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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Férias!

Quase dois meses sem postar nada no blogue, estava na hora de tirar a poeira, néam?

Mas há um motivo bem simples para o sumiço: férias! Sim, depois de encerrar o trimestre na Universidade de Montreal, apareceu uma oportunidade para fazer uma visita ao pessoal no Brasil. E eu não podia deixar de aproveitar, óbvio. Não que eu estivesse com saudade do calor, do Aedes aegypti ou das novas velhas notícias do Brasilzão; mas meu bem mais precioso, minha família, continua por lá. E, sem saber que rumo a vida tomará neste novo ano, melhor aproveitar enquanto dá. E, falando nisso, feliz 2016 a todos!



Fui para ficar três semanas, mas uma mudança em um dos voos me obrigou a ficar mais uma. Não reclamei nem um pouco, apesar de isso me fazer perder a primeira aula da sessão de inverno na Universidade de Montreal. Foi um mês extremamente prazeroso pra mim. Mimado pelos pais, podendo dar e receber carinho e apoio deles e da minha irmã, dar risada daquelas piadas internas que toda família tem, ajudar um pouco na rotina doméstica, fazer companhia, receber companhia, filosofar, passar tempo, relembrar. Fiz um pouco de tudo isso, além de saborear a inigualável comidinha da mamãe e rever outras pessoas que não estão unidas pelo sangue, mas fazem parte da minha família do mesmo jeito.

É claro que um mês no bem-bom assim só poderia ter um efeito extremamente positivo, né? Fui pro Brasil com a ideia arraigada que eu não pensaria em nada relacionado à minha vida aqui no Canadá: nem francês, nem inglês, nem faculdade, nem alta do dólar, nem que rumo dar pra vida, nada. Claro que não consegui 100%, mas digamos que uns 90% do tempo foi gasto apenas vivendo o presente, aquele presente de estar ali com os meus. O resultado foi que, quando subi no avião de volta, estava incrivelmente relaxado. Claro que não deu pra evitar lágrimas e aquela saudade antecipada de quando a gente sabe que precisa ir, embora ainda faltem um ou dois dias, ou mesmo algumas horas. Mas foi tão diferente de quando vim pra cá em março do ano passado que eu nem me reconheci. Sim, claro que, desta vez, eu já sabia para onde estava indo de verdade: já sabia qual ônibus pegar, já tinha endereço certo pra ir, já não tinha uma penca de coisas para resolver. Ainda assim, acho que passar esse mês sem me preocupar com o futuro contribuiu bastante para essa sensação de calma.

O primeiro efeito foi que não tive nenhuma crise de ansiedade durante toda a viagem de volta. Consegui falar com todo mundo no caminho sem problemas (quem tem transtorno de ansiedade sabe quão desmoralizante e humilhante pode ser não conseguir articular um som na hora em que você tem que falar—tipo, por exemplo, no guichê de imigração, sabe?). Isso já me fez sorrir de orelha a orelha até em casa. Segundo, de repente, me dei conta que estava falando francês. Sabe quando você abre a boca pra falar, seu cérebro sabe que não é a sua língua materna que tem que entrar em ação e ele manda o inglês no lugar, porque é o idioma que está mais fácil e seguro à disposição? Pois é, não foi o que aconteceu. Mais de uma vez, de repente, eu estava falando francês nos aeroportos e com passageiros. Foi um misto de alegria, supresa e "tô possuído", mas foi muito, muito bom!



Ah, cabe ressaltar uma coisa do meu retorno: foi a primeira vez que fui pra fora do Canadá como residente permanente. Então, como bom garoto que sou, levei minha carteirinha de residente permanente e fiquei curioso para saber como seria meu reingresso no país. Foi assim: fui direcionado para a fila dos cidadãos e residentes...




...,que estava longa, e terminei em um totem de auto-atendimento. Na telinha, escolhi o idioma, respondi uma ou duas questões, a máquina escaneou minha carteirinha (demorei aqui porque tem que segurar a dita cuja lá dentro, e eu só passava pelo leitor. Fiz duzentas vezes até me dar conta) e, em seguida, pediu para inserir o formulário da alfândega. Aqui, perdi mais tempo porque eu inseria o formulário e a máquina cuspia de volta, dizendo que eu não havia inserido o formulário do jeito certo. Fui atrás de uma funcionária, que fugiu de mim como se eu fosse um Dementador, e tive que ser resgatado por outra, que me explicou que as pontinhas de papel que haviam sobrado depois de eu destacar o formulário faziam a máquina rejeitá-lo. E não é que a prestativa senhora estava certa? Tirei as pontinhas e o formulário foi engolido suavemente pelo totem. Mais alguns apertos de tecla e a máquina emitiu uma cópia do formulário, que entreguei na saída da área de imigração. Pronto, estava eu lá, residente permanente, de volta ao lar.

