que eu ficaria só achando "legal" o visto, mas não tive como deixar de abrir um sorrisão e sair contando, via WhatsApp, para as pessoas próximas.  E depois até para as não muito próximas. Mostrei o visto até para o pessoal do trabalho hahaha 

É o fim do processo, mas o início de outra fase, que, pra mim, é a que realmente pega. Mas, por enquanto, vou continuar com o sorrisão no rosto.

Alívio + alegria. Combinação muito boa, essa! : )

À bientôt!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Decision made

Mais rápido que uma bala!


Mais veloz que um relâmpago!


Mais repentino que os efeitos gástricos de comida mexicana mal feita!


É o consulado canadense em São Paulo, que já finalizou meu processo, mandou e-mail avisando e atualizou o e-CAS!


Vocês não fazem ideia de como eu estou ansioso pra ver o visto agora que está pronto! Mas, agora, só quando eu voltar para a terra da falta d'água das enchentes (ex-garoa).

À bientôt!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Passaporte no consulado!

Gente, pense numa viagem de férias enrolada... tão enrolada que acabou não acontecendo! Foram tantas complicações no meio do caminho - incluindo mudanças de destino e rotas - que, no fim, achei que estava me estressando demais e joguei a toalha. Ah não, adoro viajar, adoro conhecer lugares novos (ou revisitar outros que curti muito), mas férias, pra mim, também é pra descansar! E ninguém merece passar o ano inteiro estressado trabalhando pra ficar estressado TAMBÉM nas férias! De modo que, no fim da semana  passada, desencanei e resolvi que vou só para Brasília mesmo ver minha família. Já estava nos planos e é bem mais tranquilo. Na segunda metade das minhas férias eu tento matar a vontade de ir pra longe.

Mas, claro, nem tudo é perdido! Já que a viagem foi um rolo só, aproveitei para fazer o pagamento da taxa de residência permanente (490 doletas canadenses. Escutaram o tilintar de moedas de ouro escoando? Eu tô escutando até agora!) e, hoje pela manhã, resolvi ir logo levar o passaporte ao consulado. Peguei o metrozão até a estação Pinheiros da linha amarela (cheio como o saco do Noel), de lá peguei o trem da CPTM até a estação Berrini. Quando cheguei lá, fui andando sendo beijado pelo sol o caminho inteiro até o prédio. Aqui, comi bola: o consulado funciona no Centro Empresarial Nações Unidas, mas eu esqueci de anotar em qual torre! Olhei na internet (viva a tecnologia! \o/) e vi que era Torre Norte. Olhei para um lado e vi a Torre Oeste. Vi outros dois prédios próximos, lembrei da minha época de escoteiro, me guiando pelas estrelas, analisei a direção do vento e decretei: "é aquela!". Só que não era nada, era o Hotel Hilton... bom, pra não dar a caminhada por perdida, aproveitei e perguntei para um manobrista se ele sabia onde ficava o consulado do Canadá e ele apontou o prédio certo.

Entrei na Torre Norte e fui andando sorrindo para o balcão onde se lia "Recepção", até que uma plaquinha com um desenho de cores vermelha e branca me chamou a atenção. Era a bandeira do Canadá, e indicava a "Recepção do Consulado do Canadá". Recolhi o sorriso e deixei para apresentá-lo só na recepção certa. Não adiantou muito: a recepcionista estava de mau humor e perguntou o que eu queria (!).

"Dar uma voadora na sua cara e fazer você estribuchar no chão, sua sem educação do inferno" - pensei eu, mas optei por só falar que eu tinha ido deixar o passaporte para o visto.

Ela pediu a carta - na verdade, o e-mail de confirmação do pedido de passaporte - que eu não tinha porque não consegui imprimir nem por decreto. Mas eu tinha a cópia do recibo da taxa, e foi o que usei. Depois de uma rápida consulta a uma "otoridade", a simpática cria do cão me deu um crachá e balbuciou "16º andar".

Tentei passar pela catraca só empurrando, mas não, precisa encostar o crachá de visitante no sensor, né, mané... fiz isso, com a orientação do segurança, e passei. Lá, os elevadores são separados por andares: alguns vão do térreo até o andar X, outros do X até o 2X-5 e por aí vai. Fui para o elevador que levada do 14ª ao 23º andar e, rapidinho, estava eu lá no consulado.