E a diferença óbvia depois de um mês fora estava lá: neve pra todo lado. Todo mundo empacotado, e eu achando o máximo! Continuam dizendo que vai chegar o dia em que eu vou ficar de saco cheio do frio, e eu continuo esperando (sem pressa alguma).

Agora é retomar as atividades. Que esse ano seja tão bom pra mim quanto o que passou. E que para vocês aí do outro lado da tela seja melhor ainda!

À bientôt!


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Emigrar é abrir mão

Todos nós, que estamos saindo do Brasil para um outro país, passamos por isso num momento ou em outro (e você aí, que ainda está planejando, também passará): a gente conta pra alguém que vai emigrar, a pessoa fala algo tipo "que legal!", e começa a fazer perguntas. Em geral, elas querem saber se você está indo fazer intercâmbio ("como assim, você tem green card???"), se você já tem emprego lá ("como assim, você não tem???") e se você já tem contatos lá pra te ajudar ("como assim, você vai sozinho???"). Em geral, para por aí, a pessoa te deseja sorte, sorri e vai fazer o que estava fazendo antes.

Mas algumas pessoas vão além. Elas veem ali uma chance pra elas também e, naturalmente, querem saber mais! Aí, como boa pessoa, você explica mais. Fala sobre a palestra do escritório do Québec, fala sobre os requisitos, indica sites, blogues e tudo mais. A pessoa fica empolgada, vai pra casa, e, quando você a reencontra, pergunta se ela gostou das informações, se ficou animada para dar entrada no processo. E a resposta, em 99% dos casos que presenciei, foi algo do tipo:

-Ah, eu queria muito, mas meu caso é mais complicado...

Naturalmente, você quer saber o por quê, e pede ao cidadão ou cidadã de bem para que ela elabore essa frase genérica. E aí, em 95% dos casos, a resposta cai em algo semelhante às opções abaixo:

1. Ah, eu não posso largar meu emprego assim...
2. Ah, eu tenho filho(s)(a)(as)/família;
3. Ah, eu tenho um(a) namorado(a);
4. Ah, eu teria que recomeçar a vida;
5. Ah, eu teria que aprender inglês/francês/etc;
6. Ah, eu teria que ser rico(a)...

Há outras, mas a maioria das respostas costuma girar em torno dessas opções aí (às vezes, várias na mesma resposta). Antigamente, eu apenas sorria, falava algo bem vago também como "é..." e deixava por isso mesmo. Mas, depois do tempo todo de processo, vendo não só as minhas angústias, escolhas e decisões, mas a de outras pessoas também, eu respondo, em geral, com outra pergunta:

- E você acha que eu não tenho nada disso?

Uma vez, li o prefácio do livro de um escritor em que ele falava como as pessoas chegavam até ele e diziam que tinham muita vontade de escrever. Ele, por sua vez, perguntava o que as impedia, e elas diziam, em geral, que não tinham tempo. Assim, como se escrever, para ele, fosse um passatempo, um hobby, algo que ele fazia enquanto executava o trabalho "de verdade", aquele que, de fato, colocava o leitinho das crianças na geladeira. E ele falava que a diferença entre os escritores e os aspirantes era justamente essa: eles encaravam a escrita como atividade profissional, com horas de trabalho divididas, com planejamento e método, e não da forma que a maioria das pessoas imagina (algo como acordar às 10 da manhã, tomar um café da manhã até às 11, sentar na frente do computador, decidir que precisa de "inspiração" e sair para passear e por aí vai). Basicamente, eles abrem mão do conforto de ter um emprego das 8hs às 18hs, com salário fixo, pagamento no fim do mês, plano odontológico e vale-coxinha e se dedicam à profissão deles. Em sua, eles fazem uma escolha - ou várias - e se comprometem com isso.

O que isso tem a ver com a situação genérica que abriu o post? Tudo.

Quem nunca pensou seriamente em emigrar geralmente tem uma lista de obstáculos intransponíveis prontinha para ser apresentada caso perguntem "se você quer ir, por que não vai?". Não vou, de forma alguma, dizer que não existem situações que pesem mais que outras. Mas, no fim, é tudo escolha. É tudo uma questão de se você quer abrir mão de algo ou não. Se está disposto e preparado a sair da sua zona de conforto, ainda no Brasil, para ir atrás de algo diferente. E, no fim, é você quem sempre escolhe. Não é "a vida", " a situação", o "destino". É você, e só você. 

Você tem um filho pequeno? Tem gente que está emigrando com dois filhos pequenos, ou com um adolescente e um bebê de colo, com três filhos de todas as cores e tamanhos. Você tem família? Pois é, eu também. Estou deixando (de novo)  meu pai, minha mãe e minha irmã para trás, só as três pessoas que mais amo neste planeta inteiro, sem falar dos meus tios e primos mais próximos. Você tem um namorado(a)? Eu e várias pessoas já terminamos um namoro (em alguns casos, até um casamento!) por causa do processo. Você tem um emprego estável, que te paga bem? Deixa eu te contar que ninguém está indo para o Canadá ou para sei lá onde pensando em ficar rico (ou, pelo menos, não deveria estar). E eu mesmo estou largando um "belo" emprego no setor público, com pagamento certinho, com situação estável, em troca de, talvez, ter de me virar com empregos considerados "baixo nível" no  Brasil. Você está financiando sua casa? Eu e vários temos adiado a compra de um apartamento ou casa pra viver de aluguel baratinho e juntar dinheiro para ir embora. Você teria que recomeçar a vida? E o que você acha que eu e todos os outros que estão nessa jornada vão fazer? Ser amigo do rei? Um monte de gente, mesmo não querendo de saída, vai ter de voltar para cadeiras de universidade, refazer cursos, aprimorar experiência, reaprender a pegar ônibus, a falar, a agir, a pensar. Ninguém está indo continuar a vida. Todos estão indo recomeçar, seja em um ou em outro nível.

Enfim, pra encurtar algo que já está longo, quase ninguém emigra com uma situação ideal. A imensa maioria, a maioria esmagadora tem que correr atrás de tudo, seja antes do processo (aprender idiomas, fazer pesquisa, juntar papelada), seja durante o processo (mais papelada, paciência, espera, pesquisa), seja depois do processo (finalizar a vida no país de origem e começar outra no país de destino). Ao contrário do que talvez você pense, ninguém fica esperando um alinhamento planetário perfeito no céu para só então dar o pontapé inicial. Como falei lá atrás, é uma questão de escolha. E escolha é pessoal. Se, pra você, o risco de vender a casa aqui e ficar sem residência própria lá no Canadá é muito alto para correr, tudo bem. Se você fica com receio de levar sua esposa e seu filho pequeno para fora do país por não saber no que vai dar, ok. Não há problema nisso. Mas pense um tanto antes de falar que sua vida ou situação é "complicada" ou que você estaria abrindo mão de "muita coisa". Afinal de contas, emigrar é, antes de tudo, abrir mão de muita coisa.

À bientôt!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A adaptação já começou

Depois do feriado, eis que retorno para o blogverso! Meus pais vieram me ver meu pai veio me ver e minha mãe foi passear de navio com minha tia, e só ficou alguns dias comigo no finzinho. Mas sempre é muito bom recebê-los aqui, mesmo com a vida de pobre de estudante que eu levo. Logo estarei em terras brasilienses para retribuir a visita, comer comidinha da mamãe e hibernar um pouco.

Depois do pedido de passaporte, ainda não me mexi muito, em parte devido ao feriado, em parte devido a outras coisas que estou priorizando no momento. Mas, de ontem para hoje, voltei a ler blogs. Tenho lido vários de pessoas que imigraram recentemente ou mesmo de pessoas que já estão lá há algum tempo para ver o que me espera no quesito "adaptação". Olha, eu sou super sincero quando digo que não faço muita ideia do que me espera. Eu sou ansioso e um tanto controlador por natureza, e saber que, em menos de um ano, tudo o que tenho como certo, garantido e estável será jogado para o alto em troca de dúvida, incerteza e trapalhadas dignas das altas confusões da Sessão da Tarde me deixa... precisando de Maracugina.

Mas, enfim, não vim desfiar meus medos. Não agora,  pelo menos. Eu notei que alguns assuntos são recorrentes nos primeiros meses de adaptação dos imigrantes recém-chegados. E, embora eu ache que vou penar em alguns, fico feliz em ver outros provavelmente não me trarão dificuldade. Separei esses aqui, para consideração e posterior comparação, quando estiver por lá:

1. Idioma(s): aqui eu nem tento me enganar. Vou penar seriamente. Não importa há quanto tempo eu estude inglês, não importa o quanto os professores de francês tenham me elogiado, não é livro-texto ou prova de fim de semestre que estarão em jogo. É a comunicação de fato, a integração, é escalar os degraus entre o imigrante em mim que balbucia uma frase uga-buga e aquele para quem a língua já não é um obstáculo intransponível. Noto que muita gente dizendo que, embora esteja tendo ou tenha tido problemas no início, foram menores do que eles imaginavam . Torço para que comigo seja assim;

2. Frio/clima: aqui e ali, ao longo dos posts do blog, eu indiquei que detesto calor. Faz e sempre me fez mal. Além de imprestável para qualquer atividade dentro ou fora de casa, eu fico de mal humor, sinto um cansaço bizarro (mais que de costume), e quase fujo das pessoas. Sempre preferi o frio. A questão é que eu nunca peguei -30ºC. Embora eu saiba que ninguém fica de bermuda cáqui e havaiana curtindo uma brisa no inverno quebequense, eu me pergunto até onde vai meu amor pelo frio (ou minha raiva ao calor). E acho que neve por dias e dias deve ser um saco para quem tem de ir e vir como morador. Enfim, essa só lá pra saber;