Na hora que a porta abriu, havia uma placa apontando "recepção" para um lado e "vistos e imigração" para o outro. "E agora?", matutei. "Teoricamente, o que eu quero é um visto de imigração, mas eu vou direto sem me identificar em lugar nenhum?". Pensando que o pior que podia acontecer era chegar na recepção e me mandarem para o outro lado, lá fui eu. Mas, a meio caminho, notei que alguém estava dando insistentes "bom dia", cada vez mais alto. Deduzindo que era comigo, olhei para o outro lado - o lado do "vistos e imigração" - e uma segurança, meio escondida atrás de uma mesa, olhava pra mim com cara de cão de guarda. 

- Posso ajudar? - perguntou ela.

Expliquei rapidamente e ela pediu para guardar o celular e qualquer outro eletrônico no escaninho ali perto. Passei pelo detector de metais (minha mochila passou pela maquininha também) e ela disse para eu ir para o guichê 1. Havia só um homem sendo atendido no guichê 1, ninguém no guichê 2 e uma atendente no guichê 3. Mas, enfim, a segurança tinha me mandado pro guichê 1, né, eu não quis ir lá incomodar quem quer estivesse no guichê 3 e ganhar, quem sabe, um coice na testa de graça. Enfim, quando vi que o homem que estava sendo atendido tinha cinco passaportes organizados em cima do balcão e mais papéis de todas as cores e tamanhos, me preparei para esperar. Mas a atendente, após sair por alguns instantes, pediu licença ao homem para me atender brevemente, pois o meu era só entrega de passaporte. Ele não fez objeção, ela me chamou e, depois de sorrir e disparar um "bom dia" extremamente simpático, perguntou do que se tratava. Falei que era visto de imigração e ela disse que então eu poderia ir ao guichê 3. Pensei em praguejar mentalmente contra a mocinha que havia me revistado e indicado o guichê 1, mas concluí que nem valia a pena.

Fui para o guichê 3 e - tcharam! - era a Maura! Não, não banquei tiete nem nada, fiz que nunca a tinha visto mais gorda. Ela, simpática, pegou meu passaporte e o recibo do pagamento da taxa e pediu para eu aguardar enquanto ela verificava se havia algo pendente. Repassei mentalmente as etapas e concluí, antes que a tela do computador dela mostrasse, que eu não tinha deixado escapar nada. O computador concluiu a mesma coisa uns 20 segundos depois, a Maura pegou meu telefone e disse que o visto deve ficar pronto em até 10 dias, e que ela me liga quando eu puder buscar. Agradeci, resgatei meu celular e desci para o térreo. Devolvi o crachá pela gretinha da catraca e, serelepe, mandei mensagem para a família avisando.

E pronto, mais uma etapa vencida! Agora, é só aguardar o retorno do consulado para que eu possa pegar meu passaporte com o visto e preparar a imigração de verdade!

Bonne chance à tous et à bientôt!

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pedido de passaporte!!!

FINALMENTE!! Depois de três semanas de espera, algumas tentativas frustradas de contatar o consulado e dois e-mails enviados ontem e hoje, recebi o pedido de passaporte! E eles responderam em cima do e-mail que mandei, o que significa que alguém realmente olha a caixa de entrada do consulado. Isso também indica que alguém talvez tenha comido bola lá, pois foi eu mandar o e-mail e pronto, o pedido veio poucas horas depois.

Enfim, agora é morrer em mais algumas dezenas de moedas de ouro pagar feliz a taxa final, deixar o passaporte no consulado e depois retirá-lo com o visto reluzente. Mas, como de fato há o prazo de 30 dias, e como saio de férias agora no fim do mês, é bem possível que eu deixe pra fazer tudo quando voltar. Vai que eu levo agora e le pauvre fica lá entocado no consulado por um mês...

À bientôt!

sábado, 12 de abril de 2014

2ª Rodada de entrevistas de 2014 (CSQ)

Muitos já devem saber, mas só lembrei de verificar hoje: saiu a lista com a próxima rodada de entrevistas da etapa provincial do processo por Québec. Mas, contudo, porém, todavia, entretanto, o Brasil continua de fora. Isso já era meio que esperado, pois quem participou das últimas palestras do BIQ em terras tupiniquins disse que a Perla falou que provavelmente só virão entrevistar o povo daqui em outubro. Haja espera, viu...