3. Morar num cubículo/cafofo: gente... eu já moro num cubículo. Desde que me mudei para São Paulo - cujos preços de imóveis não são tão diferentes assim dos de Brasília, se você considera as regiões mais habitáveis da cidade - eu entendi uma coisa sobre mim: enquanto eu não estiver com a vida definida (super subjetivo, com certeza virá um post-melação no futuro sobre isso), eu não tenho muitas pretensões em relação a imóveis. Morei quatro anos numa kit em São Paulo, e só saí de lá porque a dona resolveu pedir o imóvel de volta para passar para um sobrinho ou algo assim. Agora, o apê onde moro não é muito maior. Então, ir para Montreal e morar numa kit (desde que não esteja caindo aos pedaços) não é bizarro pra mim. Na verdade, acho que será preferível de início. A mesma coisa em relação a móveis e apetrechos domésticos. Gente, eu estou há quase 7 anos sem fogão e sem mesa em casa! Só me dei conta disso quando, conversando com colegas de trabalho a respeito de moradia, citei isso como dispensável dependendo de que tipo de vida a pessoa tem. Os olhares de estupefação e as palavras de horror vieram rapidinho. Mas a verdade é que me viro bem com cama, geladeira/frigobar, microondas - e um computador, claro;

4. Doméstica: um dos compromissos que firmei comigo mesmo quando resolvi me mudar para São Paulo era o de não mais pagar ninguém para limpar a minha sujeira. Na casa dos meus pais, sempre tivemos uma empregada doméstica bem daquelas de novela do Manoel Carlos, que já trabalha há tampo tempo que é parte da família, cujos filhos vimos nascer e crescer, etc e tal. Sou e serei eternamente grato a ela por tudo o que fez, e entendo, até certo ponto, o paradoxo de que, de qualquer forma, trabalhar como doméstica seria a única alternativa para algumas pessoas. Mas eu realmente não gosto da ideia de alguém se curvar para limpar minha própria privada. De modo que, há quase sete anos, eu sou o Senhor Absoluto da Minha Privada e de todos os outros cantos da casa que mereçam uma limpeza. E não, não vivo pisando em pedaço de pizza dura no chão ou espantando a "natureza" (aranhas, baratas, moscas & cia). Sou pobre, mas limpinho. Então, já estou adaptado e pronto para continuar me virando sem empregada doméstica;

5. "Faça você mesmo": outro campo em que eu tenho muito a aprender. Esses anos em São Paulo têm servido para me mostrar todo um mundo de assuntos que eu praticamente desconhecia. E, avesso a ficar pagando caro por coisas que eu mesmo posso fazer, comecei - com a ajuda de São Google e Mestre YouTube - a me inteirar de coisinhas bestas como pequenos reparos domésticos. É dar um problema no apartamento e pimba, lá estou eu procurando alguma coisa para me amparar nesse momento de necessidade. Com isso, passei a entender melhor de algumas coisas, despertei minha curiosidade sobre outras, mas estou muuuuuuuuuuuuuuito longe dos canadenses, que fazem conjunto de mesa e seis cadeiras  + conjunto de cristais LaVerrerie na garagem de casa. Mas estou super aberto, e eu me amarro na ideia de não precisar ficar chamando alguém pra fazer coisas que eu mesmo possa fazer;

6. Rótulo de imigrante: não vou negar que eu tenho um tanto de receio, sim, de virar "aquele imigrante brasileiro" nas rodas sociais.  E acho que vai ser inevitável, até certo ponto. O que eu não quero é que isso chegue a atrapalhar a minha integração. Fato é que querer é uma coisa, poder é outra, e não são tão poucos assim os relatos de quem já teve de se provar mais de uma vez para não ficar só como "aquele imigrante brasileiro". Como eu não estou saindo daqui cheio de competências e habilidades profissionais sazonadas e temperadas por anos na labuta (sou servidor público há 10 anos, gente.. até onde consegui ver, isso só te prepara para a comodidade), acredito que vá ter de ralar ainda mais que o imigrante médio. Mas vamo lá, né? Se eu quisesse comodidade, voltava pra casa dos meus pais;

7. Saudade: vai pegar. Não tem jeito. Morando há 7 anos sozinho, eu já tive o rompimento inicial, que acredito ser o mais dolorido. Ainda assim, vou passar alguns meses em Brasília antes de embarcar de vez, e saber que estarei a 15 horas de voo em vez de 1h30 não facilita muito as coisas. Mas torço para que esses anos aqui já tenham me deixado um tanto preparado. De resto, acredito que eu vá sentir falta de uma coisa ou outra do Brasil, mas agora não consigo imaginar o quê. Rá!

Tem outros tópicos, claro, fora os meus particulares (que em algum momento verão a luz do blogue), mas acho que esses são os mais recorrentes. Alguém aí tem algum pra compartilhar/acrescentar/recusar?

À bientôt!

quinta-feira, 13 de março de 2014

Aniversário do CSQ!

Aviso: este post é extremamente pessoal e pode causar sonolência!



Há exatamente um ano, lá estava eu, no Rio de Janeiro, fazendo a minha entrevista com a conselheira do Escritório de Imigração do Québec. Eu nunca fui uma pessoa de guardar números e datas, mas, surpreendentemente, essa data sempre esteve marcada na minha mente. Acho que a sensação de ter superado aquela etapa com resultado positivo teve um efeito maior do que eu esperava na minha humilde pessoa.

E não "só" porque o assunto é imigração, essa palavra que traz conotações positivas (para quem vai) e negativas (em vários países, para quem recebe os imigrantes), mas por outros motivos também. Como comentei certa vez em outro post, se levarmos em conta meu histórico de vida, só de pensar que eu me preparei por um ano e meio, peguei um avião, me hospedei numa cidade desconhecida, cheio de documentos pessoais, engomadinho pra causar boa impressão e me submeti a uma entrevista em francês cujo resultado, independente de qual fosse, teria um impacto enorme na minha vida... olha, eu às vezes ainda não acredito. Não espero que ninguém entenda porque, enfim, somos todos diferentes e as coisas acontecem de um jeito para uns, de outro para outros, e cada um tem sua própria personalidade. Mas, sendo alguém que sempre teve como maior algoz a si mesmo, eu posso dizer que o que já fiz pelo processo de imigração é suficiente para me deixar contente.

Ao contrário de alguns, eu sempre tive o apoio da minha família. Desde que comecei a estudar francês eles sabem do processo de imigração. Aliás, até antes, já que desde a aborrescência eu falava aqui e ali que tinha vontade de morar fora, mesmo que fosse só por um tempo. Consegui apenas passar férias, que sempre foram muito boas e me faziam pensar como, quando e pra onde me mudar. Mas o sabotador, o algoz, estava ali, do lado, o tempo todo, me apresentando obstáculos, dificuldades, medos, inseguranças e outros substantivos que causam angústia. E foi na minha família, que sempre, sempre, sempre esteve ao meu lado, me dando apoio e me incentivando, que busquei as forças para contornar cada dificuldade. Por isso, talvez a coisa mais difícil que eu tenha feito até hoje tenha sido justamente deixá-los, quando me mudei de Brasília para São Paulo. Não houve uma noite, durante todo aquele ano que precedeu a mudança, em que eu não me questionasse e me sentisse mal por estar "indo embora" e deixando para trás os únicos que sempre me ajudaram a levantar depois de cair.

E, de lá pra cá, fiz tudo sozinho. Com o apoio e a torcida deles, claro, mas tomando conta da minha vida em todos os aspectos pela primeira vez. Com traumas, medos e angústias aflorando aqui e ali, mas lidando com cada um à medida que iam surgindo. Procurei apartamento só, morei só, assinei contrato só, assumi responsabilidades só, enfim, toquei minha vida só. E falo dessas coisas simples e básicas para qualquer mortal como se fosse o Velocino de Ouro ou o Santo Graal não por ter sido filhinho de papai, ter recebido tudo de mão beijada ou coisa do tipo, mas, sim, porque todos os fantasmas do passado estiveram sempre ao meu redor, fazendo eu me sentir incapaz de crescer, amadurecer, tomar conta de mim mesmo e ser alguém. Esses fantasmas chamaram outros fantasmas, e quando as coisas nas quais você se apoia desmoronam pelos questionamentos que você mesmo faz e que não consegue responder de forma satisfatória... bom, mais uma vez, se não fosse a minha família, eu não sei onde estaria agora.

O CSQ, então, longe de ser um fim ou a redenção definitiva de um caminho tortuoso, tem um sabor e um valor pra mim que vão bem além da "simples" imigração. É uma nova prova, um novo nível alcançado que me mostrou de que os fantasmas podem estribuchar, saracotear, relinchar e arrastar as correntes, mas que eu posso, sim, controlar minha vida; que eu posso, sim, superar obstáculos; que eu posso não ter mais os pilares que me mantiveram tranquilo durante um bom tempo e que não passavam de ilusão, mas que eu posso erguer novos pilares, dessa vez com fundações sólidas, sabendo que posso, de fato, me apoiar neles, e que mesmo que outros discordem ou acreditem que eu deveria fazer diferente, a escolha e as decisões são minhas. Sou eu que faço meu destino. Sou eu quem tem de ir atrás do que eu quero (e descobrir o que eu quero). Sou eu, no fim das contas, quem é responsável por mim mesmo e pela felicidade que eu encontrar depois de buscar e pela tristeza que sobrar se o medo ou a insegurança me paralisarem.

Portanto, Feliz Um Ano de CSQ pra mim! Que eu possa obter outros CSQs ao longo da vida!