Quem quiser conferir quais países sortudos já terão entrevistas de abril a junho, é só clicar aqui. Enquanto isso, já que não há outro remédio, aproveitem o tempo para dar aquela lustrada no francês e no inglês, juntar anúncios de emprego e preparar aquela pesquisa esperta para responder as questões da entrevista!

Bonne chance à tous!

terça-feira, 8 de abril de 2014

Passaporte, meu filho, cadê você??



E continuo na espera pelo pedido de passaportes!! Depois do alívio em ter o e-CAS alterado e da alegria de ver companheiros de jornada fazendo exames médicos, tendo respostas há muito esperadas e recebendo o pedido de passaportes, bem que o consulado podia virar a cabeça na minha direção de novo, né? Hein?? Hein, consulado??

Por um lado, a demora não é de todo ruim. Saio de férias no fim do mês, se tudo der certo, e queria dar uma esticadinha até o ixtranjêro. Até onde eu sei, o prazo para mandarmos o passaporte para o consulado é de 30 dias contados do pedido (me corrijam se eu estiver errado); se eu recebesse no finalzinho do mês passado ou comecinho deste mês, minha esticadinha provavelmente seria até Boró do Oeste ou algo assim. Se o consulado não me pedir o passaporte até o fim desta semana, já estarei fora de perigo e poderei desfrutar tranquilamente das minhas amadas e ansiosamente aguardadas férias.

Por outro lado... bom, não tem lá um outro lado, pra falar a verdade. Sim, é ruim não ter notícias, principalmente depois da demora em relação à atualização do e-CAS e algumas informações desencontradas. Mas, ainda assim, até agora eu me considero sortudo nesse processo: dei entrada em 2011, calculei uns 2 anos para fazer a entrevista (me chamaram com 1 ano e meio de processo provincial), depois calculei mais dois anos para exames médicos e passaporte (me enviaram o pedido dos exames com 9 meses de processo federal), e, se tudo der certo, no fim deste ano ou início do ano que vem estarei nas Terras do Norte. Então, motivo pra reclamar do processo eu realmente não tenho muito, ainda mais tendo em vista a angústia que tantas pessoas passaram e vem passando por aí na espera de uma resposta ou mesmo algum tipo de confirmação por parte do BIQ. Qualquer reclamação minha seria até uma afronta a essas pessoas.

Mas que eu gostaria de ter a segurança do visto no passaporte logo, ah, isso eu gostaria! E, se possível, com um prazo maior para entrar no Canadá, já que estão demorando pra me pedir o passaporte. E cobertura extra por mais um real não seria de todo ruim.

À bientôt!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Novas regras do processo por Québec

E eis que, no dia da mentira, entram em vigor as novas regras do processo de imigração para o Québec. Como já havia sido anunciado antes, a mudança real é em relação ao número de dossiês. No período de 01/04/2014 a 31/03/2015, o BIQ vai aceitar, no máximo, 6.500 pedidos de CSQ na categoria de trabalhadores qualificados, 1.750 na categoria de investidores e 500 na categoria de profissionais autônomos e empresários.

[modo achismo ON]
Que isso significa? Bom, como sempre, as dúvidas vão além do que as  informações oficiais podem garantir. Eu entendo que a partir de HOJE, o contador do número de pedidos de CSQ foi zerado e tudo que chegar no BIQ entra nesses números ali em cima. Ou seja, na MINHA opinião, quem teve o dossiê recebido (veja bem, não é "aberto" e nem "aceito", é recebido) no BIQ até ontem, 31/03/2014, estaria ainda nas regras anteriores, que previa um máximo de 20.000 pedidos de CSQ. Até fevereiro de 2014, o BIQ tinha acusado o recebimento de pouco mais de 10.000. Falta ainda contabilizar o número de dossiês recebidos em março de 2014, mas, embora deva ser mais alto do que a média, já que muita gente que estava em dúvida provavelmente resolveu arriscar e mandou logo, eu acho que não deve chegar ao limite de 20.000. Independente de terem alcançado ou não esses 20.000, a partir de HOJE o máximo que eles vão receber é 6.500.