À bientôt!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Um bate-papo de Natal e uma barata

Na noite de Natal, a qual passei em Brasília sendo mimado pelos meus pais, recebemos alguns amigos que passam a data com a gente há vááááários anos. Em determinada hora, pouco antes da ceia, sentei com três amigos e, não demorou muito, veio a pergunta:

– Você viu o frio que está fazendo no Canadá? Não dá vontade de desistir, não?

Respondi que não, que pode até ser que, na hora do inverno de -30ºC eu me incomode com coisas como o tanto de roupas que tenha que usar (ou o peso dessas roupas), o fato de ter de ficar tirando e colocando casacos cada vez que sair de um prédio para a rua e vice-versa, ou a neve, da qual eu não tenho lá uma visão muito romântica (até acho bonito, mas no dia a dia deve dar um trabalho...). Fui recebido com olhares e meios-sorrisos do tipo "aham, vamos ver se vai ser assim quando você estiver lá...".

Dois desses amigos, que são casados, cogitaram a imigração para o Canadá há alguns anos. Então, perguntei se haviam deixado de lado de vez a ideia. Disseram que sim, que estão bem financeiramente e que trocar o certo pelo duvidoso seria arriscado para eles. Perguntei, então, a todos eles quais eram os planos daqui pra frente. Sendo os três funcionários públicos, a resposta, foi... dou três chances:

1) dominar o mundo;

2) causar um holocausto nuclear;

3) fazer novos concursos que paguem melhor.

Como é óbvio que a resposta não poderia ser outra que não a terceira, eu só acenei com a cabeça e mudei de assunto. Mas, depois, mais tarde (e durante parte do dia seguinte), fiquei pensando: será que estou doido? Será que deveria levar mais a sério quando falam "você é louco de trocar um trabalho estável por algo que nem sabe o que é numa terra que não é a sua"?

Claro que essas perguntas não são novidade pra mim. Qualquer cidadão que pense em imigrar, mais cedo ou mais tarde, vai deparar com elas - e é bom que seja mais cedo! Só que, quando é muito cedo, a gente pode ser atropelado pelo entusiasmo e pelo fanatismo. Sim, porque há fanáticos também no reino da imigração. Há pessoas que simplesmente se recusam a imaginar que há problemas no Canadá ou em outros países ditos desenvolvidos. Mas, enfim, de repente me dei conta de que fazia um tempo que não pensava nisso e parei para me perguntar se ainda acho que estou fazendo o melhor para mim. E a dúvida bateu mesmo. Afinal, a vontade de mudar de vida, de encontrar aquela vocação profissional esperta, de viver num lugar mais justo e seguro existe, mas isso não é garantia de que essas coisas - ou mesmo alguma delas - virá. Então, a questão final é: se eu for, perder tudo e voltar, ainda terá valido a pena?

Para tentar achar resposta a essa pergunta, resolvi pedir ajuda aos universitários (quando penso que há adolescentes hoje em dia que nem vão entender essa referência...): nesse caso, meu pai. No dia 25 mesmo, sentado na varanda com ele, fui direto: "pai, você acha que sou louco de fazer o que estou fazendo?".

– Não – foi a pronta resposta dele. Sem qualquer traço de hesitação. Sem "mas". Sem "porém".

Enumerei as vantagens ou benefícios que estarei deixando para trás. Fui frio e calculista, mostrando que não será pouco o que estarei largando, e que não há garantia nenhuma do lado de lá. Expus a situação dos três amigos da noite anterior, que agora, basicamente, só precisam estudar para ganhar salários maiores e engordar, além, claro, de encontrar maneiras de gastar a grana a mais. E a resposta do meu pai, cheia daquela sabedoria de quem já viveu um tempo sobre esta Terra e sabe como as coisas funcionam foi aquela que todo mundo, no fundo, sabe, mas que às vezes passa batido pelas nossas (ou as minhas) tentativas de controlar o máximo possível de situações.

– Filho – disse ele, mais ou menos nessas palavras – que garantia você tem de que você vai se dar bem ou não no Canadá? E que garantia você tem de que seus amigos conseguirão fazer o que pretendem fazer? A gente, às vezes, planeja, planeja, planeja, e aí vem a vida e derruba o castelo de areia. Não quero dizer que você não deva planejar sua ida para o Canadá; é claro que deve. Mas o planejamento não é garantia de que as coisas serão sequer parecidas com o que você planejou. Para se poupar de coisas ruins, fora se planejar para evitar o que for possível, a alternativa é não ir. Mas não ir não significa que sua vida, aqui, vai estar muito melhor nos próximos cinco ou dez anos. Se você só quisesse ganhar um dinheiro a mais, aí talvez você não precisasse ir para outro país. Mas nunca, desde que você falou que estava pensando em ir, você mencionou dinheiro como fator. Sempre foram coisas que você não encontra aqui. Não sei se essas coisas estão lá, e ninguém tem como saber. Não há garantias. Mas não é melhor você ir e ver por você mesmo, como fez quando foi para São Paulo, do que ficar aqui imaginando?