E, sim, isso deve fazer com que milhares de pessoas corram desesperadas para os correios mais próximos para enviar o que tiverem em mãos.
[/modo achismo OFF]




Há algumas exceções que serão tratadas fora desses números aí de cima. Se você der entrada no pedido de imigração por meio do Program de l'Expérience Québecoise (PEQ); OU se tiver uma oferta válida de emprego; OU se o CIC já te informou oficialmente que vai tratar seu pedido de imigração; OU se você é um residente temporário que já está no Québec e se qualifica para pedir o CSQ, então você NÃO entra nessa contagem de 6.500 para trabalhadores qualificados.

A ordem de tratamento dos dossiês será a seguinte: (1) candidaturas enviadas dentro do PEQ; (2) candidaturas com oferta de emprego válida; (3) candidatos que ganham pontos no quesito "área de formação".

[modo achismo ON]
Notei que tiraram a informação de que os últimos a serem tratados seriam... bem... todos os outros casos. Parece meio óbvio, mas, ainda assim, fiquei me perguntando se isso quer dizer que eles não vão avaliar quem não ganha pontos no quesito "área de formação". Acho que, se fosse o caso, isso estaria explicitado lá (embora eu não tenha rodado o site inteiro, é verdade), mas sei lá... depois de tanto tempo vendo mudanças no processo, a gente começa a procurar pelo em ovo fácil, fácil.
[/modo achismo OFF]

E quem mandou o dossiê aos 45 do segundo tempo e não tem certeza se o BIQ recebeu ou não antes de 1º de abril de 2014? Bom, prepare-se para um período de angústia. Segundo o site de imigração, o carimbo no dossiê é que servirá de prova de recebimento. Isso promete muita emoção para quem mandou o pacotão na última semana, pelo menos. Se ficar sem informação quando se está num período calmo é terrível, imagina ficar sem informação num período de mudanças.




Espera-se que, recebendo menos pedidos, o BIQ possa processar mais rapidamente os que já estão lá há algum tempo e começar os novos que chegam a cada dia. Se isso vai acontecer ou não, só o futuro dirá.

E ficam outras dúvidas. Por exemplo, a contagem do recebimento dos dossiês vai ser feita mesmo sem pré-análise? Quero dizer, caiu na caixa de correio do BIQ, eles já tacam um carimbão de "recebido em XX de abril de 2014" ou abrirão o pacotão, farão a pré-análise e aí, se a pessoa tiver mandado o mínimo de documentos, é que vão considerar o dossiê para fins de contagem? Se os 6.500 novos pedidos de CSQ chegarem lá, mas, sei lá, 10% não se qualificarem, eles vão devolver e completar com outros pedidos que chegaram posteriormente, mas que se qualificam? Ou já era pra todo mundo? Será que, internamente, o BIQ vai priorizar dossiês que sejam mais, digamos, compatíveis com o que eles querem, e devolver o restante dizendo que estão "fora dos 6.500"? Eu tenho minhas próprias ideias a respeito dessas e de outras questões, mas só o tempo e o BIQ para dizer.

Bom, é isso. Aos que já mandaram o dossiê, boa sorte na abertura do processo. Que tudo corra bem, que vocês recebam o débito no cartão logo, que sejam chamados para a entrevista em tempo recorde e que tudo se ajeite, mesmo com percalços. Para quem não mandou e cumpre os requisitos, o conselho é o mesmo de sempre: CORRA!

Ah! Como sempre, não se fiem por mim. Sou um mero imigrante blogueiro que pode fazer interpretação de texto errada. Vá lá no site e se certifique por conta própria a respeito dessas e outras informações. Olha o site aí, se você perdeu o link lá no início do texto:

À bientôt!

quinta-feira, 27 de março de 2014

Vem ni mim, passaporte!!!!!

Galera!!! GALERA!!!!!!!!




Finalmeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeente o e-Cas mudou!!!!!!!!!! Parece que tá tudo certo MESMO!!!!

Nada do pedido de passaporte ainda, mas só de ver o e-CAS atualizado já me deixou leve como uma pluma! Agora eu sento bonitinho e espero um pouco mais!

À bientôt!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Quase! (Será?)

Nenhuma novidade no e-CAS, nem na minha caixa de entrada. Falei mais uma vez com o consulado hoje. Eu realmente não sou de ficar ligando e cobrando, mas, com as informações genéricas e não muito confiáveis que recebi do consultório e do próprio consulado, achei que valia a pena insistir.