Pois é. E aí eu lembrei novamente porque estou imigrando. Talvez eu não esteja atrás da segurança de uma vida de repartição, atrás de uma mesa. Talvez eu não esteja continuar fazendo um trabalho inócuo, com o qual não me importo nem um pouco. Talvez eu não queira continuar convivendo com pessoas que só querem ganhar mais, engordar e descobrir maneiras de gastar a grana extra. E como posso pedir garantias para algo assim, não é verdade?

E, agora, meio-ambiente: é sabido que o calor, além de ânimos exaltados, também é propício às baratas. Uma delas, voadora, entrou no meu quarto faz dois dias. A bicha é tão ruim que não morreu nem mesmo depois de duas chineladas e uma borrifada de inseticida. Conseguiu refúgio no meu guarda-roupa, e agora está desaparecida. Já revirei o móvel até o limite do desmantelamento e nada. No restante, eu só poderia procurar se fosse Liliputiano. Então, não, não terei problemas com frio de -30ºC, ainda mais se isso implicar na redução de seres desagradáveis que habitam os esgotos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Começo de ano tumultuado... e família

Depois da tempestade, a bonança!

Tá certo que, frente a tantas tragédias que já aconteceram por aí, o que aconteceu comigo, no fim das contas, foi mais um incômodo que uma tempestade. Mas enfim, enquanto a gente não consegue resolver de vez, não dá pra ficar quieto e se sentir bem. Enfim, como já comentei antes, tive que desocupar a kitnete onde eu morava, já que a proprietária a pediu de volta. O prazo foi apertado, mas é o comum: 30 dias. A sorte foi que voltei de viagem justamente no dia em que a carta chegou. Ou seja, tive realmente 30 dias pra desocupar o imóvel. Se eu tivesse chegado uma semana ou duas depois (ou se a carta tivesse chegado uma semana ou duas antes), teria sido ainda mais difícil cumprir os prazos.

Pois bem, já no dia seguinte comecei a procurar um cafofo novo onde me meter. Apareceram algumas coisas, algumas caras demais, outras longe demais. Eu, de início, estava querendo manter a trinca que tornava a minha antiga kitnete excelente pra mim: preço baixo, local privilegiado e a proximidade com a minha cara-metade, que mora a apenas algumas ruas de distância. Só que o tempo foi passando e nada de eu encontrar um lugar que tivesse tudo isso. Tudo que eu encontrava era pequeno demais pro preço que cobravam, ou ficava longe demais, o que me faria ter que gastar com transporte (atualmente, vou a pé pro trabalho, 40 minutinhos de caminhada). Achei três opções que, se não eram excelentes, pelo menos reuniam a maior parte das características que eu queria. E adivinhem só? As três deram pra trás, pois resolveram emprestar o imóvel pra parentes e amigos que iam começar ou já estão fazendo faculdade.

Nisso foram embora duas semanas, e eu já estava pesquisando preço de guarda-móveis e diárias de quarto de pensão. Meu pai acabou se dispondo a pegar um avião e vir me ajudar a procurar, já que, trabalhando durante o dia, me restava muito pouco tempo para visitar apartamentos. Acabou que, no dia em que ele chegou, algumas horas antes do avião dele pousar, eu encontrei um lugar para ficar. Mais caro do que eu gostaria de pagar, mas em local privilegiado e perto da minha cara-metade. Ou seja, não precisei pedir ao meu pai que saísse procurando outros lugares pra mim (o que me deixou muito, mas muito aliviado), mas ainda assim ele foi fundamental em tudo o que veio depois. Para agilizar os trâmites, ele foi várias vezes à imobiliária, coisa que eu não poderia fazer o tempo todo. Começou a ver o preço de coisas que eu iria precisar no apartamento novo (e acabou comprando várias, sem nem querer saber da minha conversa de "quanto foi? Vou depositar o dinheiro na sua conta"). Acompanhou a vistoria final da kitnete que eu alugava. E, além de tudo isso, volta e meia ia ao supermercado, preparava o café da manhã pra mim, comprava uma caixa de chocolate pra gente comer à noite enquanto conversava e outras coisas que me fazem voltar a ser filho em tempo integral.