E meu esforço rendeu frutos! Ou, pelo menos, assim espero. Consegui falar com a Adriana, fui um pouco mais incisivo e perguntei se ela tinha como ver se os meus exames já tinham sido recebidos, se estava tudo ok, e ela resolveu consultar meu processo no sistema (não tinha feito isso da outra vez). Para a nooooooooooooooooooooossa alegria, ela disse que estava tudo certo, daí falou um "peraí" e depois soltou:

- Está tudo certo, e você deve receber o pedido de passaportes esta semana.








AGORA SIM!!! AGORA eu senti firmeza!!!

VEM NI MIM, PEDIDO DE PASSAPORTE!!!!


terça-feira, 25 de março de 2014

Nada no E-CAS ainda - Parte II

E continuo esperando! Ontem, tentei falar com o consulado, mas não consegui. Seguindo a dica da Nilian do Brazucoise, liguei logo cedo hoje e consegui falar com a Adriana. Expliquei a situação e ela me falou que os exames médicos estão demorando mais de duas semanas para chegar e que é normal eu ainda não ter tido alteração no E-CAS. Isso, aparentemente, vai um tanto na contramão do que o pessoal do Diário Canadá Brasil reportou na semana passada, mas podem ter ocorrido desdobramentos de lá pra cá, né? Vai saber...

Perguntei também sobre a questão do prazo dos exames médicos (o meu acaba essa semana) e ela disse que, se os exames foram feitos, não há problema. E que a única coisa que posso fazer mesmo é acompanhar o E-CAS e esperar...



Por um lado, é bom ter essa informação do próprio consulado. Por outro, a pulga atrás da orelha continuará incomodando até novidades concretas surgirem. E o mais legal é que eu saio de férias no fim do mês que vem e tava querendo dar uma chegadinha lá no "ixtrangêro".. mas se o passaporte estiver no consulado do Canadá, terei de fazer novos planos.

À bientôt!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Notícia sobre a mudança nas regras (processo por Québec)

A notícia abaixo talvez tenha escapado a alguns foliões mais animados. Então, ei-la!


"Modalités de gestion de la demande en vigueur à compter du 1er avril 2014
Les candidats qui souhaitent déposer une demande de Certificat de sélection du Québec pourront continuer à le faire au-delà du 31 mars 2014, en fonction des nouvelles règles qui entreront en vigueur le 1er avril prochain. Ces nouvelles règles concernent le nombre maximal de demandes qui seront acceptées selon les différents programmes d’immigration économique au cours de la prochaine année.
Il est important de souligner que ces règles ne visent aucunement à modifier les objectifs d’immigration du Québec indiqués dans le Plan d’immigration du Québec pour l’année 2014 (PDF, 176 Ko).
Pour connaître les règles et procédures présentement en vigueur, consultez la page Règles et procédures d’immigration."

Aparentemente, portanto, a mudança será em relação ao número máximo de pedidos aceitos em cada tipo de imigração econômica. O que isso esconde, contudo, é incerto. Vão aumentar? Vão reduzir? Estabelecerão novamente que apenas tais e tais profissões poderão enviar o pedido, e essas tais e tais profissões terão um número máximo que, uma vez atingido, fará com que os demais sejam devolvidos? Difícil saber.
O alento é que eles também não pretendem modificar os objetivos do plano de imigração para este ano. Assim, talvez as mudanças sejam bem menos drásticas do que as últimas. De qualquer forma, acho que aquele conselho que dei antes continua valendo: se já dá pra enviar seu pedido, CORRA!


À bientôt!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Algumas dificuldades de se iniciar um processo de imigração

Digam-me se estou sendo abusado: se tenho uma empresa e nela trabalham pessoas, e se alguma dessas pessoas me pede para declarar, no papel da empresa, que ela trabalha ali desde a data tal, fazendo a atividade tal e que trabalha tantas horas por semana, e sendo tudo isso verdade, por que eu me recusaria a declarar isso oficialmente? Se eu tenho uma escola e um aluno me de para dizer que ele estudou ali, fez o curso tal, e precisa que eu informe outras informações pertinentes, qual a dificuldade de colocar isso no papel? Será que todo mundo nesse país faz tudo tão errado que tem medo de ação trabalhista ou sei lá o que mesmo quando está declarando a verdade?

Olha, eu estou sempre torcendo por todos aqueles que estão na fila do BIQ, na fila da entrevista, dos exames médicos, na fila do pedido de passaportes e em outras filas semelhantes. Sei que o processo é demorado (eu estou nele!), que as regras mudam de forma absurda e num período de tempo esdrúxulo. Mas sabe o que me dá aflição de verdade nesse processo?

Quem ainda não conseguiu entrar.

E, principalmente, quem vem tentando há um bom tempo dar entrada em algum dos processos de imigração e não consegue, seja por motivos pessoais, seja porque, com uma mudança atrás da outra, as pessoas acabaram prejudicadas na formação e/ou na pontuação. Olha, é dose!

Alguém bem próximo a mim está nessa situação. A primeira grande mudança recente, a de 2011 (que incluiu os testes de línguas), não foi um grande impacto pra ele. Até ali, seria um item a mais, um gasto a mais, mas nada incontornável. O problema foi o que veio depois e, principalmente, a mudança de agosto do ano passado: de alguém que tinha pontuação sobrando para vender como milhas aéreas, ele foi para alguém que ficou devendo um tanto considerável. O TCFQ, que seria só um documento extra, passou a ser essencial pra ele. O IELTS, idem. De repente, alguém que ia estudar sem cobrança demais e se daria bem com qualquer pontuação se viu tendo de obter X e Y nos testes pra poder ter direito a tentar dar início ao processo.

Tem sido bem difícil. Semana passada, nos encontramos e sentei para ajudá-lo, e aí me dei conta de uma coisa que ele não estava levando em consideração: aquele pontinho que você ganha pela capacidade de autonomia financeira, que nada mais é colocar o dedão por extenso assinar a declaração dizendo que você terá Z moedas de ouro para levar para o Québec e se manter nos três primeiros meses. Gente, como fez diferença!

Sintam o drama: o diploma dele (que, na verdade, ele ainda não recebeu), pode valer 6 ou 8 pontos pela tabela oficial. Somados os demais quesitos (incluindo o pontinho lá de autonomia financeira), ele pode estar, nesse momento, com 47 ou 49 pontos. Dá pra entender o que é isso, sabendo-se que falta pouco mais de um mês para expirar o prazo das regras atuais?

Enfim, conversei com ele, ele considerou, considerou, considerou, e agora vai mandar o que tem. Está juntando tudo e foi pedir as declarações das empresas onde trabalho e do curso que fez (porque o diploma oficial ainda não saiu). Resultado: uma empresa não teve problema; a outra está hiper-desconfiada e o responsável vai ter de "consultar o diretor para ver se é possível". Com a escola, quase o mesmo: "podemos até declarar que você foi aluno e concluiu o curso, mas número de horas do curso, histórico e essas outras informações, não". Notaram o "podemos até declarar"? 

Agora, perguntem se esses estabelecimentos estão dispostos a tirar uma cópia disso e bater um carimbo de "confere com o original"? "Nossa, estranhííííííssimo isso, né? Deve estar pra entrar na justiça, e o caso deve ser bom, então não vou dar corda pra eu mesmo me enforcar". Ninguém disse isso, mas parece ser o pensamento comum. Tá certo que, por tradição, a gente recorre aos cartórios para cópias autenticadas, mas, se você não precisa de nada que exija a intervenção de um cartório, qual o problema de você bater um carimbo numa cópia de um documento que você mesmo emitiu?

Só consegui concluir que, no Brasil, a desconfiança nos outros é tão grande, que a postura defensiva é tão comum e que estamos tão acostumados a fazer a coisa de maneira tão torta que não temos nem coragem de declarar algo que nós mesmos sabendo ser verdade. Então, é melhor eu me resguardar e não confirmar nem confirmar que isso ou aquilo aconteceu, do que falar a verdade e me dar mal.

Enfim, no caso que expus ali em cima, já está claro que as declarações não vão ficar 100% nos moldes que o BIQ quer, e que ele vai ter de se valer de cópia autenticada em cartório para tentar fazer com que o processo seja aberto. Estou torcendo muito, mas muito mesmo, para que tudo dê certo e ele consiga. O processo tem sua dose de agruras, peculiaridades e exigências estranhas; mas nada supera, eu acho, a pessoa pedir um documento que só confirme uma situação aqui no Brasil e geral se recusar, como se fosse ilegal. A impressão que fica, realmente, é a de que tudo se faz tão errado aqui no Brasil, que até quando você não só sabe a verdade como é responsável por ela, é melhor falar o mínimo possível e não se comprometer.

À bientôt!