Além de explicar por que eu praticamente sumi do fim do ano passado pra cá, contei essa historinha pra abordar um outro assunto, que já vi discutido em listas e grupos sobre a imigração pro Canadá: o papel da família no processo. É claro que cada caso é um caso, há pessoas que têm um ótimo relacionamento com a família, outras nem tanto, e, por isso e também por outras razões, prefere não comentar nada sobre a imigração até que já estejam no avião ou, pelo menos, na sala de embarque. É algo bastante pessoal e, por isso, falo aqui apenas do meu caso. Eu não conseguiria imigrar pro Canadá, pelo menos não de consciência tranquila, se a minha família não soubesse das minhas intenções e não ficasse sabendo de cada passo que eu dou em direção a isso. Desde o primeiro dia em que comecei a levar a sério a ideia, meus pais e minha irmã sabem das minhas intenções, do que pretendo obter com a imigração e também dos meus receios. E desde esse dia eles me apoiam incondicionalmente. Seja por meio de conselhos, de sugestões ou só pela torcida, eles se fazem presentes, mesmo à distância, em cada etapa do que estou vivendo. E nem poderia ser diferente, já que sempre fomos bastante próximos uns dos outros e nos apoiamos mutuamente. Por isso, a ideia de não contar a eles nada disso é inconcebível para mim.

Quando vim para São Paulo, para estudar e trabalhar, a atitude deles foi exatamente a mesma. Eles sempre expressaram a saudade que sentiriam, mas em nenhum momento me pediram pra ficar com eles. Eles sabiam, viam que eu estava infeliz, e sabiam (sabem!) que a minha infelicidade nada tinha a ver com eles, com nossa casa, com nosso convívio. Pelo contrário, o motivo de eu continuar me esforçando, buscando algo para mim, procurando me sentir bem, estar bem, foi e continua sendo o carinho, o amor e o apoio deles. Por isso, foi extremamente dolorido deixar a nossa casa para me aventurar por uma cidade nova, sem saber exatamente o que iria encontrar, quais os desafios que a vida me reservaria e o que eu conseguiria extrair disso tudo. Foi muito difícil arrumar as malas, ver o dia da viagem se aproximando e saber que eu não mais os veria todos os dias. Uma vez em São Paulo, a realidade de ter de fazer tudo, absolutamente tudo por conta própria nem sempre me deixava tempo para sentir a saudade. Mas ela sempre esteve ali, sentadinha, esperando só que eu olhasse para ela. E como foi difícil querer dar um beijo em minha mãe, dar risada de bobagens com meu pai ou sentar com minha irmã no chão da cozinha para conversar à noite... Durante um bom tempo, na casa nova em São Paulo, eu acordava à noite com um barulho no corredor ou no apartamento do lado e achava que era um deles fechando uma porta ou subindo a escada. Essas impressões demoraram a sumir. E, durante esse tempo, o que eu fiz foi constatar algo que eu já sabia desde antes de resolver me mudar de vez para São Paulo: a falta que eles me fazem.

Minha mãe veio comigo para São Paulo, me ajudou a encontrar a kitnete e a comprar os primeiros móveis. Eu tinha um período curto para arrumar tudo, pois tinha que me apresentar no trabalho alguns dias depois de chegar a São Paulo. Ela fez muito, e só não fez tudo porque certas coisas só eu mesmo podia fazer. Da mesma forma que meu pai, agora, nessas duas últimas semanas, fez muito mais do que eu precisava. Eu ficava, de um lado, querendo que ele não se esforçasse demais, que andasse demais, que carregasse peso demais, que gastasse demais, e ele saía correndo - inclusive literalmente, quando arrancou algumas coisas das minhas mãos no supermercado e correu para o caixa para idosos (vê se pode!) pra não me deixar pagar. Eu poderia ficar horas falando sobre tudo que eles já fizeram e fazem por mim, mas o que eu quero dizer é que, não importa o quanto eu queira encontrar meu lugar no mundo, eu nunca - nunca mesmo - poderia fazer isso sem o apoio deles. No meu caso particular, seria uma traição horrenda, pelas pessoas que eles são, pelo amor e apoio que me dão o tempo todo, esconder isso deles. "Esconder para poupar", nesse caso, seria de uma hipocrisia e crueldade absurdas. Sei que para cada pessoa essa questão é diferente, e é por isso que digo que, no meu caso, eu me sentiria um monstro fazendo isso.

Enquanto meu pai estava aqui, falamos sobre o Canadá, ele me perguntou a quantas andava o processo, trocamos ideias sobre o que eu posso fazer lá e ele deixou claro que, se não der certo, eu sempre posso voltar. E posso mesmo. Mas o que mais quero, toda vez que paro, olho pra trás e vejo o quanto eles já fizeram por mim, é levá-los comigo, é estar perto para ajudar, é dar uma vida melhor. Perguntei pro meu pai se ele toparia ir morar no Canadá comigo. Ele sorriu, um tanto surpreso, e a resposta foi: "se sua mãe quiser ir, a gente vai".

Então, eu aproveito esse post para agradecer, de coração, todo o amor da minha família e a ajuda que me deram e me dão ainda. Saibam que esse amor é recíproco, e que a lembrança mais reconfortante pra mim, a que eu evoco todas as vezes em que estou mal, ainda é a de nós quatro reunidos, na sala da nossa primeira casa, assistindo televisão enquanto lá fora chovia. Essa imagem eu não quero perder nunca.

Amo vocês.